quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Transtornos da obesidade



Texto retirado da revista Psique edição 67- 2011.


Segundo Mary Scabora, os transtornos alimentares mais comuns são o da compulsão alimentar periódica (TCAP ou binge eating, no termo em inglês) e a síndrome do comer noturno (SCN).

A TCAP se caracteriza pela "presença de episódios recorrentes de ingestão de grande quantidade de alimentos em um curto intervalo de tempo, seguido de uma sensação de vergonha, culpa, angústia perante a perda de controle sobre o ato de comer, sobre o que se come e o posterior arrependimento por ter comido", diz a especialista. Acometidas por este transtorno, que também pode se apresentar em pessoas que não têm problemas de obesidade, a pessoa come "por impulso e não existe um critério de seleção dos alimentos, ela tem preferência por alimentos saborosos, mas na falta deles come o que tiver ao alcance", explica.

Já a SCN, explica Mary, se relaciona com quadros de insônia, no qual a pessoa estabelece uma rotina marcada pela pequena ingestão alimentar pela manhã, mas há um consumo exagerado mais tarde, no período entre oito da noite e seis da manhã. Escondido atrás destes transtornos, "existe um problema psicológico camuflado -depressão, ansiedade, raiva internalizada, bloqueio da agressividade, alterações de humor, carência afetiva e baixa autoestima, entre outros -, combinado com uma dieta alimentar pobre em nutrientes e dificuldades de adesão a um tratamento adequado", diz.

Dessa maneira, tratamentos que visem à diminuição de peso precisam ser encarados com o fato de que existem dificuldades do âmbito psicológico que podem tornar sua eficácia e acompanhamento um desafio para a pessoa obesa. Sem a resolução das muitas significações e estabelecimentos emocionais criados por elas para justificar sua dependência e compulsão por comer, o emagrecimento não passará de condição temporária, sem ganhos reais para a saúde ou qualidade de vida do indivíduo. Mesmo em tratamentos ditos definitivos, como é o caso da cirurgia de redução de estômago, é preciso estar atento ao lado psicológico: seja por ainda ter mal resolvida sua relação com comida ou por não conseguir aceitar a nova "versão" magra de si mesmo, pessoas obesas que passam por esse tipo de tratamento algumas vezes retornam a seu estado de obesidade ou desenvolvem outras psicopatologias.


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