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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Depressão e culpa: Freud estava certo? Por Tiago Azevedo



Sigmund Freud dizia que a depressão pode resultar de expressões exageradas de culpa.

Uma pesquisa com imagens cerebrais mostra que os cérebros de pessoas depressivas respondem diferente à sentimentos de culpa – mesmo após o desaparecimento dos sintomas. O estudo da Universidade de Manchester foi publicado na revista Archives of General Psychiatry.

Os pesquisadores descobriram que as varreduras do cérebro de pessoas com um histórico de depressão diferiram, de indivíduos que nunca ficam deprimidos, nas regiões associadas com a culpa e conhecimento do comportamento socialmente aceitável.

A prova concreta apresentada por ressonância magnética funcional mostra como o cérebro responde nas pessoas com diagnóstico de depressão.

Roland Zahn, médico da Escola de Ciências Psicológicas da Universidade, disse: "Nossa pesquisa fornece o primeiro mecanismo do cérebro que poderia explicar a observação clássica por Freud de que a depressão se distingue de tristeza normal pela propensão a sentimentos exagerados de culpa. Pela primeira vez, nós traçamos as regiões do cérebro que interagem para conectar o conhecimento detalhado sobre o comportamento socialmente adequado - o lóbulo temporal anterior - com sentimentos de culpa - a região subgenual do cérebro - em pessoas propensas à depressão"

Pesquisadores utilizaram ressonância magnética funcional para escanear o cérebro de um grupo de pessoas após a remissão da depressão maior por mais de um ano, e um grupo de controle com pessoas que nunca tiveram depressão. Ambos os grupos foram convidados a se imaginar agindo mal, por exemplo: sendo "mesquinhos" ou "mandões" com seus melhores amigos. Eles, então, relataram seus sentimentos para a equipe de pesquisa.

"Os exames revelaram que pessoas com um histórico de depressão não “casaram” as regiões do cérebro associadas com culpa e conhecimento do comportamento apropriado com tanta força como o grupo de controle nunca deprimido fez, disse Zahn.

"Curiosamente, esta "dissociação" só ocorre quando pessoas propensas à depressão se sentem culpadas ou culpam a si mesmas, mas não quando sentem raiva ou culpam os outros. Isso pode refletir uma falta de acesso a detalhes sobre o que exatamente era inadequado sobre seu comportamento quando se culpavam, estendendo assim para si a culpa de coisas pelas quais que não são responsáveis".

Cientistas acreditam que a descoberta é importante porque revela mecanismos cerebrais subjacentes à sintomas específicos de depressão, que podem explicar por que algumas pessoas reagem ao estresse com depressão em vez de agressão.

Os investigadores estão agora estudando se os resultados do estudo podem ser usados para prever o risco de depressão após a remissão de um episódio anterior. Especialistas dizem que, se houver sucesso, a ressonância magnética funcional pode ser uma ferramenta para medir o risco de depressão no futuro.
Fonte: Universidade de Manchester

Tiago Azevedo – Psicoativo.com
Nosso Colaborador e mais Novo convidado a postar aqui com a equipe do Psicoativo!

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Decepção

Basicamente, a decepção é consequência da expectativa, amiga da angústia e prima da frustração.
Já começo avisando que se você criou a expectativa de ler um texto dando dicas de como não se decepcionar na vida, então, pare de ler agora mesmo, pois irá… se decepcionar. Apesar de vivermos em plena era das “fórmulas mágicas para uma vida perfeita”, altamente fomentada pelo sistema midiático, é impossível viver imune a decepções.
decepção
“As expectativas são o que pensamos que deve acontecer como resultado do que fazemos, dizemos ou planejamos. E a decepção é inevitável quando as coisas não saem como planejamos. Esperamos sem nada fazer quando acreditamos no pensamento mágico, em nossas fantasias e desprezamos os dados de realidade. Você já se perguntou se suas expectativas são coerentes com a realidade? Talvez seja uma pergunta importante para explorar. Muitas vezes a realidade está muito distante de nossas expectativas, mas a ignoramos.” Rosemeire Zago – psicóloga junguiana.
A decepção – sentimento de, é uma resposta emocional diante do fracasso da expectativa não alcançada, da esperança e/ou até da (falsa) certeza de um determinado resultado não concretizado. Porém, este sentimento pode desencadear um grande estresse psicológico, afinal, este é uma reação natural, uma resposta, uma tensão gerada pelo organismo diante de uma determinada situação, real ou imaginária, que ameace perturbar seu equilíbrio interno. Ele ocorre quando há necessidade de se lidar com ocasiões que exijam um grande esforço emocional para serem superadas. (Leia o meu texto completo sobre estresse aqui.)
Toda condição emocional de desprazer gera a sua dose de angústia, geralmente ocasionada enquanto o resultado do conflito entre o real o imaginário, trazendo consigo a frustração.
Como cada ser humano é único e singular, há indivíduos que se recuperam com maior facilidade junto à decepção, outros nem tanto. Esta capacidade surge lá atrás, na infância, o grande esteio para as nossas condições comportamentais. Vivenciar certas experiências negativas nesta fase prepara o sujeito para a sobrevivência futura e claro, também para as mais diversas decepções que inevitavelmente encontraremos ao longo da vida.
Se você chegou até aqui, reflita sobre as sábias palavras da psicanalista Alessandra Sartori: “Somos como Narcisos e o espelho das águas tem refletido dor e sofrimento. Mas viver objetivando realizar nossas expectativas de forma a fazer com que esse mundo ‘perfeito’ que criamos se torne realidade, além de ser impossível, é aprisionante. Temos que conciliar aquilo que gostaríamos de ser com aquilo que somos e buscar identificar e relacionar nossas possibilidades considerando o desejo com a realidade. Essa conciliação não nos traz plenitude, mas certamente é muito mais flexível. Permite-nos melhorar, seguir novos caminhos e arriscar.”
Quer uma dica? Aceite, que dói menos. Sempre é tempo de mudar, desde que realmente se queira. Se você não sabe lidar com a decepção, procure um psicanalista.
Grande abraço,
 https://anacruzoficial.wordpress.com/2014/07/11/decepcao/

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Por que tem tanta gente com uma tatuagem de um ponto e vírgula?

tatuagem de ponto e vírgula (Foto: Kate Elizabeth / flickr / creative commons)
Não sei você, mas nas minhas voltas pela internet percebi uma popularização de uma tatuagem inusitada: um ponto e vírgula. Investigando a tendência, o pessoal do Upworthy descobriu a história incrível por trás da moda - o The Semicolon Tattoo Project (semicolon é ponto e vírgula em inglês), que nasceu de uma movimentação nas redes sociais em 2013.
É um movimento que, de acordo com os próprios integrantes, 'mostra amor e esperança a quem tem tendências depressivas e suicidas'. Originalmente, pedia que quem se identificasse com esses objetivos desenhasse um ponto e vírgula em algum lugar de seus corpos e compartilhar em redes sociais. Mas por que um ponto e vírgula? "Um ponto e vírgula é usado quando um autor pode terminar uma frase, mas escolhe continuar" - signficado profundo quando aplicado ao projeto.
No ano passado os líderes do projeto, juntamente com um estudo de tatuagem, ofereceram mais de 400 tattoos de ponto e vírgula para quem luta ou já superou problemas psicológicos. 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Cão é usado para amenizar a dor da perda durante velórios no litoral de SP

16/07/2015 07h23 - Atualizado em 16/07/2015 07h23

Cão é usado para amenizar a dor da perda durante velórios no litoral de SP

Iniciativa acontece há pouco mais de um mês em cemitério vertical de Santos.
Freud e Victória 'trabalham' juntos há dez anos em pet terapia.

Rafaella MendesDo G1 Santos
Freud tem 11 anos é trabalha ajudando a amenizar a dor da perda  (Foto: Rafaella Mendes/G1)Freud tem 11 anos e trabalha ajudando a amenizar a dor da perda (Foto: Rafaella Mendes/G1)
Um funcionário diferente e que, em um primeiro momento, pode causar estranheza a quem precisa ir aos velórios realizados do cemitério vertical Memorial Necrópole Ecumênica, em Santos, no litoral de São Paulo, tem conquistado a simpatia das pessoas e seu próprio espaço. O cãozinho Freud, de 11 anos, tem a missão de amenizar a dor da perda dos entes queridos, atuando três vezes por semana.
Idealizadora do projeto trabalha há 20 anos com pet terapia  (Foto: Rafaella Mendes/G1)Idealizadora do projeto trabalha há 20 anos com pet
terapia (Foto: Rafaella Mendes/G1)
A dona do animal, Victoria Girardelli, idealizadora do Dr. AuAu, trabalha com pet terapia há 10 anos, sempre em ambiente hospitalar. Há pouco mais de um mês, no entanto, decidiu atuar em um espaço onde as famílias enfrentam o sentimento de perda, mesmo a raça schauzer não sendo muito utilizada neste tipo de trabalho, por conta do seu temperamento.
“A atuação do Freud vem sendo super elogiada. Ele chega de mansinho e logo vai ganhando seu espaço. O legal é que ele sempre traz uma mensagem e as pessoas logo se agacham para saber do que se trata. Explico que ele faz parte do projeto de terapia e, sem perceber, a pessoa já está se distraindo e conseguindo amenizar um pouco da sua dor”, comenta Victoria.
Diretor Comercial aprova projeto que tem trazido bons resultados  (Foto: Rafaella Mendes/G1)Diretor comercial aprova projeto, que tem trazido
bons resultados (Foto: Rafaella Mendes/G1)
A terapeuta explica que é preciso haver uma sintonia com o cachorro para que ele obedeça, mesmo com uma personalidade difícil.  “É um trabalho totalmente gratificante. O Freud também gosta muito quando eu o coloco na sacola. Ele já sabe para onde vamos e fica todo feliz. O trabalho de amenizar a dor gera um prazer ímpar”, relata.
A técnica de enfermagem Verônica Camilo presenciou a atuação de Freud e acredita que ele pode ajudar a distrair as famílias e pessoas que passam pelo momento de perda de um ente querido. “É muito legal encontrar um animal nesse momento. Isso ameniza muito a nossa dor”, ressalta.
Para o diretor comercial do grupo Memorial, Marco Ricardo Africano, o projeto tem trazido bons resultados e várias pessoas têm enfrentado com mais facilidade o momento difícil da perda. “Existe aquela troca de sentimentos e sensações”, conclui.
Freud desperta carinho e alegria mesmo em dias mais díficieis  (Foto: Rafaella Mendes/G1)Freud desperta carinho e alegria, mesmo em dias mais difíceis (Foto: Rafaella Mendes/G1)
Fonte: O Globo

sábado, 4 de abril de 2015

A importância da transferência

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Utilidade pública

REVISTA PSIQUE, EDIÇÃO 109 - 2015.
Durante o processo de análise, para alcançar a cura do paciente, o psicanalista deve adotar uma postura voltada à escuta, à compreensão e à empatia. É necessário entender o sofrimento, experimentá-lo, senti-lo em si, sem se deixar afetar, para não ocorrer a contratransferência

Por Conrado Matos


Shutterstock
Quando Freud se deparou com o quadro clínico da sua paciente Elizabeth Von R., ele induzia e falava, excessivamente, durante as sessões, tentando envolver a paciente a sua maneira de pensar. Parecia que Freud desejava que a paciente alcançasse uma cura, por meio de uma dependência, procurando se livrar das suas angústias. Freud, nessa época, ainda estava preso ao método sugestivo da hipnose.
Se um psicanalista deseja curar um paciente, acredito que seu maior desejo é a escuta, a compreensão e a empatia. É entender o sofrimento, experimentá- -lo, senti-lo em si, sem se deixar afetar, para não ocorrer a contratransferência esmagadora. “O desejo do analista é sentir, em si, o que o outro esqueceu” ( J. D. Nasio). Sendo assim, para Násio: “Toda a nossa dificuldade de psicanalista depende do êxito dessa operação mental, sem deixar-se perturbar com as emoções dolorosas de outrem”. Esse desejo analítico é a busca da cura. O psicanalista descreve para o paciente a cena vivida, transmitindo os traumas vividos, certificando que a dor presente é um símbolo de uma dor passada. Portanto, o desejo do psicanalista é a cura, mas, por via de um saber significante para libertação do trauma do analisando. Essa cura não se desenrola pela dependência desejosa do analista, mas por uma via empática e de grandiosa compreensão.
Freud foi pessimista quanto ao tratamento psicanalítico em pacientes psicóticos ou fronteiriços. Ele dizia que narcisistas não obtinham uma relação com o objeto, simplesmente rejeitavam- no. Claro que Freud esteve certo nesse aspecto, pois alguns analisandos narcisistas costumam desprezar o objeto, ou o psicanalista, e se introjetar em si mesmo, num mergulho destrutivo, podendo romper, abruptamente, com a análise. Com isso, acabam dificultando uma possível transferência eficaz durante o tratamento.
É preciso que exista, por parte do analisando, a transferência para um bom percurso da análise, mas teve quem defendesse um processo terapêutico, chamado de aliança do trabalho, que pode ocorrer no início e durante as análises. Esse processo terapêutico de aliança do trabalho foi praticado, por meio da Psicanálise clássica, do psicanalista americano Ralph Greenson. Ele falou, em sua técnica psicanalítica, que essa aliança contribuiria para o desenvolvimento de uma transferência eficaz, deixando o analisando produtivo e comprometido com o trabalho analítico. Seria, mais ou menos, como um Rapport, um enquadre, uma espécie de aliança, relação positiva, ou seja, aliança terapêutica, que foi praticada por outros psicanalistas. Embora Greenson apresentasse, nessa técnica, um enquadre para que o analisando pudesse suportar frustrações, vergonha e situações repugnantes que partissem do insight analítico, vindo dos sentimentos do analisando.
Essa proposta de análise, Greenson defendeu em sua obra, A Técnica e a Prática da Psicanálise. Ele atendia muitos artistas americanos, nos Estados Unidos.
Conheceu a filha de Freud, Anna Freud, e foi o psicanalista da famosa artista Marilyn Monroe, que praticou suicídio no período da análise. O profissional foi chamado para dar alguns esclarecimentos sobre a trajetória conflitante da artista. Marilyn Monroe nasceu em 1 de junho de 1926, em Los Angeles, e morreu em 5 de agosto de 1962.
Freud foi pessimista quanto ao tratamento psicanalítico em pacientes psicóticos ou fronteiriços. Ele dizia que narcisistas não obtinham relação com o obj eto, simplesmente rejeitavam-no. De fato, alguns deles costumam desprezar o obj eto, ou o psicanalista, e se introjetar em si mesmo, num mergulho destrutivo
Bion, Winnicott, Melanie Klein, Segal e Rosenfeld não viram dificuldade em atender e tratar psicóticos (esquizofrênicos, bipolares, narcisistas) e perceberam que estes analisantes, portadores de patologias graves, seriam possíveis de transferência. No caso de Rosenfeld, o mesmo tratou de diversos pacientes com esquizofrenia aguda e crônica. Os psicanalistas kleinianos tiveram êxito diante desses pacientes. Isso, embora recorressem a diversas formas de relacionamento na clínica psicanalítica, como empatia, compreensão e acolhimento. Talvez a falta da frieza excessiva, defendida por Freud, quanto à postura neutra do analista, por não ser praticada pelos psicanalistas kleinianos, possibilitava uma sessão analítica mais empática e com menos distanciamento do analista, contribuindo, dessa forma, para uma relação de transferência mais produtiva e positiva por parte dos seus analisandos. Aproximando muito mais o analisando psicótico do analista, deixando- o mais confiante e acreditando no processo de cura.

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Síndrome do Pânico e Psicanálise.

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Não deixem de ler: Pânico e desamparo na atualidade- um olhar psicanalítico: http://www.scielo.br/pdf/agora/v8n2/a03v8n2


Síndrome do Pânico



O que é a síndrome do pânico? De onde ela vem? Como trata-la? São questões que muitos tem, inclusive aquelas pessoas que suspeitam serem portadoras da síndrome do pânico. Algumas possivelmente poderão ser enquadradas dentro desta síndrome, outras poderão ter um transtorno de ansiedade generalizada e outras quadros de depressão.

Como identificar? Recomendamos iniciar a pesquisa procurando um psiquiatra e posteriormente um psicólogo ou analista para dar início a psicoterapia concomitantemente ao tratamento medicamentoso.

Por síndrome diz-se todo conjunto de sinais e sintomas clínicos e laboratoriais que caracterizam determinada doença. Na síndrome do pânico o DSM-IV (livro de classificação das doenças) diz que para se caracterizar a síndrome do pânico o paciente deve apresentar simultaneamente pelo menos 04 dos seguintes sinais e sintomas: palpitação, sudorese, tremores ou abalos, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, náuseas ou desconforto abdominal, dor ou desconforto torácico (no peito), desrealização (sensações de irrealidade), despersonalização (estar distanciado de si), tontura ou vertigem, medo de perder o controle, medo de enlouquecer, medo de morrer, sensações de parestesia (adormecimento) ou formigamentos em extremidades ou membros, sensações de calor ou calafrios. Em geral eles iniciam sem aviso prévio e de forma súbita.

Devemos também diferenciar pânico de medo, fobia, ansiedade e angustia. Por medo define-se uma apreensão frente a um perigo real, externo e imediato. Por fobia uma apreensão frente a um perigo imediato, mas nem sempre real e externo. A ansiedade é uma sensação de que algo de ruim está para acontecer, sempre movido por um fato que ainda não ocorreu e trazendo um sofrimento individual antes mesmo do fato realmente ocorrer. A ansiedade nem sempre deve ser considerada uma doença, ela faz parte de nosso ser e está presente em muitas situações (véspera de provas, de uma entrevista de emprego, de uma declaração de amor, de uma palestra, etc.), podendo vir a ser considerada uma doença se sempre aparecer por qualquer motivo e trazer desconfortos por longos períodos de tempo. A angústia é um sentimento que ocorre caracterizado por sensações de aperto no peito, uma sensação de vazio interno, sendo originado quase sempre por um motivo impreciso e indefinido, normalmente não real e fazendo parte de nossos conflitos internos, de nossas fantasias e desejos inconscientes.

As causas da síndrome do pânico são individuais, não há como desejar reconhecer uma única causa para diagnosticar este problema. É preciso que o paciente fale para que o terapeuta possa lhe conhecer, bem como a seus problemas, seus conflitos, como e quando a doença ocorre, para que se possa criar possibilidades de terapia através dos insights, da busca pela mudança e da transformação individual, da resolução de seus eventuais conflitos inconscientes internos.

Aqui abordaremos dois tipos de terapia que podem ser usadas para os portadores de síndrome do pânico: a psicanálise e a hipnose.Tanto uma quanto a outra trabalharão com os conteúdos que o paciente verbaliza durante sua sessão. A verbalização livre fará com que comece a haver a concatenação de idéias, sentimentos, afetos, recordações até então livres e não conscientes, levando o paciente a perceber aos poucos a forma como ele percebe os eventos desencadeadores de sua doença e como ele as mantêm (cultiva). Desta percepção ele mesmo começará a elaborar novas possibilidades de evitar e contornar situações que gerem ansiedade e produzam posteriormente seu pânico. O que pode vir a dificultar certos casos serão os diversos mecanismos de defesa psíquicos que alguns pacientes podem criar para fugir de seus conflitos internos e de um possível sofrimento.

A análise ou a hipnoanálise levará o paciente a tornar consciente os motivos inconscientes que o levam a desencadear todo o processo de ansiedade, angústia e por fim pânico. Todavia, como foi dito acima, seja qual for a abordagem utilizada, recomendamos paciência na obtenção de resultados, pois o paciente lutará consigo mesmo, através das referidas defesas psíquicas que procuram evitar a dor e o sofrimento.

A hipnose pode em alguns casos facilitar o acesso ao conteúdo focal da ansiedade e em outros deve ser postergado seu uso até que o ego do paciente tenha apoio suficiente para elaborar o que quer que saia de sua memória inconsciente. Normalmente para se evitar riscos e sofrimento desnecessários, iniciamos comumente pela psicanálise clássica e o uso da hipnose virá caso haja a necessidade e a oportunidade de se acelerar o processo, caso contrário o paciente será orientado a continuar sua terapia de forma clássica até o fim. O maior risco envolvido no uso indevido da hipnose é desencadearmos no paciente uma crise depressiva desnecessária por falta de apoio egóico.

Quando recebemos pacientes com quadros de desesperança que indicam a possibilidade de desenvolverem facilmente uma depressão, a hipnose deve ser usada não para descobrir focos que desencadeiam o pânico, mas para resgatar lembranças boas, alegres e enriquecedoras que venham a fortalecer o ego e a auto-estima desta pessoa, para que se possa dar início posteriormente a busca pela causa original através da abordagem clássica (e não pela hipnose). Batendo sempre na tecla das boas recordações, fazemos aos poucos o paciente perceber que há algo de bom dentro dele e que ele pode se apoiar nesta sua parte para enfrentar a vida e seus problemas, que ele não se encontra totalmente desamparado como pensa estar.
 

quinta-feira, 14 de março de 2013

Cada criança deve superar o édipo para acessar a sexualidade adulta



Ideia fundamenta outras teorias essenciais da psicanálise

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da Livraria da Folha
Divulgação
Ideia fundamenta outras teorias essenciais da psicanálise
A ideia de "Édipo" empregada por Freud praticamente conquistou o status de gíria popular, sempre que alguém arranja um namorado(a) com algumas semelhanças inegáveis com os pais.
A brincadeira não está errada conceitualmente dizendo, mas quem se interessar em descobrir um pouco mais sobre a história desse importante fundamento da psicanálise, pode obter informações de maneira simples no livro "Édipo", escrito pela psicanalista Teresinha Costa para a coleção Passo-a-Passo, da Zahar.
"Freud afirmava a universalidade dos desejos edipianos, dizendo que cada criança deve realizar um caminho para superar o complexo de Édipo e ter acesso à sexualidade adulta", provoca a autora.
Em um texto bem equilibrado e conciso, a estudiosa mostra a influência do mito de Sófocles ("Édipo Rei") no pensamento de Freud, e apresentar as primeiras noções a respeito do desejo sexual infantil e seu desdobramento com outros pensadores, como Melanie Klein e Jacques Lacan.
"A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração" (1500-1520)
"A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração" (1500-1520)
"O que Freud demonstra é que o desenvolvimento da criança está marcado por uma sucessão de momentos em que ela erogeneiza diferentes áreas do corpo, denominados fases ou estádios do desenvolvimento sexual. Cada estádio implica um modo de relação com o objeto", explica a autora, se referindo às fases oral, anal, fálica e o período de latência, e que detalha uma a uma posteriormente.
O complexo de Édipo surge entre essas fases, e diz respeito ao amor egoísta da criança à mãe, mas que em meninos e meninas toma caminhos diferentes. A partir dessa pontuação, a psicanalista escreve sobre a formação da neurose e o medo simbólico e imaginário da castração dos meninos. O desenrolar desta última instância provoca a angústia da criança, que se vê pressionada a escolher entre o amor da mãe e o amor próprio.
No livro "Édipo", o leitor pode entender como ocorre e quais as consequências dessas escolhas para o desenvolvimento da sexualidade adulta.
*
"Édipo"
Autora:
Teresinha Costa
Editora:
Zahar
Páginas:
88
Quanto:
R$ 19,90 na Livraria Cultura e na Livraria Saraiva

Reportagem da folha de são paulo: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/904674-cada-crianca-deve-superar-o-edipo-para-acessar-a-sexualidade-adulta.shtml 


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segunda-feira, 11 de março de 2013

Entenda por que você deixa tudo para a última hora


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IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO
A coisa é tão ruim que até o nome é feio: procrastinação. O "palavrão" designa a ofensa que a pessoa faz a si mesma, mesmo sabendo que isso só a deixará mais vulnerável, sujeita a cometer mais erros, angustiada e exaurida.
"Troquei o 'deixa pra amanhã' pelo 'faça agora'"
"Sou o tipo que só consegue agir na urgência"
O impulso da procrastinação leva você a fazer qualquer coisa, mesmo sem graça, em vez daquilo que é mesmo necessário. Ou você nunca se pegou deletando o lixo do e-mail na hora em que deveria estar enviando um relatório?
ENROLATION
Em levantamento inédito, 33% dos profissionais brasileiros afirmaram gastar duas horas da jornada sem fazer nada de efetivo e 52% admitiram deixar atividades necessárias para a última hora.
Os índices da pesquisa feita por Christian Barbosa, especialista em gestão de tempo, são mais altos que os de pesquisas semelhantes nos EUA, no Reino Unido e na Austrália, onde enroladores crônicos são 20% da população economicamente ativa.
"Aqui, as pessoas se sentem poderosas deixando tudo para a última hora e não ficam culpadas por isso", diz a psicóloga Rachel Kerbauy, da Sociedade Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental, que pesquisou como brasileiros protelam exames e cuidados de saúde.
A culpa com a procrastinação pesa mais em sociedades influenciadas pelo luteranismo ou calvinismo, diz o professor de filosofia Mario Sergio Cortella, da PUC-SP. "A religião colocou o trabalho como elemento de salvação. Adiá-lo vira um vício."
Independentemente de aspectos culturais e morais, a procrastinação, além de não ajudar, atrapalha. E empurrar com a barriga não tira o problema da frente, só faz ele crescer nos pensamentos.
"A única coisa que se pode ganhar é culpa. A pessoa nem consegue fazer algo prazeroso em troca, porque não é uma escolha livre do uso do tempo", diz Cortella.
Na pesquisa, que incluiu 1.606 pessoas, as principais explicações para a enrolação foram falta de tempo, medo do fracasso e complexidade da tarefa a ser feita.
Mas, para a psicanalista Raquel Ajzenberg, da Sociedade Brasileira de Psicanálise, as causas do comportamento podem estar ligadas a dificuldades maiores.
AUTOBOICOTE
Um dos motivos é o que Freud chamou de "fracasso como êxito". É quando a pessoa, por motivos inconscientes, recua sempre que está perto de uma situação de sucesso. Os adiamentos crônicos são um autoboicote.
Acontece também com os perfeccionistas. Para eles, o medo de não conseguir fazer algo impecável paralisa a ação, e o planejamento excessivo para cumprir metas muito idealizadas os leva a adiar o trabalho constantemente.
"A pessoa tem uma coisa importante para fazer, mas fica cavando mais buracos, descobrindo problemas para resolver antes e não faz o que deve ser feito", diz Barbosa.
Ele diz que a maioria é treinada na infância a deixar tudo para a última hora, porque os pais agiam assim.
Culpa também do sistema educacional, vê Cortella. "O estudante daqui é viciado em provas feitas só com a memória. Se é para decorar, o mais fácil é só estudar na véspera."
Enquanto psicanalistas analisam as motivações inconscientes da procrastinação e filósofos se debruçam sobre seus aspectos éticos e morais, os economistas estudam o problema pensando na relação custo-benefício.
Até um prêmio Nobel de economia, o americano George Akerlof, tratou do assunto. Ele concluiu que as pessoas adiam porque os custos imediatos de fazer determinada tarefa parecem mais reais do que o preço de fazê-la no futuro.
"Você tem certeza de qual é o custo imediato, o desprazer do esforço, e tem certa miopia em relação aos benefícios futuros. Acredita que protelar é uma escolha racional, mas é um autoengano", diz o economista Paulo Furquim, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo.
SOB PRESSÃO
Essa ilusão de óptica ajuda a entender por que algumas pessoas embaçam até nas tarefas necessárias para fazer algo de que gostam.
Algumas pessoas também tentam fazer do adiamento uma tática de ação, porque só conseguem se motivar no sufoco da última hora.
Para Barbosa, isso é um padrão mental adquirido por força do hábito. "A pessoa treinou para produzir sob pressão. Se treinou, dá para destreinar e aprender um novo modelo de lidar com o tempo", afirma.

 Reportagem da folha de são paulo: http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/966952-entenda-por-que-voce-deixa-tudo-para-a-ultima-hora.shtml

Comentário Andréia Miglioranza Marin.
Só para lembrar, tudo isso também tem a ver com a fase anal do desenvolvimento, onde você segura, segura, segura e depois solta. Fase anal esta que não podemos esquecer seu caráter masoquista.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TOC

Comportamento compulsivo
Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece ao princípio do prazer: a pessoa reconhece os impulsos como seus e se lança a realizar o ato porque vai sentir prazer

Por Roberte Metring


Texto retirado da Revista Psique. Ed.82- 2012.


Imagem: Shutterstock

O impulso é uma percepção psíquica súbita de um desejo que impele o indivíduo à realização não planejada, de um ato que resulta no alívio da tensão ou uma satisfação prazerosa

Por acaso já se pegou puxando cabelos brancos do braço ou da cabeça para não delatar a idade? Já ruminou uma música por um tempo considerável, até que ela se tornasse chata em sua mente? Já voltou para ver se tinha mesmo fechado a porta da sua casa ou desligado a chama do fogão? Já brincou de colocar fogo em coisas quando era criança? Já apostou num inocente jogo de cartas de baralho com alguém? Já tentou se livrar de um pensamento que não o abandona? Já se viu praticando alguma mania como arrumar os óculos ou os cabelos várias vezes, mesmo sabendo que não era necessário, mas porque simplesmente parecia impossível controlar a vontade?
É bem possível que você tenha respondido sim a várias dessas perguntas. Calma! Isso não significa que você sofre de comportamento compulsivo ou transtorno de controle do impulso (TCI).
● Oneomania ●
(comprador compulsivo): do grego onéo, que significa comprar, a pessoa apresenta um excesso de preocupações e desejos relacionados com uma necessidade incontrolável de comprar e gasta mais do que pode, e/ou com coisas desnecessárias, ou seja, uma mania de comprar ou de gerar ônus. Essas preocupações perturbam o cotidiano do sujeito, pois consomem tempo significante e interferem no funcionamento social e laboral, resultando quase sempre em maiores problemas financeiros. Prevalência alta em mulheres (80% a 95% versus 5% a 20% em homens), sem distinção de escolaridade ou classe social.
A princípio, e de forma geral, um comportamento compulsivo (ou TCI) é classificado como uma falha da pessoa no controle de seus impulsos. Por isso, mesmo que você tenha respondido com vários sins às questões acima, se isso está totalmente controlado, você sabe o que está fazendo, não lhe causa problemas sociais, profissionais, relacionais, matrimoniais, financeiros etc., você não está sob efeito da compulsividade.
Atente ao fato de todo comportamento normal poder deslizar para um comportamento compulsivo, porém nenhum comportamento compulsivo é normal, a não ser entre aqueles que estão no mesmo contexto, no mesmo tipo de comportamento, que devem achar pouco normal viver uma vida sem muitos problemas de compulsividade.Pesquisas indicam que o comportamento compulsivo, de forma geral, se apresenta associado a transtornos de humor e de ansiedade. Também existem pesquisas que indicam o TCI como uma forma de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), embora não haja concordância plena sobre isso, já que no TOC os sintomas costumam provocar a ansiedade, gerando algum tipo de sofrimento para o indivíduo na execução do ato, que normalmente ele desejaria evitar mas que não consegue por ser a única forma encontrada para aliviar a tensão, a angústia e a ansiedade. Esse comportamento realizado no TOC é gerado por uma questão obsessiva, intrusiva, que é perfeitamente questionável pela pessoa, embora não controlável, portanto, considerado egodistônico - aquilo que não é dela, que vem de fora.
Um comportamento compulsivo (ou TCI) é classificado como falha da pessoa no controle de seus impulsos
Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece a outro princípio, o princípio do prazer. A pessoa não questiona se os impulsos são seus, ela os reconhece como seus - uma questão egosintônica - e se lança a realizar o ato porque vai sentir prazer naquilo e portanto para essa pessoa é fácil criar explicações para seus pensamentos ou comportamentos, mesmo que eles sejam nada adaptativos ao meio ou à sua posição. Essa pessoa não deseja neutralizar nada, deseja é sentir prazer realizando aquele ato.

Sintomas do TCI
Segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição),a característica mais evidente do TCI é o fracasso da pessoa em resistir à tentação de praticar algum ato, seja de forma premeditada/planejada ou não.
Nos momentos anteriores ao ato há uma crescente sensação de tensão ou excitação e, durante a realização dele, uma experiência de prazer, gratificação ou alívio.
Após a realização do ato não é raro que sobrevenha o arrependimento, a autorrecriminação ou a culpa, porém não é condição imperiosa que esses sentimentos ocorram, podendo mesmo não ocorrer, e se ocorrem não impedem a pessoa de realizar tudo novamente, pelo prazer que sente com o comportamento.
Impulso, obsessão, compulsão
Por impulso, nos referimos à percepção psíquica súbita de um desejo que se energiza impelindo o indivíduo à realização urgente e experimental, não planejada, de um ato ou comportamento que deve ter, como resultado, o alívio da tensão ou uma satisfação prazerosa. Em condições normais é isso o que ocorre, e o aparelho psíquico, agora aliviado da tensão, de uma forma ajustada, está pronto para a geração de outro ato ou comportamento de acordo com as necessidades e circunstâncias de vida do indivíduo.
Pesquisas indicam que o comportamento compulsivo, de forma geral, se apresenta associado a transtornos do humor e de ansiedade
Porém, nem sempre é assim que as coisas acontecem. Por vezes, o processo foge do controle e os impulsos começam a se tornar irrefreados como se ganhassem vida própria. Inicia-se uma sequência descontrolada e desenfreada do par impulso-ação que se retroalimenta sem um fim em si mesmo, conduzindo ao que passamos a chamar de comportamento compulsivo.

Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece a outro princípio, o princípio do prazer
Na compulsão, o indivíduo é levado a praticar um ato por um impulso interno muito poderoso. A não realização do ato traz sentimento de angústia e aumento da pressão psíquica, que podem se tornar intoleráveis e desestruturantes do próprio psiquismo

● Automutilação ●
A agressão ao próprio corpo é intencional, sem no entanto desejar conscientemente chegar ao suicídio, com o uso de técnicas de baixa letalidade: cortar a pele (70%), bater em si mesmo (40%) e queimar-se de alguma forma (entre 15% e 35%). Estudos identificaram que pessoas abusadas emocional, física ou sexualmente na infância, que sofreram bulling na adolescência, que apresentam sintomas depressivos, ansiedade, impulsividade e baixa autoestima, que já tenham apresentado ideação ou tentativa de suicídio estão entre os que desenvolvem esse comportamento compulsivo.
Mas pode também ocorrer o contrário.
Essa sequência impulso-ação, por motivos vários, pode começar a interagir com mecanismos psíquicos de controle - os mecanismos de defesa do Ego. Esses mecanismos têm o objetivo de proteger o aparelho psíquico do sofrimento, da aflição ou da descompensação. Essa nova associação não consegue impedir a geração do impulso, já que o desejo emerge de camadas menos conscientes do aparelho psíquico, mas consegue impedir que seja gerado o ato ou o comportamento que aliviaria a tensão. Nesse caso não teremos como resultado um comportamento compulsivo, como no anterior, mas sim outros quadros neuróticos, como por exemplo as fobias, que delatam ao mesmo tempo o desejo e o medo de realizar alguma coisa, portanto para não cometer o proibido é melhor se afastar do lugar, da situação, das pessoas que possam eliciar esse ato.Obsessões referem-se a ideias, imagens, impulsos ou pensamentos intrusivos e repetitivos, indesejados e exagerados, que produzem ansiedade e desconforto para o indivíduo. A obsessão tem caráter egodistônico, e apesar de reconhecida como indesejável, a pessoa não consegue exercer controle sobre sua presença. A única forma de controle é gerar um comportamento que alivie a tensão, porém o próprio comportamento acaba por gerar ainda mais angústia e ansiedade, já que a pessoa reconhece que não deveria estar fazendo aquilo, que não é do seu desejo, ativando um circuito de retroalimentação que se torna, então, incontrolável pela pessoa, a não ser que se submeta a tratamento, normalmente psicológico e psiquiátrico. A obsessão é característica do TOC, tem classificação própria para diagnóstico, então não é estudada como um TCI.
A obsessão tem caráter egodistônico, e apesar de reconhecida como indesejável, a pessoa não consegue exercer controle sobre sua presença
O compulsivo, após a realização do ato, pode ficar ou não arrependido, mas, independentemente disso, nenhum sentimento o impedirá de realizar tudo novamente, pelo prazer que sente com o comportamento
Compulsão, etimologicamente, tem origem latina - compulsione, compellere - que significa compelir, constranger, forçar, obrigar. No vocabulário freudiano, compulsão refere-se a uma força interna que impera no indivíduo, compelindo-o a realizar frequentemente uma ação, produzir um pensamento, ou mesmo gerar uma operação defensiva, ou tudo isso junto. Clinicamente, compulsão refere-se a uma conduta - um ato, uma ação, um comportamento ou um pensamento - que o indivíduo é levado a praticar por um impulso interno muito poderoso, ou uma obsessão, dos quais perde o controle, já que a não realização do ato traz sentimento de angústia e aumento da pressão psíquica, que podem se tornar intoleráveis e desestruturantes do próprio psiquismo.
Quando o indivíduo cede à compulsão surge o comportamento compulsivo, uma forma de aliviar tensões psíquicas, que se torna viciada e descontrolada. Lembremo-nos que a diferença entre o TOC e o TCI se constitui basicamente no fato de o comportamento compulsivo no TOC ter origem egodistônica, ser ritualizado, visar a redução da ansiedade do sofrimento. No TCI, a origem é egosintônica e normalmente gera sensação de prazer ou satisfação na sua realização.
São exemplos de comportamento compulsivo, classificados no DSM-IV e na CID-10 (Classi cação Internacional de Doenças): transtorno explosivo intermitente, cleptomania, piromania, jogo patológico, tricotilomania (arrancar os de cabelo ou pelos do corpo), dermatotilexomania (causar lesões na própria pele), oneomania (comprar compulsivo), compulsão sexual, compulsão pela internet, amor patológico, entre outros.
Formas de tratamento
Há duas formas de tratamento possíveis para os casos de comportamento compulsivo: acompanhamento psicoterapêutico e acompanhamento psiquiátrico.
Compulsão tem origem latina - compulsione, compellere - que significa compelir, constranger, forçar, obrigar
A pessoa que apresenta um excesso de preocupações e desejos relacionados com necessidade incontrolável de comprar e gasta mais do que pode e/ou com coisas desnecessárias também sofre de um comportamento compulsivo
O acompanhamento psicoterapêutico vai trabalhar com a revisão e clarificação dos conteúdos subjetivos presentes nas manifestações compulsivas do comportamento. O psicólogo é o profissional que vai conduzir um processo, com base científica comprovada, para levar o paciente a compreender as causas do seu comportamento ou sofrimento, ajudando a encontrar formas de superá-los.
Todas as linhas psicoterapêuticas produzem resultados, mais efetivos e rápidos quando há empatia entre paciente e terapeuta, quando o paciente sinte-se à vontade para trabalhar suas questões utilizando os métodos e técnicas da linha escolhida. O paciente pode optar por atendimento individual ou em grupo.


 Fonte: http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/Edicoes/82/artigo271877-1.asp