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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Hora Lúdica e a Resistência


A resistência é um conceito fundamental para a psicanálise. Encontra-se presente em quase todos os textos freudianos, e atravessa todo o processo de análise. Está implicada numa série de fenômenos relacionados aos conflitos intrapsíquicos, mas também aos que dizem respeito à relação intersubjetiva.
A palavra “resistência” apresenta diversos significados. Contudo, na psicanálise, esta palavra toma um sentido singular e bem difundido, merecendo o status de um importante conceito central. Numa síntese das definições, podemos dizer que o conceito de resistência na psicanálise, segundo Roudinesco e Plon (1998, apud Mattos, s.d.) designa: "o conjunto das reações de um analisando cujas manifestações, no contexto do tratamento, criam obstáculos ao desenrolar da análise" e segundo Laplanche e Pontalis (1998, apud Mattos, s.d.): "tudo o que, nos atos e palavras do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente"
Alguns aspectos de uma resistência podem ser conscientes e outra parte fundamental é realizada pelo ego inconsciente. As resistências são repetições das produções defensivas realizadas pelo paciente em sua vida. As diversificações dos fenômenos psíquicos podem ser  objetivados na resistência, mas, qualquer que seja sua fonte, a resistência age através do ego do paciente.
De acordo com Paniago (2008) a Resistência é um mecanismo inconsciente ligado à parte do eu regida pelo princípio de realidade, que procura saídas contra a invasão dos elementos indesejáveis provenientes do próprio inconsciente e dos conteúdos recalcados. Quanto mais pressionado o eu se encontra, mais fortemente se apega a resistência.
A resistência representa uma atitude de oposição do paciente às descobertas do analista aos seus desejos inconscientes. Representa tudo aquilo que atrapalha o trabalho terapêutico e funciona como obstáculo a elucidação dos sintomas e a evolução do tratamento (OLIVEIRA, 2004).

Fonte: http://psicologado.com/abordagens/psicanalise/a-resistencia-na-obra-de-freud


segunda-feira, 24 de junho de 2013

FORMAÇÃO DE COMPROMISSO






Freud chamou o sintoma de formação de compromisso, compromisso que a pessoa elabora entre sua problemática inconsciente e suas defesas, ele é o retorno do que foi reprimido. E se o sintoma faz o sujeito sofrer, porque ele ten dificuldade de renunciar a isso? Ora, porque ele é uma solução de compromisso que se inscreveu no processo de construção do sujeito. É como se fosse a marca que o identifica, sua assinatura.
Sendo assim, é difícil que alguém abra mão disso, "sob pena de se separar de uma parte dele mesmo".

Fonte: Andreneide Dantas. Facebook: Reflexões da Psicanálise.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

Sonhos.


Por Izabel Miossi.


 "O sonho é a estrada real que nos conduz ao inconsciente" 
                                   Sigmund Freud.
  
Quem nunca teve curiosidade sobre o significado e a origem dos sonhos? É muito comum vermos pessoas tentando encontrar as respostas dessas questões em revistas, crenças antigas e superstições, porém, muitas respostas são falsas e acabam sendo levadas em conta pelo simples fato de as vezes serem o suficiente para acalmar momentaneamente a angustia inexplicável que pode permanecer em nós após o despertar.

Um pouco sobre os sonhos e suas origens na visão freudiana:

Para Freud (1900) os sonhos estão necessariamente ligados as nossas experiências do dia-a-dia, são elas que disponibilizam o "material básico" para o desenvolvimento dos sonhos. Eles são como uma espécie de lembranças ou/e reproduções de nossas experiências diárias, porém, estão longe de ser apenas isso. Toda essa lembrança ou reprodução acontece de forma inconsciente, por isso tendemos a não reconhecer os conteúdos presentes nos sonhos.

O Esquecimento nos Sonhos.

Possuímos um mecanismo psíquico de defesa que foi denominado por Freud de resistência, ele é responsável por manter no inconsciente, os conteúdos que são intoleráveis pelo ego.                                                                           
Quando dormimos a resistência perde parte de sua força, o que possibilita a realização de diversos desejos através dos sonhos. É muito comum, porém, ao acordar conseguirmos lembrar apenas de fragmentos do que sonhamos, ou até mesmo esquecermos totalmente do sonho. Algumas vezes acordamos com a impressão de que sabemos que sonhamos, porém perdemos completamente a lembrança de com o que.                                                                                    
Com o nosso despertar a resistência recupera suas forças e tende, na maioria das vezes a recalcar automaticamente o sonho devido a sua forte ligação com algum desejo.                                                                                                              
Quando sonhamos e ao contrário do que foi dito até aqui, ainda conseguimos recordar, não significa que o sonho deixe de ser a realização de um desejo, na verdade todo sonho é a realização de um e qualquer tipo de desejo é retratado nos sonhos e alguns deles podem ser aceitos pelo ego e assim o trabalho da resistência diminui, não havendo a necessidade do recalque.

A distorção dos conteúdos nos sonhos.

Os desejos podem ser retratados em sonhos de forma distorcida, tendo suas imagens uma forma diferente da original, um exemplo disso é sonhar com uma pessoa conhecida com características de outra, como o cabelo, o nariz, os olhos etc.                                                                                                                              
Esse processo pode ser chamado também de condensação, onde o conteúdo do sonho foge de sua forma exata e se mistura com outras, fazendo com que muitas vezes, os sonhos pareçam sem significado. Esse é um mecanismo inconsciente que pode ajudar a manter o sonho na consciência após o despertar, pois o desejo aqui pode ser disfarçado, quase invalidando o sonho.                                   
Nos sonhos existem dois tipos de linguagens: A Manifesta, que se trata do que esta sendo demonstrado em sonhos. E a Latente, que simboliza o que está por trás, o sentido, do que se reproduz nos sonhos. Ao se tentar interpretar os sonhos é a segunda linguagem que buscamos trazer à tona e para isso, utilizamos para consegui o acesso a ela a tentativa da analise simbólica da primeira junto ao paciente.

Ou seja...

Todo sonho é um material psíquico e representam a realização de desejos tomando o lugar de uma ação desejada, porém não aceita em nossas experiências diárias. O sonho é dito por Freud como um processo inconsciente de pensamento, e no momento do sono, com a diminuição da resistência permite que entremos em contato com nossos desejos mais profundos até mesmo de forma distorcida.                                                                                                    
Recalcar os sonhos é uma maneira inconsciente de evitar um conflito que pode ser gerado entre as Instancias Psíquicas, Id, Ego e Superego. Em processo de terapia os sonhos são um material essencial para se trabalhar e reconhecer, na hora mais apropriada e com a ajuda do terapeuta, os desejos mais guardados que cada um traz em si e até mesmo a raiz de certos conflitos que são inerentes a todos, embora cada um tenha sua forma singular e simbólica de se representar.

“(...) Eu sou a soma de tudo o que vejo e minha casa é um espelho, onde a noite eu me deito e sonho com as coisas mais loucas, sem saber por que. É porque trago tudo de fora, violência, dúvida, dinheiro e fé. Trago a imagem de todas as ruas por onde passo e de alguém que nem sei quem é, e que provavelmente eu não vou mais ver, mas mesmo assim ela sorriu para mim ela sorriu e ficou na minha casa que é meu reino.”                                           
 Meu Reino – Biquíni Cavadão


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sábado, 6 de agosto de 2011

MECANISMOS DE DEFESA



Os mecanismos de defesa são os diversos tipos de processos psíquicos, cuja finalidade consiste em afastar um evento gerador de angústia da percepão consciente. Os mecanismos de defesa são funções do Ego e, por definição inconscientes.

Os principais mecanismos de defesa são:

Repressão: Impede que pensamentos dolorosos ou perigosos cheguem à consciência. É o principal mecanismo de defesa, do qual derivam os demais.

Divisão ou cisão: Um objeto ou imagem com o qual nos relacionamos pode ser simultaneamente características que despertam nosso amor e o nosso ódio ou temor.

Projeção: Quando nos sentimos maus, ou quando um evento doloroso é de nossa responsabilidade, tendemos a projetá-lo no mundo externo, qua ao nosso ver assumirá as características daquilo que não podemos ver em nós. O extremo do funcionamento por mecanismos projetivos é a paranóia, pois a pessoa passa a ver todo mundo como persseguidor. Racionalização: Abstraímo-nos das vivências afetivas e, em cima de premissas lógicas, tentamos justificar nossas atitudes. Com isto tentamos nos provar que somos merecedores do reconhecimento dos outros. A racionalização é um mecanismo típico do neurótico obsessivo.

Formação reativa: Caracteriza-se por uma atitude ou um hábito psicológico com sentido oposto ao desejo recalcado. - Identificação: diante de sentimentos de inadequação, o sujeito internaliza características de alguém valorizado, passando a sentir-se como ele. A identificação é um processo necessário no início da vida, quando a criança está assimilando o mundo.

Regressão: É voltar a níveis anteriores de desenvolvimento, que em geral se caracteriza por respostas menos maduras, diante de uma frustração evolutiva. Se o adultismo pode provocar frustações, volta a um modelo infantil onde se sentia mais feliz.

Isolamento: Consiste em isolarmos um pensamento, atitude ou comportamento, das conexões que teria com o resto da elaboração mental. O comportamento assim isolado passa a não ameaçar, porque está separado e não mais conectado aos desejos iniciais.

Deslocamento: Através dele, descarregamos sentimentos acumulados, em geral sentimentos agressivos, em pessoas ou objetos menos perigosos. Todos os sintomas psiconeuróticos acabam tendo a participação do deslocamento.

Sublimação: É considerado o mecanismo de defesa mais evoluído e é característico do indivíduo normal.

sábado, 16 de julho de 2011

Sessão psicanalítica simulada, como uma tentativa de ilustração da psicanálise como técnica terapêutica: com explicações e termos técnicos em parêntes



Um homem de 37 anos , profissional liberal, procura um psicanalista por não ter boas relações com seus colegas, problemas com a esposa e filhos com os quais briga por motivos insignificantes e ultimamente sente que não consegue concentrar-se no trabalho o que por momentos o preocupa intensamente. Já leva 7 meses de análise, três vezes por semana.

Entra na sala de consulta, estende a mão e cumprimenta como de costume, rapidamente deita no divã e diz: " Doutor , o senhor parece cansado , e não muito bem humorado" (projeção). Tive um sonho em que eu me via velho, bem velho, e pensei que a morte estava quase por aí".

Terapeuta: É , ... e o senhor acha que sou eu quem está cansado e mal humorado...cada vez que reaparecem seus sentimentos de frustração vê a todo o mundo desse jeito, me incluindo nessa sua visão do mundo (interpretação da transferência).

Paciente: Bem , é verdade, (irritado) mas será que o senhor não pode estar nem cansado nem mal-humorado? (transferência negativa e resistência).

T.: Está se perguntando se eu, tão velho como seu pai, poderei realmente ajudá-lo?

P.: O senhor sabe que não é tão velho assim. (a transferência muda para um aspecto mais positivo e se corrige o vínculo), e agora vem aí outra vez meu pai, que era um verdadeiro carrasco, não consigo esquecer (regressão).

T.: Agora o carrasco sou eu (assume o papel paterno infantil) que o incomoda com o que falo.

P.: E que o senhor me leva a lembrar coisas que já tinha esquecido (estão no inconsciente) e que quero manter esquecidas (repressão) ainda que na verdade vejo alguns de meus colegas como inimigos (deslocamento), apesar de que começo a ver que não é bem assim (elaboração e mutação objetal).

T.: Parece que virei um pai menos severo e que pode ajudar (o analista está satisfeito com a evolução da sessão, e interpreta usando sua contratransferência positiva).

P.: Me pergunto se meu pai era realmente tão ruim (nova mutação objetal interna , ainda dentro da regressão). Gostaria sim de mudar meu comportamento com a minha família (procura usar outros mecanismos de defesa , menos conflitivos e mais livres da pressão do seu Superego).

Esta sessão simulada dificilmente poderia acontecer. Se trata de um brevíssimo exemplo para ilustrar, resumidamente, alguns dos elementos do texto deste trabalho, eminentemente simples com propósitos de divulgação.
Se faz aqui necessário destacar que a psicanálise é muito mais do que o aqui escrito.
Por , Maurício Knobel - Professor Emérito da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, Campinas-S.P.

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Projeção. Por Andréia Miglioranza Marin.





Por Andréia Miglioranza Marin.

Projeção é um mecanismo de defesa onde aspectos pessoais são atribuídos a outra pessoa, coisa ou animal; aspectos como: pensamentos, sentimentos, emoções. Esse mecanismo é muito ultilizados por todos, estamos sempre projetando algo em alguém. Na projeção o indivíduo retira de si mesmo e põem no outro coisas que recusa em si, coisas intoleráveis ou inaceitáveis.
As 'coisas intoleráveis' são reprimidas, ou seja, mandadas para o inconsciente, e projetadas em outra pessoa. A projeção muitas vezes é um mecanismo saudável, pois através dela expressa-se conteúdos inconscientes aliviando então alguma angústia produzida por este conteúdo.

Exemplos: Culpamos muitas vezes outras pessoas por coisas acometidas por nós. Como um fracasso por exemplo, sendo assim, a consciência fica livre de assumir a culpa.
Outro explo típico: Culpar o namorado por olhar para uma mulher bonita ou vice-versa, na realidade, talvez ele nem a tenha visto e culpa-se o outro por seu próprio contúdo.

A projeção patológica por exemplo pode ser exemplificada no caso de uma psicose paranóica, onde o sujeito pega algo intolerável de si, projeta no outro e esse conteúdo retorna para si mesmo por meio do exterior (como uma alucinação por exemplo) sob a forma de perseguição ou recriminação.

Sugiro a leitura de um texto muito bom chamado: Desvendando o mecanismo da projeção.
Escrito por Ana Lucia Barreto da Fonsêca.
Clique aqui para ler o texto!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

MECANISMOS DE DEFESA




Texto retirado do site do Dr. Leon, porém o adaptei.

MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE PELA HARMONIA.

O ego adulto necessita de uma espécie de harmonia entre as pulsões e assim surgem conflitos entre tendências opostas como homossexualidade e heterossexualidade, passividade e atividade. Uma das duas tendências opostas será rechaçada e a outra admitida ou poderá chegar a um compromisso entre as duas.

DEFESAS BEM SUCEDIDAS E DEFESAS INEFICAZES.

Existe defesa bem sucedida, aquela que provoca a cessação da pulsão ou afeto rejeitado. Há também defesas ineficazes, aquelas que não atingem o resultado procurado e precisam ser repedidas ou mantidas indefinidamente. A esta categoria pertencem as defesas patogênicas. Isso acontece quando o impulso rechaçado não encontra descarga, permanece no inconsciente e produz estado de tensão com possibilidade de irrupção. Trata-se de conflito neurótico.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Ego e os Mecanismos de Defesa


Texto retirado do site do Dr. Leon, porém o adaptei.

TEORIA DOS MECANISMOS DE DEFESA CONTRA AS PULSÕES.

Na relação entre o ID e o ego, este percebe as pulsões como um perigo do qual deve se defender. O ID obedecendo ao princípio do prazer procura a satisfação imediata no alívio da tensão instintiva, alívio que é fonte do prazer. O ego, em contato com o mundo externo obedece ao princípio da realidade e é capaz de retardar a satisfação e o prazer.

Nessa luta contra as pulsões, o ego procura sempre um termo de negociação com os afetos. “Amor, nostalgia, ciúme, mortificação, dor e pesar acompanham os desejos sexuais, ódio, cólera e furor nos impulsos de agressão; se quisermos que as exigências pulsionais a que estão associados sejam evitadas, esses afetos devem submeter-se a todas as várias medidas a que o ego recorre, em seus esforços para dominá-las, isto é, devem sofrer metamorfoses”.

Os mecanismos de defesa apresentam um grande interesse para a análise. Onde seja que eles apareçam, eles indicam uma ação do ego e temos assim possibilidade de estudá-lo. Sem a intervenção do ego, todas as pulsões teriam gratificação.

Os trabalhos teóricos de psicanálise descrevem os métodos seguintes de defesa do ego:

· Sublimação

· Negação

· Projeção

· Intromissão

· Repressão

· Formação Reativa

· Anulação

· Isolamento

· Regressão

segunda-feira, 13 de junho de 2011

MECANISMO DE DEFESA E ANSIEDADE DO SUPEREGO NAS NEUROSES DE ADULTOS.




TEXTO RETIDADO DO SITE DO PSICANALISTA DR. LEON

MECANISMO DE DEFESA E ANSIEDADE DO SUPEREGO NAS NEUROSES DE ADULTOS.

Nas neuroses de adultos a ordem de considerar perigoso o impulso instintivo vem do superego que proíbe sua satisfação. O motivo que instiga à defesa não parte do ego. O ego teme de ter problemas com o superego e reprime o impulso e cria o conflito neurótico. É este conflito neurótico que poderá criar uma descarga indesejável em momento de enfraquecimento do ego e assim dar origem a sintomas histéricos.

O superego é responsável de todas as neuroses. É ele que cria a ansiedade que provocará a neurose. É ele que impede ao ego uma negociação pacífica com o ID e o entendimento com os instintos. É o superego que exige um mínimo de renuncia sexual declarando o sexo perigoso. É também o superego que proíbe a agressão como sendo anti-social ou incompatível com a saúde mental. O ego é o executor dos desejos do superego e assim se torna hostil aos instintos.

Sendo o superego o responsável das neuroses do adulto, a educação da criança deve evitar a criação de um superego todo poderoso. A criança deve encontrar saída para sua agressividade para o mundo exterior e evitar dirigi-la totalmente para dentro o que acabaria formando uma personalidade cruel. A educação deve mostrar as fraquezas dos pais e alguma tolerância ante os instintos.

1.2 MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE OBJETIVA NA NEUROSE INFANTIL.

Na criança, o superego não é um fator indispensável de formação de neurose. O superego aparece mais tarde. O ego infantil teme os instintos porque teme o mundo exterior, teme o castigo dos pais. Assim sua defesa é motivada pela ansiedade objetiva.

A ansiedade objetiva faz que o ego infantil desenvolva fobias, neuroses obsessivas, sintomas histéricos como no adulto acontece com a ansiedade do superego. Assim no adulto como na criança é a ansiedade que desencadeia a defesa e o processo neurótico.

A diminuição do medo do castigo na criança poderia realizar uma educação com menos ansiedade objetiva, mais tolerância ante os instintos e, portanto removendo uma grande parte da neurose infantil.

1.3 MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE INSTINTIVA.

Mas mesmo se o ego da criança não temesse o castigo e, portanto estivesse livre da ansiedade objetivo, mesmo se o ego do adulto não sofresse o domínio do superego e ficasse livre da sua ansiedade, se as exigências dos impulsos instintivos se tornam excessivos a hostilidade do ego se intensifica até atingir a ansiedade e a criação de mecanismos de defesa contra os instintos.

Otto Fenichel (2) fala de nojo e vergonha como motivo de defesa. Trata-se de defesa contra ansiedade instintiva.

“O precursor do nojo é uma síndrome arcaica de defesa fisiológica, a qual se produz automaticamente assim que alguma coisa repulsiva alcança o trato digestivo. O primeiro juízo negativo que o pré-ego do bebê faz é:” Isto não é comestível “, o que significa” Devo cuspir isto ““.

“O ego reforçado aprende a usar este reflexo para os seus fins e transforma-o em defesa; primeiro em expressão de negação em geral; depois, em defesa contra certos impulsos sexuais, particularmente orais e anais; o que por sua vez é sinal” Se não desistires desta exigência, terás de cuspir e vomitar ““.

“Há” ataques de nojo “neuróticos que correspondem ao” pânico “da angústia; ataques nos quais o ego, devido a bloqueios anteriores, fica completamente esmagado pelo afeto que se pretendia destinado a fins defensivos”.

“A” vergonha “como motivo de defesa dirige-se, principalmente, contra o exibicionismo e o escoptofilia... como reflexo fisiológico primitivo. A vergonha também se relaciona em muitos aspectos com o sentimento de culpa:” vergonha de si mesmo “. (2)”.

A ansiedade instintiva, a ansiedade objetiva, a ansiedade do superego têm todas o mesmo efeito em relação à instalação dos mecanismos de defesa, a instalação do conflito neurótico e a aparição do processo neurótico.