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domingo, 30 de junho de 2013

Obesidade e psicanálise. Parte 1

Ensaio sobre a obesidade
O corpo do obeso é lugar de gozo e de pulsações que geram atos psíquicos repetitivos. Ele é ainda mais complexo, é um corpo pesado pelo psíquico, pela biologia e pela pressão do social

Por Eduardo Lucas Andrade e João Antônio Fernandes



 
O corpo representa o inconsciente e a partir dele satisfazermos as necessidades e exigências pulsionais
O corpo que é incomodado pela pulsão, muitas vezes demanda análise. O corpo é campo concreto para aquisição de sintomas, adesão de mal-estares, investimento de energias psíquicas e representações de ideias inconscientes. O corpo é a fala na carne. Ele tem desmedido peso na teoria psicanalítica e em sua clínica.
Na contemporaneidade, estamos vivendo a cultura dos avanços desenfreados, e com ela surgem novas aplicações do corpo e sobre o corpo, acompanhando (re)edições de sintomas e manifestações psíquicas. A noção de corpo acompanha a teoria psicanalítica desde os seus primórdios. Antes mesmo de Freud denominá-la de Psicanálise, está lá, registrada no "Projeto Para uma Psicologia Científica", de 1895. Aliás, podemos dizer que foi o corpo que ligou Freud à Psicanálise. O corpo histérico manifestando enigmas obscuros do inconsciente, até então desconhecido pela Ciência. Ainda nessa lógica, o corpo foi o que impulsionou Freud a desvendar a obscuridade humana e a se encontrar com o psíquico. Do corpo histérico, como estimulante, ao corpo de Freud, impulsionado pelo Desejo, nascem os primeiros passos que o levariam à descoberta do inconsciente e à fundação da Psicanálise.
De lá para cá esse corpo sofreu desmedidas variações em suas manifestações de linguagens psíquicas nas suas motilidades pulsionais. Do corpo histérico enveredamos ao corpo da psicossomática, da anoréxica, da bulímica, ainda o da "nova" configuração histérica, além do corpo erógeno e do narcísico. Temos ainda o complexo corpo do obeso que inflinge padrões sociais de nossa época, deixando esse corpo como estranho e tendendo-o o social à excluí-lo.

Na Psicanálise, o obeso deverá elaborar o peso que sua condição pulsional lhe colocou em parceria com o Desejo e o corpo

Ao longo do tempo, o corpo sofreu desmedidas variações em suas manifestações de linguagens psíquicas nas suas motilidades pulsionais: do corpo histérico enveredamos ao corpo da psicossomática, da anoréxica e da bulímica
Assim como o da histeria, o corpo do obeso é um corpo estendido como lugar. O corpo do obeso é lugar de gozo e de pulsações que geram atos psíquicos repetitivos. O corpo do obeso é ainda mais complexo, é um corpo pesado pelo psíquico, pela Biologia e pela pressão do social; é um corpo que pesa na sua estreita relação com o Desejo, enfatizando sobre máscaras do prazer drásticas consequências tanto na vivência quanto na sobrevivência. É um corpo que sofre o verdadeiro peso do mal estar da civilização estampado em seu real na carne. Um corpo que se afastou do Desejo e se tornou problema social singular. Mais da metade dos brasileiros está acima do peso, a isto, chamamos de sobrepeso, obeso é um complexo ainda maior. Entenderemos o obeso como um sobrepeso que vai além, conforme veremos.
O corpo representa o inconsciente, assim como o corpo deste escrito representa minhas ideias. O corpo é nossa ferramenta para moposdificar o mundo externo e a partir dele satisfazermos as necessidades e exigências pulsionais. Será assim também o corpo do obeso? De certo a pulsão coloca o corpo em movimento, promove a escolha e incomoda-nos em nossa inquietante busca. Já o obeso encontra dificuldades nessas articulações pulsionais e libidinosas, volta-se a si o peso das relações com o mundo. Peso este que leva-o muitas vezes à clínica psicanalítica, já que se foge do mundo externo deparando-se consigo mesmo - e de nós mesmos é impossível fugirmos. A Psicanálise pode possibilitar ao sujeito obeso o nascimento de uma leveza de ser, por meio do (re)encontro com o Desejo e com suas pulsões credenciadas, que jazem ancoradas ao corpo.
Na Psicanálise, o obeso deverá elaborar o peso que sua condição pulsional lhe colocou em parceria com o Desejo e o corpo, restando sempre a pergunta: o que será que pesa mais, o corpo de um obeso sobre a balança ou seus conflitos psíquicos sobre o corpo?

Neurobiologia, fase oral e obesidade
O descontrole na quantidade de alimentos ingeridos, em paralelo com a falta de disciplina nos horários observados para o efeito, nos faz regressar ao estudo e investigação da fase oral, em que o peito da mãe lhe era oferecido ao ser observada a mais leve irritação. Associada a esta relação, suspeitamos que a excessiva intimidade corporal do bebê com a pele da mãe possa ocasionar nele uma excessiva erotização.
No primeiro caso, o aspecto da disciplina, e de ser contemplado com o estritamente necessário, decerto lhe daria uma ordem, que de fato não podemos observar. No segundo caso, a excessiva erotização garante uma dependência relativamente ao objeto de desejo, ferindo de morte o caminho da autonomia.
Somos confrontados com o objeto desejado e sexualizado, que devido ao padrão de estética idealizado na atualidade, não merece a atenção dos outros, recorrendo, por isso, a todos os métodos para que possa adquirir um modelo desejado e desejável, em que nos é dado a perceber a finalidade de ser amado. Eis a frustração, que empurra o obeso para o médico, e alguns para a análise, por impossibilidade, de por si só. tornar-se o modelo desejado da sociedade.
Podemos ousar, e admitir, que existe uma conversão de excitações exageradas, por impossibilidade de descarga no mundo exterior, que reportam, mais ou menos, ao mesmo grau valorativo da irritação primária. Perante a irritação e na ausência do objeto de desejo, a comida servirá de apaziguador dessas excessivas excitações sentidas.


http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/89/artigo290551-2.asp

segunda-feira, 27 de maio de 2013

O trânsito na contemporaneidade- psicanálise.


No trânsito, para realizar ou buscar um prazer, "quebramos" algumas regras, inclusive podendo chegar à morte. Parece nítido que, quando esse é o assunto, tendemos a priorizar a satisfação e o gozo, e não a vida

Por Eduardo Lucas Andrade e Alexandre Aurélio Chaves


Estamos a par daquilo que Freud chamou de "futuro de uma ilusão". Entretanto, nossa ênfase aqui não é um construto fantasmagórico sobre o Desejo. E sim um Desejo na plataforma da Ciência, ou a Ciência na plataforma do Desejo, como queiram. A Ciência da Psicanálise destacada pela ética e pelo comprometimento. Devemos ousar e avançar com ética.
É preciso traçar o caminho sobre o saber, teoria e prática já adquiridos pela Psicanálise, ao longo destes anos. Devemos nos propor a escutar o sujeito desejante em sua complexidade, dinamismo e multiplicidade. Devemos entendê-lo como um ser demandante, inserido em uma cultura, no caso deste artigo, inserido em um trânsito. Nele, por exemplo, devemos escutar além, não se escuta um acidente entre dois carros, e sim entre duas ou mais pessoas. Nesse ponto, cabe um aprofundamento reflexivo em que muitos percebem o próprio veículo como um corpo estendido ou, então, como uma nova funcionalidade adaptada às suas exigências e se esquecem que são seres humanos em fl uente movimento. Veem-se os veículos como instrumentos extensivos de sua própria existência. Com isso, quando ocorrem os acidentes, voltam-se os olhares para os veículos. O próprio discurso cai sobre a matéria concreta que, ao mesmo tempo, é um representante das faculdades psíquicas investidas em si. Cada um o vê de uma forma. A Psicanálise nos chama a atenção para escutarmos as formas de linguagem a fim de atingir o inconsciente e as pulsões credenciadas ao Desejo. Dessa forma, pode-se intervir e fazer que (re)surja o insight que é a base da elaboração.
A Psicanálise nasceu da metapsicologia dos estudos freudianos, nasceu da clínica e a partir daí ganhou desmedidos ares. Surgiu junto com as demandas, possibilidades e necessidades de aplicá-la em outros âmbitos. Porém, a clínica sempre esteve ali, mesmo que esquecida por muitos, sendo a base da teoria, o alicerce da prática e o Chapolin do conjunto, ou seja, ela é aquela que responde à grande pergunta: "E agora, quem poderá nos defender?" Para entendermos o contexto do trânsito devemos recorrer à clínica, à Psicanálise por excelência.
O sistema capitalista oferece soluções rápidas que não promovem nem a saúde nem a vida, e sim, por vezes, criam tamponações e ilusões, como os usos que se fazem dos medicamentos para acabar com o sofrimento
Choque entre desejos
Acontecimentos trágicos no trânsito encontram-se registrados desde a mitologia. Lembremo-nos que Édipo matou o próprio pai em uma encruzilhada. Dessa forma, definiremos, aqui, o que chamamos de trânsito, para que possamos prosseguir. "Segundo o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), trânsito é a movimentação e imobilização de veículos, pessoas e animais nas vias terrestres" (CTB, 1997). Nos últimos anos, o trânsito evoluiu e cresceu drasticamente e, no século atual, exerce enorme infl uência na sociedade brasileira e mundial. Dentre essas infl uências encontra-se o amplo mal-estar na civilização que está em um "perigoso" processo de desenvolvimento.
Devemos nos propor a escutar o sujeito desejante em sua complexidade, dinamismo e multiplicidade
Buscamos, enquanto militantes da Psicanálise, adaptar-nos, ou melhor, acompanharmos a demanda contemporânea que nos cerca e que gera o mal-estar da atualidade. O trânsito é uma delas. Falta-nos algo e é exatamente por faltar que buscamos. É preciso ter coragem e Desejo, ou seja, algo que nos impulsione para além da falta. Coragem e Desejo para encarar esses novos desafios ao qual estamos condenados a vê-los. Não devemos fugir, e sim saber manejá-los frente a frente.
A Psicanálise tem sido chamada para suprir exigências típicas do mundo capitalista. No entanto, esse mundo se destaca pela brevidade e rapidez em seus processos de desenvolvimento. Não se sabe ao certo qual rumo estamos tomando, sabe-se que cada vez mais rápido estamos tomando um rumo. Por vezes, acabamos nos perdendo, e a ancoragem ofertada, hoje, cai no campo do próprio sistema capitalista, onde se ofertam soluções rápidas que não promovem nem a saúde nem a vida, e sim, por vezes, criam tamponações e ilusões. Os usos que se fazem dos medicamentos são exemplos disso: soluções em apoios químicos, que desfazem o direito de elaboração, para acabar com o sofrimento, como se fôssemos proibidos de sofrer, como se isso fosse pactuado entre todos os adeptos dessa sociedade. O uso que se faz do trânsito também é outro exemplo disso - utiliza-se da potência do inconsciente e de seus princípios para atuar-se "narcisicamente" navegando no princípio de prazer. Economiza-se assim tempo, e mostram-se as máscaras da alegria em rostos e vidas tristes.
As fases de Eros
Eros: na mitologia grega é o deus do Desejo. Eros na filosofia é o Eros do provei, gostei e quero mais. Na poesia é o Eros do erotismo, do amor de um desejo voltado para a paixão, muitas vezes de cunho sexual. Já na Psicanálise Eros é pulsão de vida, isto é, energia psíquica daquela que preserva, dá continuidade, que faz liga, que faz a união acontecer, um vínculo entre as coisas, entre os Outros. Diz-se, portanto, que o objetivo triunfal de Eros é estabelecer a preservação.
A Psicanálise tem que aprofundar e descobrir o que mais o social esconde, o que mais o trânsito esconde. Essa é uma perspectiva, ir na contramão do capitalismo utilizando novas estratégias para atuar com eficácia, sem sair do capitalismo. Difícil, né? Pois é, o capitalismo existirá, compete-nos saber utilizá-lo em prol do ser humano. Aprender a viver em sociedade demanda exigências que não podem ser alcançadas através do emprego da força. O impacto com o outro, humaniza. Mas quando representa perigo aos demais, propõe-se uma tentativa de conciliar Desejos, e isto não é nada afável.
Uma das atuais intervenções das "forças maiores" é dentro do capitalismo. Na Lei Seca, por exemplo, multa-se e apreendem-se as carteiras podendo até mesmo prender o sujeito. A sociedade está pedindo ajuda. Mas essa mesma sociedade que ofusca é a que pulsa no trânsito, o trânsito pulsa. Será que essa é a solução? Prender gentes, carros e carteiras junto de uma multa? Um preço pelo Desejo deve ser pago. Sabe-se que misturar bebida ao volante é perigo constante e pagar com vidas pode sair mais caro. Aqui temos o pulsar do Desejo contra o enigma da morte, ou seja, a eterna luta de Eros contra Tânatos se presentifica no trânsito escancaradamente, será que a potencialidade de Eros nos levará ao encontro de Tânatos? Retornaremos mais adiante neste ponto.
A contemporaneidade
Estamos em uma transição, não só em modelos topográficos como ocupações estranhas às sociedades anteriores, formas e lugares ocupados ineditamente. Estamos conhecendo o novo, e quando este novo vai se tornar conhecido e mais velho, nasce um novo "novo". Uma nova subjetividade, novas formas de sintomas, novas estratégias de vida, novas saídas, novas buscas, novas ilusões de promessas e novas aplicações do Desejo. Novos carros e novas formas de se transitar; novas formas de nos tornarmos civilizados, afinal, o trânsito pulsa na civilização, no encontro com o outro. O Desejo promove o encontro, o vínculo, o relacionar-se, lembremo-nos disso.
A civilização das últimas décadas tem como uma das características a evolução desmedida e a transformação gigantesca de suas relações com o meio, apresentando algumas dificuldades inerentes a isso, tais como a adaptação, inserção e controle do contexto de evolução, que se expande em todo o social. Um descompasso do Desejo que balança o corpo e a vida cotidiana, que afinal acontece em grande parcela no trânsito.
A Psicanálise tem que aprofundar e descobrir o que mais o social esconde, com especial análise ao trânsito, utilizando novas estratégias em prol do ser humano
Muitos percebem o próprio veículo como um corpo estendido ou, então, como uma nova funcionalidade adaptada às suas exigências
Dessa forma, no trânsito não é diferente: nele, deparamo-nos com relações intrapessoais e também com altas tecnologias voltadas para essa evolução que, por sua vez, exige-nos rapidez e agilidade perante as variadas opções de escolhas oferecidas por essas transformações. O que elegemos daquilo que nos é ofertado? Essa oferta toca na necessidade de economia de tempo que é um dos inúmeros problemas encontrados no trânsito, tendo seus refl exos muitas vezes em estresse e outros sintomas, gerados por "inesperados" atrasos em congestionamentos.
A economia existe nos princípios do aparelho psíquico, mas o tempo não. O aparelho psíquico é atemporal e econômico. Outro refl exo disso, dessa economia de tempo, relaciona-se aos limites de velocidade, que por repetidas vezes não são respeitados, resultando em inúmeros acidentes com mortes, deficiências, traumas, abalos e transtornos psíquicos que se perpassam, não só em quem está diretamente envolvido no acidente, como também em famílias e amigos dos envolvidos.
Na Lei Seca multa-se e apreendem-se as carteiras. É um sinal inequívoco de que a sociedade, a mesma que ofusca e que pulsa no trânsito, está pedindo ajuda
A necessidade de manipular e persuadir a população se tornou essencial para que o marketing consiga vender, e isso no trânsito tornou-se "perigoso", pois tem infl uência em alguns acidentes, incômodos ou acontecimentos trágicos. Considerando a alta velocidade desenvolvida pelos carros, e a velocidade máxima permitida nas rodovias (que é por volta de 110 km/h, 80 km/h e em alguns trechos menor que esses valores), para que existem veículos com o potencial de chegar a mais de 200, 300 km/h? A não ser pelo marketing e sua persuasão, não vejo outra explicação para o mesmo. Essa persuasão cai como ilusão assim como explicita Freud: "Uma ilusão não é a mesma coisa de um erro, tampouco é necessariamente um erro"; ela é fruto de um Desejo.
O mal-estar causado no trânsito atinge todas as fases da vida, a começar pela infância
Para comprovar a infl uência e o estrago causados pelo trânsito, destacam- se aqui algumas estatísticas no Brasil. De acordo com a seguradora que administra o DPVAT ou, como é mais conhecido, seguro obrigatório, em uma estatística de abril de 2011, o trânsito deixou em média 160 mortos por dia no país. Já o Portal do Trânsito, em uma estatística de 2010, diz que as formas das notificações e dos relatos comprometem o resultado final das estatísticas que afirmam não passar das 35 mil mortes causadas pelo trânsito em um ano, porém contabilizam só as pessoas que morrem no local do acidente. Mesmo que a vítima morra na ambulância não será contabilizada. Os especialistas acreditam que esses números ultrapassam 50 mil mortes ao ano. De acordo com as estatísticas de 2005, segundo o Detran e BHTRANS, o total de vítimas deste ano, em Belo Horizonte, foi de 17.636. Em outra estatística disponibilizada pelo site do jornal Gazeta do Povo, o número de mortes de motociclistas aumentou 754% em 10 anos no Brasil.
PARA SABER MAIS
O Desejo e o trânsito
Enfatiza-se aqui a potencialidade do Desejo, grande descoberta freudiana. Freud, em seu talvez mais genial texto, "O inconsciente", postula que "o núcleo do Ics é composto de representantes pulsionais (triebrepräsentanzen) desejosos de escoar sua carga de investimento - em outras palavras, é composto de impulsos de Desejo (Wunschregungen)". Assim, o inconsciente freudiano, ao meu ver, é estruturado como energia, como Desejos e pulsões, energias psíquicas que pulsam por toda a vida.
Na frase que tem a palavra Desejo, só tem espaço para um sujeito, o eu. É eu Desejo, e não ele, ela Desejo. Quando se passa ao outro, o grande Desejo perde o seu espaço, desloca-se, desdobra-se e transforma-se semanticamente em pequena representação da classe do Desejo, tornando-se não mais o grande Desejo, e sim meros figurantes da família do mesmo. Surge o ela deseja, o ele deseja, nós desejamos e por aí vai, mas não reaparece, senão por via de si mesmo, o grande Desejo. A própria semântica nos apresenta a intimidade do desejo com cada um de nós. O que nos demonstra que aquele que é nosso grande Desejo é para o outro uma representação sem maior importância. Nesse sentido, uma das funções sociais do Desejo é o encontro, o vincular-se. O desejo promove o encontro. O encontro de dois Desejos no trânsito, cada qual com o seu, lutando pela afirmação, que provoca desencontros. A clínica da Psicanálise é aquilo que se ajusta, já que nasce da escuta do inconsciente do ser humano. Ela é única para cada um, é aplicável na transferência. Já o Desejo é aquilo que não se ajusta, é o pulsar por excelência. O Desejo está sempre nos colocando em movimento, em uma incessante busca e deixando o corpo ofegante. Por faces do Desejo, entende-se as manifestações transvestidas de seus conteúdos, de suas ideias (vorstellung), suas representações, pois o Desejo nunca se entrega como conteúdo completo e cristalino, ele se manifesta por faces. Compete à escuta clínica e suas pedras angulares acessá-lo e possibilitar o sujeito. O sujeito procura análise para encontrar-se consigo mesmo, ou melhor, para encontrar com o seu Desejo. Se o Édipo nos condena à pergunta: "quem sou eu?", já a clínica da Psicanálise nos coloca defronte da seguinte suscitação: "qual é o meu Desejo?". Interroguemo-nos; e no trânsito como este Desejo pulsa, ou, ainda, por qual Desejo somos guiados no trânsito?
O Desejo, por ser íntimo ao sujeito, é por excelência narcísico, podendo gerar no campo do pensamento e da consciência representantes ou faces egocêntricas, assim como o sonho é do sonhador o Desejo é do desejante. Afinal, não é o sonho a realização alucinada de um Desejo? E o trânsito não seria a realização acelerada desse Desejo?
A necessidade de manipular e persuadir a população se tornou essencial para que o marketing consiga vender, e isso no trânsito tornou-se "perigoso"
O mal-estar causado no trânsito atinge todas as fases da vida, a começar pelas crianças. Estas, para sua segurança, devem ser colocadas em cadeirinhas apropriadas presas aos bancos traseiros. A utilização da cadeirinha pode causar um desprazer na criança, pois algumas vezes ela perde a visão do pai ou familiar, podendo ter a sensação de estar isolada dentro do veículo ou "perda dos pais". Além disso, a situação pode promover um incômodo por terem de ficar mais quietas, pois a cadeira impõe limites de espaço e locomoção. Os pais devem ensinar as crianças desde pequenas para que estas não aprendam a burlar a lei do trânsito, e sim segui-las. Já na adolescência, o desprazer no trânsito volta a aparecer quando jovens dirigem sem habilitação ou, mesmo que a tenham, dirigem embriagados. Nos feriados, os números supracitados tendem a aumentar, o que confirma um pulsar do príncipio de prazer utilizado em desmedido grau sobre uma máquina com potencialidade mortífera sem considerar o princípio de realidade.
O excesso de oferta de veículos é uma tentativa de economizar tempo, considerado um dos inúmeros problemas da atualidade, tendo seus reflexos muitas vezes em estresse e outros sintomas
Toda educação é castradora e criadora do desprazer. De acordo com Freud, "buscamos realizar um desejo que jamais será realizado". Ainda de acordo com a Psicanálise freudiana, temos desejos inconscientes e conscientes. Alguns podem ser realizados, outros enveredam por distintas vicissitudes possibilitadas pelo ato de pulsar. No trânsito, para realizar ou buscar um prazer, "quebramos" algumas regras, inclusive podendo chegar à morte. Parece nítido que, quando o assunto é trânsito, tendemos a priorizar a satisfação e o gozo, e não a vida.
Agressividade no ar
A pulsão (trieb), termo empregado por Sigmund Freud a partir de 1905, tornou-se um grande conceito da doutrina psicanalítica. A pulsão está em todos os momentos ativos na vida do sujeito: pulsão de vida (EROS), pulsão de morte (TÂNATOS). As pulsões são de origem inconsciente do sujeito e difíceis de controlar; já as pulsões de morte (TÂNATOS) levam o sujeito a se colocar repetitivamente em situações dolorosas. No trânsito, percebem-se as pulsões de morte (TÂNATOS), que são pulsões agressivas, se não em todos os momentos, pelo menos na maioria deles, quando os motoristas e até mesmo pedestres apresentam grande nível de hesitação com ira e cólera.
Pulsão de morte
Tânatos - a pulsão de morte, ou de destruição, como queiram - é derivado da Filosofia do deus da morte, alhures, tomou outros ares na Psicanálise. Tânatos é muitas vezes injustiçado. Na Psicanálise seu entendimento dá-se como a energia, pulsão de destruição e agressividade, porém, vale destacar e explicitar sua importante participação para a vida. Ao alimentar-se, por exemplo, tritura-se o alimento. Eis, aí, uma das inúmeras participações para a vida da pulsão de morte. Por isso digo que a pulsão de morte não morra!
Ambas as pulsões supracitadas andam sempre de mãos dadas, "amigas" íntimas, ora uma pulsa com maior intensidade, ora outra. Um dos protótipos da pulsão de morte é a repetição, uma quebra de continuidade de algo, uma destruição de uma busca incessante do desejo. No entanto, mais uma vez, temos Eros com uma participação discreta, repete-se mas nunca o mesmo, damos uma continuidade mais estreita, quando ocorre a repetição o pulsar psíquico já é outro.
A Psicanálise deve ir na contramão do capitalismo, utilizando novas estratégias para atuar com eficácia, sem sair do capitalismo
Com isso, o poder da evolução das "máquinas" criadas pelo homem junto às pulsões de morte acarreta e favorece ainda mais acontecimentos trágicos. E quando se diz de pulsões, a questão da tentativa de controle e de precaução complica-se, ainda mais inseridas na velocidade ímpar em que o trânsito as colocam. Pulsares sobre um corpo de pulsões inquietantes. Enquanto Eros favorece o encontro, Tânatos mune a destruição. Isso me remete a pensar nos acidentes, que em geral são encontros (Eros) entre seres desejantes que resultam em destruição (Tânatos) corpórea, de vida, dentre outras. A questão que fica é: até quando EROS perderá adiantada essa "batalha" para TÂNATOS e o que fazer para aniquilar essa complexa situação?
Estamos numa sociedade em transição, com novas formas de sintomas, novas estratégias de vida, novas saídas, novas buscas, novas ilusões de promessas e novas aplicações do Desejo. São novas formas de nos tornarmos civilizados

Fonte: http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/86/artigo279437-1.asphttp://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/86/artigo279437-1.asp

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Indicação e análise do filme: Sombras da noite

Sombras da noite
Em "Dark shadows", de Tim Burton, atores personificam pulsões e sentimentos presentes em nosso dia a dia

por Eduardo J. S. Honorato e Denise Deschamps


Texto retirado da Revista Psique Ed. 81 - 2012
Foto: Divulgação
Mais uma vez Tim Burton volta aos cinemas trazendo seu eterno e fiel representante: Johnny Depp faz Barnabas Collins (Thomas McDonell faz o personagem quando mais jovem). Sua esposa Helena Bonham Carter também veio, mais uma vez, junto, compor essa produção. Parceria Depp/Burton que deu certo em outros sete filmes (Edward Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça, Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet, A Fantástica Fábrica de Chocolate, Alice no País das Maravilhas e na animação A Noiva Cadáver). Para os fãs do diretor e do ator, o filme foi um belo presente. Um resgate quase histórico de duas carreiras. Deep se mostrou um aficcionado dessa história criada para tv por Dan Curtis nos anos 60, interessante a delicadeza de Burton ao trazer, em uma cena, a da festa com a presença do grande Alice Cooper, o ator que representou Barnabas na produção mais antiga. Marca de Tim Burton, com toda certeza.
Ao longo do filme, nos vemos tocados pelo tema envelhecimento, presente de maneira sutil, mas insistentemente. Impossível não notar a presença de Michele Pfeifer nesta filmagem e não lembrar de sua corajosa atuação em outro filme já abordado por nós aqui nesta coluna, e que trata justamente desse tema, o “Chéri”.
Com uma fotografia próxima a do Sleppy Hollow (Cavaleiro Sem Cabeça) e com o estilo de conteúdo de Big Fish, Dark Shadows tem o roteiro de John August e Seth Grahame-Smith. Danny Elfman assina a trilha de canções originais. O filme traz à tona o mesmo tipo de humor estranho e sinistro, ao mesmo tempo “gentil”, que consagrou Burton. Um humor que leva às lágrimas e ao riso em alguns segundos, ou ao mesmo tempo. Traz mensagens fortes que levam a reflexões importantes, mesmo mascaradas pelas supostas cenas de terror e vampirismo. Embora tenha pretendido ser uma homenagem à série que esteve no ar de 1966 a 1971, no canal ABC, atualiza de forma brilhante algumas das não elaboradas questões que atravessam o sujeito em sua trajetória de vida.
O filme traz o mesmo tipo de humor estranho e sinistro, ao mesmo tempo “gentil”, que consagrou burton – humor que leva às lágrimas e ao riso em segundos
O susto de Barnabas Collins diante das marcantes mudanças da década de 70, como a impagável cena do seu contato com a tv, nos faz pensar em nossa trajetória e na angústia que atravessa a atualidade, frenético tempo modificado por geringonças tecnológicas que aproximam e afastam os vínculos humanos. Pela mais do que nunca enaltecida “juventude”, que é prolongada por descobertas de toda ordem, dessas que aumentam a expectativa de vida e a possibilidade de manter a máquina corpo jovem.
Foto: Divulgação
Enredo para grande elenco: uma família amaldiçoada há gerações, mas que se mantém por um único e forte vínculo - o nome
Michelle Pfeiffer vive a matriarca dos Collins, Elizabeth. Sua sina é ser de uma familia amaldiçoada e seu traço forte é a questão da maternidade. Fará de tudo para defender seu rebanho, com todas as forças. Trazendo também, no elenco, Jackie Earle Haley, Bella Heathcote (Josette e Vick), Eva Green (a bruxa Angelique), Jonny Lee Miller, Chloe Moretz (Carolyn) e o novato Gulliver McGrath (que esteve no belo A Invenção de Hugo Cabret e faz aqui o jovem sobrinho que vê fantasmas). Cada personagem vai compor uma delicada fotografia de alguns dos mais intensos dramas vivenciados pelo ser, sempre com um toque de humor que nos lembra o quanto a saída dos conflitos exige de cada um de nós, a nossa capacidade de não nos levarmos tão à sério. Há um toque de ridículo e cômico em qualquer sofrimento, como nos lembra, sempre, de outra maneira, Almodóvar, outro diretor das estocadas em cócegas. Temas dolorosos tratados por ângulos que nos fazem encarar o assombro com algum humor, trazer para perto questões que costumamos varrer para os porões de nossa consciência. Entre personagens que ganham aspectos de fábulas, Tim Burton vai nos contando uma história que acorda fantasmas, como foi acordado o, antes doce, Barnabas.
Família e amor
O personagem de Johnny Depp conta a história de uma família que enriqueceu, de um jovem cheio de bons sentimentos e amor, tendo sempre como ponto principal o vínculo familiar. Uma bruxa obcecada por ele, mata seus pais e sua amada Josette, quando então Barnabas Collins se lança à morte e é interrompido pela maldição que Angelique o marca, deixando-o para sempre nesse limite entre o que vive e o que está morto, transformado em vampiro é enterrado com correntes que amarram seu esquife. Será desenterrado nos anos 70 do século XX, muitos séculos depois da primeira parte da trama, em decorrência de escavações feitas por um empreendimento imobiliário, aliás característico da corrida na década em que o filme se passa. Nasce nessa década um modelo de vida urbana que hoje mostra mais do que nunca suas garras.
Uma família amaldiçoada há gerações, mas que se mantém por um único e forte vínculo: o nome. Isso nos remete à importância dos laços familiares básicos de pertencimento. Este mesmo vínculo forte mantém nosso personagem principal e faz dele um vampiro “do bem”. Bonzinho, sim. Bonzinho porque sofre por ser assim, por ter sido amaldiçoado, desejaria ser aquele que era antes de lançar-se ao precipício. Barnabas foi uma criança que aprendeu com seu pai o verdadeiro valor e significado de família e carrega isso consigo por centenas de anos. Um valor tão atrelado à formação de sua personalidade, que nem mesmo a maior das maldições consegue tirar isso dele. A família está acima de tudo, até mesmo do próprio bem estar e sentimentos.
De uma parte da história surge a importante pergunta: que amor moderno e vampiresco é esse que, sem pestanejar, destroi o objeto amado?
Ele reaparece depois de centenas de anos para resgatar sua família, tão maltratada por uma questão um tanto comum e presente nos dias de hoje: o tal amor vampiresco, o amor sem limites, compulsivo e obcecado. Amor destrutivo, fruto da pulsão de morte que outras vezes mencionamos em artigos aqui. Há no amor sempre seu par, há na paixão e na sexualidade seu tempero da agressividade, tempero que pode perder sua peneira e invadir totalmente o lugar de Eros, dos vínculos que agregam e constroem.
Angelique Bouchard, a bruxa, personifica este sentimento tão presente nos dias de hoje. um suposto sentimento de amor no qual se esconde uma pulsão de morte, em sua capacidade destrutiva, capaz de aniquilar o objeto amado caso não seja seu. Quantos casos vemos nos dias de hoje, seja no consultório, seja na mídia, nos quais o afeto se confunde com posse do objeto, em um narcisismo incontornável, e se transforma em ódio em uma questão de segundos. Que amor moderno e vampiresco é esse que, sem pestanejar, destroi o objeto amado? Será que é somente isso o que chamamos de amor na modernidade, será o modelo eleito? E caso seja predominante o que ele revela dos nossos tempos, que leitura histórica podemos fazer da relação do homem com seu mundo, com seus investimentos? 
Foto: Divulgação
Johnny Deep, um aficcionado: ator tornou-se fã da série que deu origem ao filme em perfeita parceria com Tim Burton
Como contraponto, um aspecto interessante, é a leitura do “amor como maldição”. Barnabas se sente amaldiçoado por amar e isso o faz sofrer por séculos. Seu amor é puro, em contraste ao amor de Angelique, que é vampiresco, doentio, obcecado, destrutivo e patológico. Algo tão atual que mesmo que não fossem os personagens, vampiros, entenderíamos seu grau em desvio, em anormalidade mórbida.
Ética e dinheiro
Helena Bonham Carter brinda-nos com mais um de seus papéis hilários, sempre controversos, mas tão marcantes. Nos apresentará a uma médica que abusa de medicamentos e é totalmente anti-ética. Nem tão distante assim dos dias de hoje, trazendo o próprio abuso no contato com os fármacos como uma das questões que cercam nosso conceito de bem estar na atualidade. Também marca com falas importantes a questão da juventude como uma busca incessante que carregamos, mais do que nunca, como amor, longevidade, maldição e busca desmedida.
Teremos ainda a típica adolescente e suas questões completamente centradas em suas necessidades, mas que é quem Barnabas enxerga que pode aconselhá-lo, talvez até por sua capacidade de ver de forma cortante as questões críticas que permeiam sua família. O pai que larga seus filhos em troca de uma polpuda quantia, e que nos faz pensar nesse valor maior que colocamos em algo, que se tornou símbolo humano para acesso à felicidade, dinheiro, modo de produção que atravessa o Inconsciente determinando valores que constroem nossos caminhos de vida.
Esse pai troca afeto por dinheiro, sem hesitar, duas vezes. E quantas cenas semelhantes adaptadas vemos nos dias de hoje? Quantas crianças são tratadas como moeda de troca em processos de separação, sem sequer levarem em conta suas subjetividades? Não podemos esquecer da importância da infância no processo de construção da personalidade, uma infância que é onde tudo pode ser mutável, tão necessária e determinante na construção da subjetividade.
Barnabas Collins traz para sua família a riqueza escondida, tanto em seus aspectos materiais, quanto como um resgate de um conceito do nome de família que foi sendo perdido através dos séculos, ponto que trouxe algumas modificações bastante positivas e outros que teriam aspectos mais desagregadores e com os quais tentamos nos equilibrar ainda. Se hoje o nome de família não determina tanto ou mais as divisões sociais de opressão, por outro deixa a angústia dessa opressão sem nome, como lei frouxa, na ausência de uma determinação mais patriarcal. A mãe representada por Pfeifer, confusa, mas que em última instância ainda tenta desempenhar seu papel de proteção e de agregar, unir em torno de algo sua família.
Foto: Divulgação
Vínculo familiar: troca de afeto por dinheiro é no círculo de familiares é também um dos pontos abordados pela filmagem de Burton
Marca dos tempos
Deliciosa a festa na qual Alice Cooper marca a indiferenciação de gênero, tão característica na moda que se inaugura nos anos setenta e que marca o “unissex”, estilo que lança uma leitura bastante interessante sobre um tempo no qual a diversidade passa a ser encarada como algo que nos constroi, e não que ameaça os grupos. Obviamente que isso muito mais enquanto ideia – na prática ainda estamos nos espartilhos. Barnabas diz, ao avistar o cantor: “Nunca vi uma mulher tão feia!” Risos!
Sem dúvida Angelique amarra toda a narrativa e a atriz imprime uma força a sua personagem, que auxilia naquilo que o personagem de Johnny Depp poderia deixar a desejar, em seus aspectos que misturam uma agressividade mal elaborada, um tanto difusa e cômica. O encontro dos dois promove sexualidade sempre anárquica, na qual o desejo destrói onde toca, como o quarto todo destruído após o encontro dos dois.
Crônica do tempo: durante todo o filme, nos vemos tocados pelo tema do envelhecimento, presente de maneira sutil, mas insistentemente a ponto de notarmos sua presença
Talvez o filme não seja mesmo um dos mais magníficos do diretor, como acusaram alguns críticos: às vezes é um tanto confuso, pelo que tenta abordar, mas não deixa de ser um bom divertimento, que acaba por tocar em sentimentos e emoções do desprevenido espectador, que ri, chora, se assusta e se recompõe, em frações de segundo, na mágica da força das imagens tão bem construídas.
Saímos com perguntas a nos cutucar, como a questão das novas configurações familiares, da abertura do conceito de família, desse grupo que nos inaugura no mundo, e com questionamentos como o de se nossas relações familiares hoje seriam tão fortes como a da familia de Barnabas, a ponto de se manterem por séculos? Estamos passando para as novas gerações esses sentimentos de pertencimento familiar, de uma possibilidade de uma união em torno de uma preservação? Lançada ao coletivo fica a pergunta se podemos ainda cuidar uns dos outros, guardar do passado o que importa e abrir novos rumos com o processo de mudança que fala de vida, de crescimento, de porvir? É preciso romper a maldição, que vençam o amor e os vínculos que mantêm a vida “viva”, e não sempre em suspensão, em estado de semi morte, vampiresca.




sábado, 13 de agosto de 2011

Instâncias psíquicas (Id, Ego e Superego) Por Andréia Miglioranza Marin

Em 1923, Sigmund Freud formulou a segunda tópica, ou segunda divisão do aparelho psíquico. As instâncias psíquicas formuladas são três: Id (Isso), Ego (Eu), Superego (Supra-Eu).

O Id é a parte inconsciente, que funciona como um reservatório, uma fonte das pulsões, é onde estão localizados nossos desejos, no Id não há moral nem censura.

O Ego é uma instância onde há partes conscientes e inconscientes, ele tem a função de controlar e conciliar o Id e o Superego. O ego é formado a partir do Id com o contato com o mundo externo, ele tem que se adequar aos desejos do Id e as proibições do Superego à realidade.

O Superego é conhecido como o herdeiro do Complexo de Édipo, pois é nessa fase que a pessoa começa a criar seus valores, exemplo: “eu não posso namorar com a minha mãe”, a partir desse período a criança aprende que há coisas que ela pode e não pode fazer. O superego é formado a partir das relações que se têm com o mundo externo (pais, família, etc) e também com o que passa de maneira inconsciente (o Superego dos pais). O superego é a moral, a censura.

Por Andréia Miglioranza Marin.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

MECANISMOS DE DEFESA




Texto retirado do site do Dr. Leon, porém o adaptei.

MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE PELA HARMONIA.

O ego adulto necessita de uma espécie de harmonia entre as pulsões e assim surgem conflitos entre tendências opostas como homossexualidade e heterossexualidade, passividade e atividade. Uma das duas tendências opostas será rechaçada e a outra admitida ou poderá chegar a um compromisso entre as duas.

DEFESAS BEM SUCEDIDAS E DEFESAS INEFICAZES.

Existe defesa bem sucedida, aquela que provoca a cessação da pulsão ou afeto rejeitado. Há também defesas ineficazes, aquelas que não atingem o resultado procurado e precisam ser repedidas ou mantidas indefinidamente. A esta categoria pertencem as defesas patogênicas. Isso acontece quando o impulso rechaçado não encontra descarga, permanece no inconsciente e produz estado de tensão com possibilidade de irrupção. Trata-se de conflito neurótico.

terça-feira, 14 de junho de 2011

O Ego e os Mecanismos de Defesa


Texto retirado do site do Dr. Leon, porém o adaptei.

TEORIA DOS MECANISMOS DE DEFESA CONTRA AS PULSÕES.

Na relação entre o ID e o ego, este percebe as pulsões como um perigo do qual deve se defender. O ID obedecendo ao princípio do prazer procura a satisfação imediata no alívio da tensão instintiva, alívio que é fonte do prazer. O ego, em contato com o mundo externo obedece ao princípio da realidade e é capaz de retardar a satisfação e o prazer.

Nessa luta contra as pulsões, o ego procura sempre um termo de negociação com os afetos. “Amor, nostalgia, ciúme, mortificação, dor e pesar acompanham os desejos sexuais, ódio, cólera e furor nos impulsos de agressão; se quisermos que as exigências pulsionais a que estão associados sejam evitadas, esses afetos devem submeter-se a todas as várias medidas a que o ego recorre, em seus esforços para dominá-las, isto é, devem sofrer metamorfoses”.

Os mecanismos de defesa apresentam um grande interesse para a análise. Onde seja que eles apareçam, eles indicam uma ação do ego e temos assim possibilidade de estudá-lo. Sem a intervenção do ego, todas as pulsões teriam gratificação.

Os trabalhos teóricos de psicanálise descrevem os métodos seguintes de defesa do ego:

· Sublimação

· Negação

· Projeção

· Intromissão

· Repressão

· Formação Reativa

· Anulação

· Isolamento

· Regressão