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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

São Paulo é a cidade com mais problemas mentais no mundo


Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP
Segundo um estudo da Organização Mundial de Saúde (OMS), a região metropolitana de São Paulo tem a maior ocorrência de problemas mentais em todo o mundo, com cerca de 30% da população. Para fazer o levantamento, a OMS pesquisou 24 cidades em diferentes países.
A pesquisa São Paulo Megacity Mental Health Survey apurou uma incidência de problemas mentais em 29,6% da população ao redor de São Paulo. Entre os problemas mais comuns estão a ansiedade, mudanças comportamentais e abuso de substâncias químicas, nos 12 meses anteriores à entrevista.
De acordo com os pesquisadores, a alta incidência de problemas mentais é causada pela alta urbanização juntamente com privações sociais. A ansiedade é o problema mais comum, afetando 19,9% dos 5037 entrevistados pela pesquisa. Os mais afetados são homens migrantes e mulheres em regiões de instabilidade social.
Em São Paulo também há a maior ocorrência de casos graves, com 10%, à frente dos Estados Unidos, com 5,7%, de da Nova Zelândia, com 4,7%. Depois de São Paulo, representante brasileira no ranking da OMS, Saúde (OMS), aparece a cidade norte-americana, com pouco menos de 25% de incidência de perturbações mentais. (vi no Jornal de Notícias)
Fonte: Yahoo

sexta-feira, 31 de julho de 2015

TRANSTORNOS ALIMENTARES

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Os distúrbios alimentares figuram entre as patologias psiquiátricas que vêm apresentando maior crescimento em termos de incidência na população. Quem já se aproximou desse universo talvez tenha constatado a sua gravidade, em termos dos prejuízos físicos, psíquicos, afetivos e sociais. Não é apenas o corpo que se torna anoréxico. Todo o psiquismo adoece no sentido da perda de vitalidade, de apetite e do prazer. Sobre esse complexo tema, vale conferir a entrevista com a psicanalista Marina Ramalho Miranda*, que vem se dedicando ao estudo do tema.


Como a psicanálise entende e avalia o recente crescimento na incidência de casos de transtornos alimentares (TA’s)?
Embora os transtornos alimentares, entre eles, as anorexias e as bulimias, sejam novas vestes para antigas patologias, não há quem não perceba esse aumento da sintomatologia em nossos dias.
Tanto na literatura sobre o tema, quanto em minha experiência, existe uma concordância de que uma multiplicidade de fatores combinados é responsável pelo surgimento dos transtornos alimentares e penso que quando pesquisamos sobre o aumento na incidência deles em nossos consultórios, hospitais e serviços de saúde mental, temos que considerá-los em conjunto.
Os fatores que compõem a etiologia dos transtornos alimentares são os constitucionais (genéticos e biológicos), psicológicos (intra-psíquicos), familiares e sócio-culturais.
Pensemos juntos, em que tempos vivemos, atendo-nos nesse início de conversa a essa dimensão.
Como um dos temas prediletos da atualidade, o corpo reina absoluto quando se conjectura sobre o tão falado trinômio juventude-beleza-saúde, pondo em risco a dimensão da mente, ou seja, corpo e mente que deveriam estar juntos e em fluente integração começam a ficar destacados um do outro, e o corpo (e seus correlatos, como a sua nutrição, aspecto, vestimentas, etc.), gradativamente assume uma posição-alvo de exigências de perfeição e controle, sem que as pessoas se dêem muito conta dessa dinâmica de hipervalorização .
Este cenário cria uma espécie de “inter-patrulhamento” da aparência física, e, em particular, no que diz respeito ao volume corporal (será que estão implícitos nessa preocupação questionamentos a respeito do espaço e lugar que ocupa no mundo?) Daí, o próximo passo recai sobre a alimentação. As mulheres, mais do que os homens, são afetadas e fiscalizadas na difícil missão de manter um corpo eternamente jovem, belo, saudável e… magro! Dietas severas de emagrecimento proliferam em todos os cantos e discursos e acabam por ficarem misturadas com a solução para o alcance não só do corpo magro e aceito, mas da felicidade e sucessos almejados.
A psicanálise entra na roda nesse momento, em que a comida e a alimentação perdem seu sentido de combustíveis para a vida, deixam de estar a serviço do viver e como num espiral estonteante entram numa alquimia culinária e se transformam em emoção, medos, horrores, enfim toda sorte de afetos. Ela mergulha na especificidade dos vínculos familiares de cada paciente atendida, especialmente na relação entre as mulheres, nutridoras por natureza, mãe-filha-irmã (muitas vezes a avó também participa, contribuindo para o trabalho), coadjuvantes essenciais do processo psicanalítico, pois temos hipóteses de que esses vínculos já vêm sofrendo dificuldades antigas na troca afetiva, tornando-se mais vulneráveis e porosos às influências do emocional ambiental .
Em termos gerais, na anorexia e na bulimia surge a declaração de uma guerra contra a gordura, que passa a ser a principal vilã de suas vidas. Na obesidade, a comida pode ocupar o lugar da falta, preencher um vazio, amenizar um vácuo que nada tem a ver com a comida em seu sentido concreto, saciar uma fome que vem de outros lugares (ou não-lugares), territórios a serem explorados em companhia.
Mary Del Priore (2000), historiadora, defende a ideia de que hoje a história das mulheres passa pela história de seus corpos e com humor, observa:
“Diferentemente de nossas avós, não nos preocupamos mais em salvar nossas almas, mas em salvar nossos corpos da desgraça da rejeição social. Nosso tormento não é o fogo do inferno, mas a balança e o espelho.”
Há, entre os médicos, uma controvérsia sobre a psicanálise ser um método indicado para tratar pessoas com TA’s. Qual a sua posição? Pela sua experiência clínica, a psicanálise pode ser um método efetivo?
Constato, a partir de meus estudos teórico-clínicos e das inúmeras pesquisas que encontramos na Universidade e na SBPSP, e especialmente, a partir da experiência clínica de atendimento à(o)s pacientes e sua família, que o tratamento psicanalítico dos transtornos alimentares não só é indicado, mas completamente imprescindível. Sustento a ideia de que a presença do psicanalista integrando a equipe multidisciplinar de atendimento abre frestas no mundo hermético dos transtornos alimentares, favorecendo a revisitação e o exercício da linguagem falada, reaproximando essas mentes sofridas e danificadas pela força de defesas destrutivas que as isolam e enclausuram, reconduzindo-as ao mundo da interação fértil. A viva troca nutritiva que a presença e a linguagem instauram conduz ao reino do pensamento simbólico, ao reino do sonhado e do imaginado, tão inibidos no universo dos transtornos alimentares.
Será o psicanalista que irá oferecer uma escuta que se concentra na investigação do que não pôde ser dito ou do que não pôde ser ingerido (ou absorvido em excesso), do que não aparece (ou do que desnuda), do que está interditado (ou do que transborda) permanecendo desconhecido e estranho à compreensão do paciente, que por sua vez se alivia ao descobrir que seus sintomas não serão vistos como doença e sim como sinais indicativos de que algo muito sério aconteceu em algum momento de sua vida, alterando o rumo de desenvolvimento a ser seguido. A(o) paciente fala pelo corpo e com o corpo. O comer o nada ou o tudo devorar, o vomitar e expurgar são tomados como pistas a serem seguidas ou como rastros de conteúdos emocionais brutos, contraditórios, que entraram intrusivamente em seu interior e pedem para serem remastigados. A abordagem psicanalítica, com seu approach que caminha na interioridade, num movimento de olhar de dentro para fora, lê o corpo da paciente com transtorno alimentar como uma tela onde está estampada sua história pessoal. Está atenta às variações da linguagem não-verbal, não se contentando com as expressões atuadas comportamentais, mas tentando acompanhar cada paciente na individualidade e singularidade de suas expressões que, muitas vezes, se apresentam pelo avesso.
Esta tarefa pertence à psicanálise… as pessoas que sofrem desses distúrbios sentem fome desse tipo de compreensão, que se dirige para além do corpo e das comidas e se aliviam ao finalmente experenciá-la.
Um dos sintomas mais difíceis nos TA’s são as distorções da auto-imagem corporal. Sendo um método verbal, o tratamento analítico tem como chegar nesse tipo de sintoma?
Quanto mais intensas forem as distorções da imagem corporal, maior a gravidade desses quadros, pois ficam mais evidentes a força e a intensidade das fantasias que, alterando a percepção de si retiram o indivíduo do acesso ao seu próprio conhecimento e da sua interação com o mundo, deformando a experiência e a impregnando de sensações de desprazer o tempo todo. Continuamos no terreno de contribuições da escuta e da fala psicanalíticas.
Para a psicanálise, e na sua opinião, faz sentido pensar que a nossa cultura de valorização extrema da magreza seja de fato um fator desencadeante da doença? Ou são os conflitos internos e inconscientes os maiores determinantes?
Na resposta à primeira pergunta, aponto a inter-relação de múltiplos fatores agindo conjuntamente para a eclosão de um transtorno alimentar. Não dá para dizer que um deles é mais desencadeante do que o outro. Daí a importância do atendimento em equipe, que tenta mergulhar e dar um espaço especial a cada dimensão e consequências dos transtornos: a medicina, com ênfase na psiquiatria, muitas vezes a endocrinologia, a ginecologia e a cardiologia , a nutrição com sua nuclear contribuição, a orientação familiar, o educador físico auxilia bastante quanto à regulação dos exercícios físicos, que, unidos junto ao profissional psi vão formar uma espécie de família-prótese e comporão um modelo de união de esforços em contraposição a atitudes de patrimônio do atendimento.
Os sintomas dos TA´s são característicos de alguma estrutura psíquica em particular (neurose, psicose, perversão, etc) ou eles transcendem esse tipo de classificação?
Essa pergunta colocada em último é muito acertada, pois é ilustradora do que foi discutido nas anteriores. Na sequência da 4ª reposta, o leitor já pode responder por si essa questão, percebendo a multiplicidade de dimensões encontradas nos transtornos alimentares.
A partir de toda essa complexidade discutida e da especificidade e singularidade de cada situação, como enquadrar esses fenômenos alimentares numa mesma classificação? Como apertar um indivíduo tão singular em seus sinais de perturbação dentro de uma categoria nosológica isolada?
Até os manuais médicos de diagnóstico tem para as anorexias e bulimias um lugar especial e onde elas existem por si dentro do índice geral dos transtornos da alimentação.
Os transtornos alimentares, e em especial, as anorexias e as bulimias, fazem um passeio por entre as variadas psicopatologias referidas pela psiquiatria e não se encaixam em nenhuma delas, ao mesmo tempo em que as contemplam, nos mais diferentes graus.
Sintomas de alto sofrimento para quem deles se aproxima, mas que se forem acolhidos por companhias com um bom apetite para o trabalho, culminarão em nutrição saudável para todos.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

PERDAS E LUTOS QUE ENFRENTAMOS AO LONGO DA VIDA

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Fonte:http://psicanaliseblog.com.br/2015/03/02/perdas-e-lutos-que-enfrentamos-ao-longo-da-vida/

A vida é um constante processo de perda e superação. Há diferentes tipos de perdas, mais ou menos intensas. Mais ou menos definitivas. Em todos os casos somos colocados diante da necessidade de viver o luto, enfrentar a ausência e a falta e elaborá-las, para que a vida siga em frente. Ao contrário do que alguns imaginam, mergulhar naquilo que gerou tristeza pode ser uma parte fundamental desse processo. O luto – enquanto trabalho a ser realizado a partir de uma perda – promove um maior nível de integração e amadurecimento da personalidade. Sobre o assunto, vale conferir o texto abaixo, da psicanalista e membro da SBPSP, Sylvia Pupo.
Perdas e lutos que enfrentamos ao longo da vida
Por Sylvia Pupo*
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, diz a última estrofe do samba, sugerindo que devemos ser inabaláveis frente aos tombos que a vida nos dá.
Com admiração, geralmente, são vistas as pessoas que não se abatem ante uma perda, golpe ou obstáculo. São estimuladas a mostrar força e quase ausência de sentimentos. “Bola pra frente!”. Como sinal de força e maturidade são instigadas a esquecer rapidamente o acontecido e prosseguir.
Há tantos tipos e intensidades de perdas e de lutos a fazer. Há lutos por mortes ou separações, pelas próprias expectativas não atingidas, por um filho que cresceu e nos obrigou a nos re-situar como pais; por formar-se e ter que procurar um emprego, pela perda da infância, pelo envelhecimento…Cada fase da vida é acompanhada de mudanças; mudanças que nos desalojam e podem ser sentidas como perdas, demandando um trabalho interno de luto. O que é sentido como perda para um, pode não afetar um outro da mesma maneira.
Desde pequenas separações, até perdas mais definitivas, os lutos a fazer são diários e seus efeitos e possibilidades de elaboração vão depender, dentre outros fatores, da história afetiva dos sujeitos e da qualidade de seus vínculos primeiros. Muitas, entretanto, são necessárias e estruturantes.
Algumas pessoas acabam criando “soluções maníacas” para lidar com uma situação de perda. Desenvolvem uma excitação que substitui a esperada tristeza. A tal da “volta por cima” pode incluir viagens, festas, gastos, drogas, esportes, comportamentos em excesso que visam ajudar a não pensar ou sentir.
Ao contrário, é necessário “dar a volta por baixo”, poder falar a respeito, sentir, entristecer-se e mergulhar para voltar à tona. Esta é uma etapa fundamental no trabalho de luto, termo sugerido por Freud, em relação ao processo para a elaboração de toda perda. O reconhecimento de uma perda é um passo fundamental para a sua aceitação.
O processo de luto é uma etapa natural e necessária, que quando terminado vai promover um maior nível de integração e amadurecimento da personalidade. Aqueles que puderem contar com acompanhamento psicoterápico podem se beneficiar muito disto, principalmente nestes momentos
É importante distinguirmos um luto “normal”, esperado, de um luto patológico, de duração prolongada, onde há transformação da tristeza em depressão. A tristeza é um estado natural, dentre outros, que se seguem a uma perda.
Numa sociedade em que a tristeza não pode ser tolerada e deve ser medicalizada há uma demanda de que sejamos sempre felizes e bem sucedidos, o espaço para a fragilidade e para a própria subjetividade é cada vez menor. O ritmo acelerado nos faz também atropelar as emoções e o tempo necessário para cada um finalizar seus processos.
O luto vai na direção oposta. Ele traz consigo uma necessidade temporária de recolhimento, de parada. Promove uma “regressão” como medida de economia psíquica até o momento em que a pessoa em questão possa retomar seu investimento no mundo. É um tempo de convalescença psíquica.
A impossibilidade de uma pessoa vivenciar as fases necessárias de um trabalho de luto, ou mesmo um prolongamento deste período, pode levar a estados cronificados de melancolia, ressentimento e desvitalização.
É importante, que além do trabalho de elaboração individual – com ou sem auxílio de uma psicoterapia – o apoio do grupo social e a utilização de recursos simbólicos e certos rituais presentes na Cultura como um auxílio na elaboração dessas etapas.
*Sylvia Pupo é psicanalista e membro da SBPSP
Bibliografia – Freud, .S. (1817[1915] /1988) “Luto e melancolia in Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago.
“Volta por cima” samba de de Noite Ilustrada

terça-feira, 7 de maio de 2013

Dislexia.

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Dislexia (do grego Δυσλεξία, δυσ ["difícil"] e λέξις ["palavra"]) caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização, sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.
A dislexia é mais frequentemente caracterizada por dificuldade na aprendizagem da decodificação das palavras. Pessoas disléxicas apresentam dificuldades na associação do som à letra (o princípio do alfabeto); também costumam trocar letras, por exemplo, b com d, ou mesmo escrevê-las na ordem inversa, por exemplo, "ovóv" para vovó. A dislexia, contudo, é um problema visual, envolvendo o processamento da escrita no cérebro, sendo comum também confundir a direita com a esquerda no sentido espacial. Esses sintomas podem coexistir ou mesmo confundir-se com características de vários outros factores de dificuldade de aprendizagem, tais como o déficit de atenção/hiperatividade, dispraxia, discalculia, e/ou disgrafia. Contudo a dislexia e as desordens do déficit de atenção e hiperatividade não estão correlacionados com problemas de desenvolvimento.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Dislexia

quarta-feira, 6 de março de 2013

Dislexia

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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Distúrbios do sono.

Fonte: Clínica Orgone.

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domingo, 18 de setembro de 2011

Distúrbio- Dormir para quê?

De acordo com especialistas, as pessoas privadas de sono demonstram dificuldade diante de tarefas que exijam atenção e concentração e suas habilidades motoras comprometidas

Texto retirado da revista Psique nº 68-2011. Clique aqui para ler a reportagem inteira!

Por Andreia Calçada e Fausto Ito

De fato, o sono representa uma necessidade fisiológica, e não um luxo, para qualquer pessoa que deseja viver com saúde, ser bem-sucedida e longeva. O sono desempenha um papel insubstituível na recuperação e preparo do corpo, do cérebro e da mente para garantir o estado de alerta e a produtividade no dia seguinte.

A máxima que ainda pode imperar nas mentes de algumas pessoas de que dormir cedo e acordar cedo torna o homem mais eficiente, rico, sábio e saudável, está completamente ultrapassada. Hoje, podemos afirmar categoricamente que o correto é dormir e acordar sempre no mesmo horário, desde que a quantidade e, principalmente, a qualidade das horas dormidas satisfaçam realmente a necessidade de sono de cada pessoa. Não importa quando vamos dormir e, sim, se este sono tem uma extensão reparadora.

Quando o sono é interrompido por diversas vezes por algum distúrbio durante a noite, ele não nos satisfaz e essa irregularidade afeta nosso metabolismo e ritmo biológico. Como consequência disso estão a fadiga persistente, sensação de sonolência excessiva e problemas de saúde geral.

Para melhorar a qualidade do sono

A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa De acordo com o último levantamento sobre sono realizado pela National Sleep Foundation (NSF), este ano, devemos fazer do próprio quarto o melhor lugar possível para passarmos a noite. Aspectos como limpeza e conforto são fundamentais para garantir o sono com extensão reparadora. Colchões e travesseiros adequados são importantes para iniciar o sono, assim como a sensação confortável de lençóis e roupas de cama limpos são igualmente recomendáveis.

Temperatura agradável, ambiente livre de ácaros, silencioso e limpo desempenham um papel importante na qualidade do sono, assim como estabelecer um ritual relaxante antes de se deitar, como meditar, praticar ioga, escurecer o ambiente para torná-lo mais aconchegante e facilitar a produção da melatonina.

Para termos bons hábitos de sono devemos deixar as tecnologias distante da cama: TV, celular, videogames e internet devem ser evitados ou desligados pelo menos uma hora antes de dormir. Essas mudanças de atitude fazem grande diferença para quem quer melhorar a qualidade do sono, acordar revigorado e bem disposto no dia seguinte.

Os estados de sono e vigília são regulados pela atividade cerebral e comportamental, e são dependentes do equilíbrio mental e psicológico. Fatores circadianos (que envolvem o período de 24 horas) influenciam no seu ritmo. Os humanos apresentam um conjunto de ritmos circadianos, como ajuste de temperatura corporal, síntese de hormônios e alternância entre sono e vigília. Qualquer modificação no controle rítmico dessas variáveis fisiológicas promove um desajuste, podendo ocasionar efeitos adversos, como condições patológicas e envelhecimento celular. A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa. Fatores como obesidade, sedentarismo e bebidas alcoólicas contribuem para minar a qualidade do sono e, consequentemente, de vida.

A privação ou o sono fragmentado podem provocar diversos males à saúde, especialmente em homens acima do peso e mulheres após a menopausa


Qualidade do sono

A obesidade aumenta o risco de a pessoa desenvolver doenças metabólicas, tais como os distúrbios respiratórios do sono

Ficar acordado por mais de 16 horas contínuas provoca uma diminuição drástica da atividade cerebral, levando a uma inevitável sonolência. Quando adultos saudáveis dormem menos que 5 horas por noite, o desempenho cognitivo reduz exponencialmente. Estudos comprovaram que menos de cinco horas de sono ao longo de uma semana já são suficientes para reduzir em até 50% a capacidade de dilatação dos vasos sanguíneos, provocando hipertensão e alteração dos impulsos elétricos que regulam os batimentos cardíacos, dando origem às arritmias. Esses problemas ocorrem devido ao estresse gerado pela quantidade de sono insuficiente que faz aumentar a produção dos hormônios cortisol, adrenalina e noradrenalina, os quais são vasoconstritores. Essas alterações metabólicas que ocorrem devido à falta de sono também podem provocar obesidade, porque diminuem a produção da leptina (hormônio da saciedade) e aumentam a da grelina, que estimula o apetite, sobretudo por alimentos calóricos, como doces e frituras.

A obesidade por si só é um dos maiores problemas de saúde pública da sociedade moderna e, principalmente, para quem sofre com os distúrbios respiratórios do sono. Em obesos com índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 35 kg/m2, a incidência de apneia do sono chega a ser de 12 a 30 vezes maior quando comparada com pacientes com peso normal. Essas condições aumentam significativamente o risco de a pessoa desenvolver doenças metabólicas tais como diabetes tipo 2, dislipidemia, hipertensão, além de facilitar o desenvolvimento de doenças cardiocirculatórias como aterosclerose (depósito de gordura nas artérias), derrames (AVC) e enfarte do miocárdio.

• Sono e depressão •
Dificuldades para dormir ou insônia são associadas a episódios de tensão pontuais, preocupações do dia a dia e ansiedade. Porém, o distúrbio do sono pode estar relacionado a uma manifestação de alteração psicológica, doença psiquiátrica ou neurológica. Pessoas com quadro de depressão, por exemplo, possuem alteração considerável no sono. Mas, ao contrário do que se pensa, a depressão não leva à falta de sono prolongada por toda a noite. O sono geralmente chega em horários regulares e a pessoa tem o despertar precoce, por volta das quatro ou cinco da manhã, com dificuldade em conciliar novamente o sono a partir daí. Pela manhã, levanta fatigada e indisposta, com um mal-estar e falta de motivação que persistem por todo o dia. Pacientes com doença bipolar também relatam insônia quando se encontram com quadro de depressão ou ainda sintomas de hipersonia, com dificuldade de despertar e sonolência excessiva diurna.