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terça-feira, 17 de maio de 2016

Peça dirigida por Jô Soares fala da relação entre Salvador Dalí e Freud

FABIANA SERAGUSA


E
Jô Soares mergulhou no relacionamento improvável entre Freud (1856-1939) e Salvador Dalí (1904-1989) para dar forma à peça "Histeria", que estreia no dia 30/4 no Tuca e marca seu retorno à direção teatral após quase três anos —o último trabalho foi "Três Dias de Chuva".
Ele diz que pouca gente sabe da forte conexão entre essas duas personalidades —foi uma descoberta para ele próprio durante as pesquisas, afirma. "Achei que era uma fantasia da cabeça do autor, mas é tudo baseado em fatos."
Escrita pelo britânico Terry Johnson, a comédia parte de um encontro real entre o pai da psicanálise e o pintor surrealista, ocorrido em 1938, para criar uma trama delirante que mistura vários estilos.
Priscila Prade/Divulgação
Antonio Petrin (esq.) e Cassio Scapin são Freud e Dalí na nova comédia dirigida por Jô Soares
Antonio Petrin (esq.) e Cassio Scapin são Freud e Dalí na nova comédia dirigida por Jô Soares

"Vai da farsa mais louca ao drama mais profundo e volta à farsa enlouquecida", diz Jô. E completa: "Isso exige muita agilidade dos atores; não só mental, mas também física".
Antonio Petrin interpreta Freud, que acaba de escapar da Europa nazista e se instala em Londres, à beira da morte.
Quando recebe a visita de Dalí, vivido por Cassio Scapin, suas certezas começam a ser questionadas —e outras duas figuras colaboram para isso: um médico judeu (Milton Levy) e uma menina misteriosa (Erica Montanheiro) que contrapõe realidade e inconsciente.
"Cada personagem se encaixa com cada ator, inclusive do ponto de vista visual", diz o humorista, que atualmente realiza a última temporada de seu "Programa do Jô" na TV Globo.
A tradução de "Histeria", que chegou a ser dirigida por John Malkovich em 2004, também é assinada pelo apresentador, que já planeja montar um Shakespeare no segundo semestre: "Tróilo e Créssida."
E sobre atuar? "Sempre que monto um espetáculo, fico atraído como ator", afirma. "Já fiz sete solos e gostaria de completar oito, porque os programas estão pendurados na parede aos pares e falta um buraco para completar; isso é o que mais me motiva a fazer mais um."
Tuca. R. Mte. Alegre, 1.024, Perdizes, tel. 3670-8455. 672 lugares. Estreia: 30/4. Até 31/7. Sex.e sáb.: 21h. Dom.: 19h. Ingr.: R$ 50 a R$ 80. Ingr. p/ 4003-1212 ou ingressorapido.com.br. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

BIRDMAN (OU A INESPERADA VIRTUDE DA IGNORÂNCIA)

http://cinefreudiano.blogspot.in/2015/03/birdman-ou-inesperada-virtude-da.html



de Nilson Perissé
“De que falamos quando falamos de amor?” é uma questão proposta num livro de contos de autoria de Raymond Carver, escritor norte-americano falecido precocemente de câncer aos 50 anos. De certa forma, em torno dessa obra gira o filme “Birdman (ou a inesperada virtude da ignorância)”, do diretor mexicano Alejandro Gonzalez Inarritu, lançado em 2014.
De que falamos quando falamos de amor é uma pergunta que pode ter respostas distintas a partir do sujeito que a responde. Para os personagens deBirdman, amor parece estar associado a reconhecimento, ao olhar aprovador do Outro, olhar onipotente que dá sentido e pode legitimar uma existência. Riggan Thomson (Michael Keaton) é um ator hollywoodiano que, na década de 90, protagonizou três filmes blockbusters de um super-herói, o Homem-Pássaro do título. No protagonismo da franquia de sucesso, o ator ganhou seu passaporte para a fama e para o coração de milhares de espectadores que se apaixonaram pela trilogia. Ator e personagem se fundiram no imaginário social e, de certa forma, no imaginário de Riggan também. Tanto que, vinte anos depois, já velho e sem o physique du role apropriado para representar o herói, ele continua a ser atormentado pelo imaginário Birdman (que aqui bem representa sua divisão subjetiva) para participar de um quarto filme da série, ao invés de aventurar-se numa missão aparentemente suicida de reinventar-se como ator dramático na Broadway, numa peça adaptada, dirigida e protagonizada por ele (no caso, uma adaptação de “De que falamos quando falamos de amor?” de Raymond Carver). A tentação de voltar atrás e retomar um sucesso fácil nas telas não sai de sua cabeça ao longo do filme, mas, ironicamente, seus novos esforços de ator-escritor-diretor são apenas outra face de uma mesma busca - o reconhecimento de público e critica no circuito sofisticado do teatro novaiorquino. Mudam as identidades (ator de filmes de ação X ator dramático) e o outro (público de filmes-pipoca X público refinado do teatro), mas a busca é a mesma. Entre fugas alucinatórias nas quais se imagina com o poder de levitar, de projetar objetos contra a parede ou mesmo voar, Riggan quer ser amado - não apenas como ator legitimado pelo talento, mas também como pai, pelas vias de um tardio reconhecimento da filha Sam (Emma Stone), e como marido, através de fracassadas tentativas de retomar o casamento com a ex-mulher Sylvia (Amy Ryan).
Mas Riggan não está só. Lesley (Naomi Watts), uma das atrizes que participa de sua peça, segue a mesma trilha, vendo na possibilidade de pisar num palco da Broadway a aspiração maior. Ao longo da narrativa, porém, ela demonstra um certo estranhamento, como se a proximidade da realização de sua ambição profissional não trouxesse o contentamento esperado ou a fizesse perceber-se diante da nudez do seu próprio enigma (ainda não era isso, diria Lacan). Mike Shiner (Edward Norton), outro ator da peça, leva ainda mais longe a questão - impotente na vida real, tem uma ereção enquanto atua, da mesma forma que só se sente verdadeiramente vivo quando representa um papel diante da plateia (aqui metaforizada como o Outro ou o objeto olhar).
Não é apenas com esses personagens que Birdmanbrinca com a tentação fácil do prestígio, do poder, do dinheiro e do amor dos fãs. Num divertido, porém melancólico momento do filme, Riggan tenta substituir um dos atores de sua peça por algum artista talentoso, porém todos de quem lembra estão ocupados com projetos blockbusters: Woody Harrelson está filmando a franquia “Jogos Vorazes”, Michael Fassbender está ocupado com os filmes dos “X-Men”. Ironicamente, mesmo os atores reais de Birdman têm currículos semelhantes: Naomi Watts atuou em King Kong, Emma Stone em Homem-Aranha, Edward Norton foi Hulk e o próprio Michael Keaton protagonizou dois filmes deBatman.
A psicanálise nos alerta que a constituição subjetiva não se dá apenas por olhar o outro (espelhar-nos num pai, num irmão, ou numa figura representativa de nossas relações), mas também pelo olhar do outro. Lacan lembra que tornar-se sujeito passa ainda pelo momento em que a criança, mirando-se no espelho, volta-se para a mãe e a olha como que pedindo que aquela autentique sua descoberta. Será no reconhecimento da mãe, que reagirá dizendo algo como “Sim, é você, Pedro”, que confirmará para a criança a ideia do “sou eu”. Lacan dirá: “É desse lugar que depende o fato de que tenha direito ou defesa de se chamar Pedro” (O Seminário: Livro I, pág. 97).
A necessidade de ser alguém para alguém, de ser legitimado, de ter uma identidade reconhecida (segundo os analistas da obra de Raymond Carver, temáticas presentes nos textos deste autor) perpassa toda a tessitura deste Birdman, porém com um enfoque realista. Não se trata aqui dos tradicionais filmes nos quais o personagem central luta para provar seu talento e ao final é reconhecido e aclamado por uma crítica severa e exigente, porém justa. Em Birdman, o valor da adaptação teatral que estava sendo encenada não será medido por suas próprias virtudes, mas pelo olhar que lhe será depositado através de uma poderosa crítica do caderno cultural do New York Times, Tabitha Dickinson (Lindsay Duncan). Esta personagem secundária tem apenas uma pequena participação no filme, mas oferece importantes elementos de reflexão, pois assemelha-se a um supereu autoritário, exigente, cruel, impossível de ser saciado, motivada que ela está por razões diferentes de um critério de justiça – no fundo, guiada por seus próprios preconceitos. Também é significativo que a personagem não passe de uma mulher envelhecida, solitária e amarga, feia como “alguém que lambeu o rabo de uma cabra” (conforme comparação feita no filme). Essa crítica tem na história – como o supereu na vida – o poder de erguer ou demolir a produção artística alheia, mas não se sustenta como autoridade detentora de uma verdade, apenas como semblante instituído pela via simbólica de um jornal de prestígio. Birdman mostra que, ao fim e ao cabo, o Outro que me destrói ou me legitima não é autoridade de nada, apenas alguém que eu, por minhas próprias razões, legitimo nesse lugar e dou consistência.
Riggan Thomson, então, se dá conta do vazio e da inconsistência desse reconhecimento. Em momentos nos quais recapitula seu passado, lembra da fase em que foi aclamado, rico e invejado – sintomaticamente, uma fase na qual, esvaziado de motivação e desejo de viver, tentou o suicídio por afogamento. Ele identifica que, nos momentos em que parecia que havia conquistado tudo, seu casamento ia mal, o papel de pai era insípido e o vazio era tamponado com a bebida.
Porém, elaborar e compreender seu percurso através desse prisma não lhe traz iluminação nem paz. Ao contrário, faz parecer – como diz o subtítulo do filme - que a ignorância é, de fato, uma virtude inesperada. Riggan não pode voltar ao passado e recuperar o casamento desfeito nem preencher as lacunas de convivência com a filha cujo crescimento não acompanhou. Projetar-se no vazio do alto de um prédio ou da janela de seu quarto de hospital parece ser o símbolo máximo da dificuldade em lidar com o próprio desencanto, e ainda que possa não fazê-lo realmente, ele assim alucina. Incapaz de inventar sua própria solução, ele busca saídas na bala de uma arma ou na inveja pelo voo alienado e anônimo de uma ave em meio ao bando.

O desfecho da trama é ambíguo e sujeito a múltiplas compreensões. Porém, mais importante que encontrar uma interpretação genial e definitiva é contemplar Riggan como qualquer homem contemporâneo perplexo diante de seus impasses. Mais que um homem dividido entre um personagem imaginário (Birdman) e um personagem atormentado pelo Real (o personagem do texto de Raymond Carver a quem dava vida na peça): Riggan Thomson é cada um de nós que se procura e se perde em equivocadas buscas de poder, reconhecimento, popularidade e prestígio – ou naquilo que falamos quando falamos de amor.

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

CineFreudiano: Mary e Max / Um vidro de lágrimas e o poder da transferência.

do site CineFreudiano

de  Mirelle Araújo
Pra começar preciso dizer que é impressionante como a gente esquece, logo após os primeiros minutos de filme, que é um desenho, que é um filme de animação em stop motion.
Quis pensar esse filme com vocês pela sutileza com que ele trata de assuntos tão graves, tão violentos: solidão, depressão, sexualidade, suicídio, desamparo, compulsão, drogadição, bullying, fobia, síndrome de asperger. E as descobertas infantis de como funciona o mundo.
Cometi o ato filosoficamente esperançoso de lançar mão dele numa atividade em sala de aula para crianças agitadas de 10 anos, numa certa escola de ensino fundamental em Goiânia; foi um desastre. Aquilo podia até parecer desenho animado, e por isso achei que os capturaria, mas foi no só depois que percebi o quanto era “des-animado”, no melhor sentido do termo, se é que me entendem. Aquilo não era coisa pra criança(?). Um filme praticamente todo narrado, com alguns poucos diálogos, com um humor nada convencional e profundamente filosófico. Coisa talvez exigente demais pra quem está mergulhado no automaton do dia a dia, ainda mais para aqueles jovenzinhos tão jovens, tão touchscreen, contando os segundos para o sinal bater e saírem correndo e alvoroçados da sala de aula, onde tinham uma professora metida a criação de Ziraldo “professora maluquinha”. Fiquei murchinhaaaa depois que eles se foram. Pensando o quanto aquilo era bonito de se ver e de se entender… E não tinha funcionado.
“De onde vêm os bebês?”, é o que Mary pergunta em uma das cartas que envia ao novo amigo desconhecido “sorteado” no catálogo telefônico…   É claro que essa pergunta infantil vai nos remeter a todas aquelas curiosidades infantis tão exploradas por Freud ao analisar os pequenos, fonte de boa parte da construção da psicanálise. Mas esse é um filme pintado com os tons da Melancolia e que vai falar, à primeira vista, de amizade e da força desse laço. A ‘amizade diferente’, como é intitulada, enlaçada via cartas nos remete à comparações com o que vivemos hoje na nova forma virtual de nos relacionarmos ou na nova forma virtual que inventamos de não nos relacionarmos.
Mary e Max também nunca se viram, se não por cartas e objetos enviados, e por duas décadas se corresponderam dando bastante tijolo e cimento ao imaginário. Talvez o que tenha me frustrado tanto é que as crianças da sala de aula do ensino fundamental 2 ainda não podiam ver o que a minha criança crescida via ali, à segunda vista: um verdadeiro tratado sobre a solidão.
Mas antes de qualquer coisa, e foi o que me capturou, é um filme que vai nos falar da necessidade de falar de si e do que isso realiza enquanto processo, o que vai sempre nos remeter àquilo em que está a nossa principal crença enquanto analistas, a talking cure, a cura pela fala. A saber, a fala ao analista, aqui ausente. Apesar disso, lá estavam eles, associando livremente.
Então temos a australiana de 8 anos e o novaiorquino de 44. Sépia e Cinza. E o que faz a história ainda mais curiosa é a improbabilidade desta conexão, mas que acha encaixe, faz encontro, quando esbarram no que lhes é comum, a falta, personificada ali pelo que estou chamando de solidão. Acabaram encontrando um no outro o apoio que precisavam para serem aceitos como são, em sua alteridade.
Isso vai comparecer para os dois personagens, apesar das estruturas psíquicas distintas (neurose e psicose) como um espelhamento, e aí estamos mesmo falando de identificação. E é Impossível que também nós não nos identifiquemos com eles, porque estão ali falando é do nosso buraco, de temas conhecidos e experimentados na subjetividade de cada um. Mas não é sempre isso que a arte nos propõe? Que você esteja ali diante dela com o seu UM e que se perca nisso e, ao mesmo tempo, se encaixe. Cada um com sua manchinha de cocô menor ou maior, com os seus quadris implicados, suas compulsões, medos e desejos etc e tal. Assim, essa amizade se consolida em 20 anos por cartas que atravessam mares, cheias de questões existenciais… e muitos doces.
Na tentativa de dar sentido às próprias angústias de inadequação, cada qual em um contexto, é o desejo de cada um que os move, comparecendo como causa do encontro de suas vivências. Impossível também não fazer um paralelo com a contemporaneidade onde todos estão conectados e cada vez mais solitários. Se o imaginário é também o paraíso das idealizações, não só das identificações, o que “quebra o espelho” de Max é a transformação de Mary que, ao deixar de ser criança, profissionaliza-se, escreve um livro sobre “ele”, ou sobre a “doença dele” e o envia. Para ela, um ato de amor, para ele uma pedra arremessada neste espelho, um insulto, uma queda, uma decepção, um corte.
Nesse momento, para Max, Mary deixa de estar à frente, para estar de fora, na vitrine, produzindo um estudo sobre o outro que ele é. Neste ato ele é deslocado do lugar de melhor amigo, daquele que corresponde, o “correspondente”, para estar no lugar de objeto de estudo. Aparece um terceiro que vem como discurso da mestre Mary. E isto é o que não estava “combinado”. E sabemos como isso pode perturbar um Aspie, como pode ser perigoso o que está fora da margem de controle dele, o que está fora do ritual, o que desorganiza o “seu método”.
E quem é Mary? Mary é um “acidente”. É assim que é dita pela mãe. Cansada de ser ignorada pelos seus genitores, cada um afundado em seu manjar de drogas, é ela quem inaugura esta conexão ao escolher aleatoriamente, em um catálogo telefônico, o endereço de Max. Resolve que será para esse sujeito, de quem nada sabe, pra quem irá demandar suas dúvidas e confiar seus medos e segredos. Todos eles. Tão tal e qual fazemos quando elegemos um analista, para quem vamos levar o nosso vidrinho (de lágrimas).
Max está às voltas com seu Asperger, com sua maneira particular de perceber o mundo e consequente entrave em fazer laços sociais, vai se arranjando com seus chocolates também em um mundinho particular, mas é tocado por Mary (essa que apareceu para perguntar e para lhe “escutar”) de tal forma que isso passa a ser o centro de sua vida isolada. E nada o define melhor que sua própria definição: “A vida de todo mundo é como uma longa calçada. Algumas são bem pavimentadas, outras são como a minha: têm fendas, cascas de banana e bitucas de cigarro”. Ele sabe o que é ser um Max e diz: “Eu gosto de ser um Aspie.”
Mas o encontro de Mary e Max, que é um encontro de amor, é uma batida tão violenta que leva Max à loucura, literalmente. Ao mesmo tempo que o salva. Até o problema das lágrimas, Mary deu um jeito de “resolver”. Alguém consegue imaginar uma cena mais poética do que essa, quando ela o envia suas lágrimas em pote de vidro? Lágrimas doadas para Max, que não podia chorar… É o real, ali tentando se ajeitar em gesto. Esta é uma cena que eu chamei de “paralisante”. Poderia até terminar o filme ali. Mas ele segue…
E se amar é dar o que não se tem, como nos diz Lacan, foi isso que fez Max. No final, ao se aproximar literalmente, fisicamente dele, Mary fica estarrecida com a foto dela no espelho (uma bela metáfora do que lhes falei – o que chamei de espelhamento) e depois percebe que ela está por toda casa, por todos os espaços. Menos na máquina de escrever, veículo que possibilitou o encontro entre os dois, que teve um M arrancado, marcando assim de forma tão rigorosa a falta. A falta como presença daquilo que não cansa de se repetir.
No final ao encontrá-lo ali morto, Mary chora também de alegria. Ali são dois encontros. O encontro com Max e consigo mesma. O encontro de uma vida. Vale a pena ver essa obra, nem que seja pela carta final que Max escreve à Mary.
E o autor encerra com essa frase “Deus nos dá familiares…Graças a Deus que podemos escolher nossos amigos”.  E todos nós dizemos baixinho : “amém”.
“A Psicanálise é, em essência, uma cura pelo amor.” Freud
“O resto é sempre no destino humano, fecundo.” Lacan
“É preciso poder compartilhar sua lata de leite condensado.” Mirelle Araújo
Trailer Oficial

Mirelle Araújo é Psicanalista membro do NAEPP -Núcleo de Atendimento, Estudo e Pesquisa em Psicanálise, Goiânia-Go- Graduada em Psicologia pela Puc Goiás; pós-graduada em Psicanálise pela Universidade Santa Úrsula-RJ; pós-graduação em Neuropsicologia pela USP; pós-graduada em Psicodiagnóstico Infantil pelo Instituto Persona, Goiânia-Go. Site: www.naepp.com.br

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

NORMAN BATES INTRODUÇÃO - NORMAN E NORMA: A ENCARNAÇÃO DO ÉDIPO FREUDIANO


Norman Bates com certeza é um dos personagens mais enigmáticos do cinema. Sua relação com
 sua mãe, Norma Bates e sua patologia são um enigma que desafiam até hoje desde curiosos até
 os psiquiatras. Esta é a primeira parte de uma análise da sua personalidade, que passará desde
 sua infância até a vida adulta, concluindo com um bônus sobre Ed Gein, o psicopata que inspirou
 Hitchcock. Nesta primeira etapa será apontado o pontapé das patologias que rondam a família 
Bates à luz do conceito do Édipo Freudiano.


Norman_Bates.jpg
Como todos sabem, cinema e psicologia possuem uma forte ligação, pois a arte e a vida vivem 
numa confusa relação, de modo que uma não é capaz de existir sem a outra, como já nos
 apontava Nietzsche. Nesta série, pretendo analisar o perfil psicológico dos grandes vilões do 
cinema e da vida real, de forma que seja possível entender como aquele jovem inocente com 
cara de mocinho pode se tornar um monstro sem escrúpulos ao longo da história. O mais 
interessante será mostrar como essa realidade não passa longe da nossa própria psiquê 
(e enchendo vocês de spoilers hahaha). Então, mãos à obra!
O primeiro personagem sobre o qual me debruçarei será Norman Bates, protagonista do lendário
 "Psicose" (Psycho) de Hitchcock. A trama, datada da época de 60 parece ser mais um velho filme 
sem efeitos especiais de qualidade e monótono, afinal não passa de mais um filme em preto e 
branco. Era o que eu pensava. Após assistir o seriado Bates Motel (sobre o qual falarei
 futuramente), que retrata a vida do jovem Norman durante sua adolescência utilizando elementos
 do enredo original, percebi o grande potencial da trama em relação ao conteúdo psicológico que 
carrega. Após comentários sobre a mesma em minhas aulas de psicanálise, resolvi assistir o filme
 original. Não consegui desgrudar os olhos da tela. Para minha surpresa, Hitchcock era realmente
 um gênio do suspense (Parabéns André! Ninguém jamais pensaria nele dessa forma se não
 fosse por você). A trama é extremamente bem construída e te prende do início ao fim num
 suspense composto de personagens bem elaborados com cenas sem delongas, sem mimimi, 
sem cadeiras que balançam do nada ou janelas que se batem. O terror psicológico vem do fato de
 você não saber do que cada personagem é capaz; aliás depois você percebe que não sabe nada
 sobre nenhum deles, o que deixa o espectador totalmente a mercê da trama.
psycho1.jpg
Quanto a personalidade de Norman e de sua mãe Norma, por serem extremamente complexas
 dividirei este artigo em partes:
Introdução: Norma & Norman: A encarnação do Édipo Freudiano
Parte I Infância de Norman: Você é tudo para mim e eu sou tudo para você
Parte II Adolescência de Norman: Você é uma garotinha, Norman! Por isso não pode me desejar!
Parte III Bates Motel
Parte IV Vida adulta: "Yes, mother"
Bônus: Um pouco sobre Ed Gein, o assassino que inspirou o cinema
Vamos então discutir a relação entre Norman e Norma Bates, o que servirá de prelúdio para
 compreender a trama. Apresentarei os fatos segundo os filmes da sério Psycho e, como acabei
 de mostrar, farei uma parte falando sobre a série Bates Motel, uma vez que a mesma não
 pertence a série de filmes original e apresenta algumas alterações no enredo. Norma Bates é 
uma personagem intrigante. Uma jovem mãe solteira que cria seu filho Norman num motel à beira
 de uma rodovia que no decorrer da série deixa de ser rota principal devido à um desvio, o que faz
 seu empreendimento ir de mal à pior num piscar de olhos. Até este ponto tudo parece normal.
 Porém ao analisarmos melhor a vida de Norma Bates durante a trama, veremos na mesma e nas
 suas relações diversas problemáticas que irão influir na personalidade doentia de seu filho, a 
começar pelo próprio nome.
A proximidade do nome é intencional; Norma e Norman são tão próximos que chegam a parecer 
uma única pessoa. Este tipo de relação entre os dois é que dará margem para a psicose de
 Norman. Uma vez que Norman era tudo para sua mãe, que nesta altura estava sozinha no
 mundo, ela também era tudo para ele. A relação de ambos pode ser considerada incestuosa,
 uma vez que podemos considerar o incesto como uma relação parental em que não são definidos
 os limites de cada pessoa da relação. Ou seja, Norma e Norman se confundem, como se um
 fosse extensão do outro; este comportamento tomará forma nítida no comportamento psicótico de
 Norman, que nunca superará sua mãe, levando ela consigo em um quadro patológico onde ele 
não é capaz de discernir sua personalidade de sua própria mãe.
Psycho-still.jpg 
Um ponto forte da trama, que tomará maior ênfase na adolescência de Norman será o édipo que 
existe na relação entre os dois. Reza a lenda grega que o oráculo de Delfos havia previsto que o
 filho do rei mataria seu pai
 e casaria com a mãe. O rei imediatamente manda matar a criança, que acaba vivo graças à 
piedade do carrasco. Anos mais tarde esta criança, agora chamado Édipo se tornará um exímio
 guerreiro que comandará tropas contra o rei grego. Assim Édipo mata seu pai biológico e
 desposa a rainha sua mãe e cumpre a profecia. Ao ser informado que era filho biológico do rei e 
de toda a profecia, Édipo enlouquece e fura seus olhos, decidindo vagar pelo mundo até cumprir
 sua pena. Na psicologia Freud aponta um processo conhecido como Complexo de Édipo, no qual
 as crianças tendem a se identificarem mais com o genitor do sexo oposto e rivalizar com o do
 mesmo sexo. Faz então uma analogia onde existem etapas de processos onde, por exemplo,
 o menino deveria matar simbolicamente o próprio pai para se constituir homem; há um
 simbolismo de matar os pais, por exemplo ao sair de casa e se tornar alguém que viva por sí e 
não mais uma extensão de outra pessoa.
Norman Bates nunca teve êxito neste processo. Embora sua relação com sua mãe fosse 
conturbada em alguns momentos, podemos ver o mesmo agindo de forma servil na cena seguinte
. Norman jamais superou sua mãe em nenhum sentido. Mesmo após a morte da mesma ela 
continuava viva para ele, influenciando seu comportamento com ordens diretas do que ele
 deveria fazer. Sua mãe sempre possuiu um comportamento extremamente agressivo e autoritário
, realizando punições diversas que acabariam por impedir que Norman pudesse superá-la.
 Norma Bates era uma mulher forte, ferida pela vida e que teve de criar seu filho sozinha,
 gerindo um motel falido no meio do nada. Era um mulher tão forte que tornou impossível a 
missão de Norman de se tornar um adulto completo, livre do jugo parental e ciente de sí e de sua 
própria identidade.
Devido ao pouco contato com outras pessoas, Norman acaba por ficar preso num círculo familiar
 que é patológico; a falta de relação com outras pessoas contribui muito para que sua 
personalidade seja moldada apenas pela sua mãe, sua única família. O comportamento ciumento
 da mãe em relação a Norman também agravará o processo, impedindo que o mesmo canalize
 seus desejos sexuais para qualquer pessoa se não sua própria mãe. Norma, por outro lado, 
parece ter uma vida mais ativa ao ponto de encontrar um novo amante. E é neste momento que
 toda a atividade psicótica de Norman tomará forma... Esta é apenas a primeira parte que servirá 
como introdução para a série. No próximo artigo, falarei mais sobre a infância de Norman e
 porquê ela foi fundamental para a construção da sua personalidade.



© obvious: http://obviousmag.org/a_psicologia_do_cinema/2015/norman-bates-i---norman-e-norma-a-encarnacao-do-edipo-freudiano.html#ixzz3jMjjnqDw 

sábado, 1 de agosto de 2015

O psicanalista Pedro de Santi escreve sobre ELENA

Ontem (09.05), o psicanalista Pedro de Santi participou de um debate (promovido pelo jornal Folha de São Paulo) com Petra Costa e Carolina Ziskind, a diretora e roteirista de ELENA, respectivamente. O evento foi no Espaço Itaú de Cinema e aconteceu depois de uma sessão gratuita do filme, que estreou hoje.
Pedro de Santi, que é mestre em Filosofia pela Universidade de São Paulo, doutor em Psicologia Clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo e professor da especialização em Teoria Psicanalítica da COGEAE/PUC-SP, além de  autor dos livros “Desejo e adição nas relações de consumo” (Zagodoni, 2011)e “A construção do eu na Modernidade” (Holos, 2005), entre outros, escreveu um texto sobre ELENA no blog Nota Alta e reproduzimos abaixo.
“O documentário é produzido e narrado em primeira pessoa, em tom poético e coloquial. Trata-se de um documentário bastante premiado, que tem feito o circuito de festivais e entra em circuito comercial em maio.
A primeira dificuldade de falar sobre ele é o grau de exposição em primeira pessoa daquela que é a um só tempo diretora, co-roteirista e personagem: Petra. Falar sobre este filme é falar sobre as pessoas que nele aparecem. Sabemos que toda forma de expressão traz a marca do sujeito que a produziu, mas, em geral, há certa elaboração e simbolização de modo que aquilo que é pessoal se disfarce relativamente e o produto artístico transcenda o artista e alcance as demais pessoas. Diz uma lenda que Salvador Dali, quando jovem, apresentou-se a Sigmund Freud. Há alguns esboços de retrato impressionantes feitos por Dali. O surrealismo adorava a psicanálise, por considerar que ela atribuíra legitimidade à loucura. Depois da partida do jovem pintor, Freud teria dito que admirou a técnica do pintor, mas não o considerara um artista, uma vez que o surrealismo não seria uma elaboração do inconsciente, mas a expressão direta dele.
Tirando o exagero daquela avaliação, tive uma impressão semelhante ao presenciar (ou testemunhar?) a privacidade dos vídeos familiares presentes no filme. É ao mesmo tempo uma trabalho artístico e a “coisa mesma.” O trabalho se revela nas filmagens, montagens, texturas, construção narrativa; o filme é um muito bom tecnicamente. Mas o limite entre o trabalho artístico e a exposição pessoal desaparece. Tive a experiência de ser e não ser convidado a privar de uma experiência íntima.
Petra assiste aos filmes da irmã, nós assistimos com ela e nos vemos incluídos na experiência. Aparentemente, esta é grande força da narrativa: a capacidade de trazer o espectador para a experiência das personagens e evocar suas próprias perdas, angústias, medo da morte.
O motor do filme é a paixão de Petra por sua irmã, 13 anos mais velha, Elena. Paixão é bem a palavra: na seleção de cenas e locução, transparece a fascinação pela irmã mais velha, espelho e modelo do que Petra deseja e aspira ser. Mas este espelhamento se transforma em temor de destino, uma vez que a irmã se mata aos 20 anos. Esta morte torna-se um enigma e Petra passa a perseguir a compreensão do ocorrido. Toda a história familiar é revista e ressignificada: o farto material filmado é uma fonte essencial desta busca.
O material de vídeo começa a ser produzido quando a família sai da clandestinidade em que viveu nos anos 70, à época da ditatura. É como se a família passasse a existir, então, e quisesse guardar o registro e prova disto. Os vídeos deixam de ser feitos quando Elena se torna adolescente e se distancia relativamente da vida familiar, quando os pais se separam. A ausência do pai é gritante. Algo que passara a existir quando a família saiu da clandestina desaparece, então.
Ao filmar este documentário, Petra trás de volta certo plano de existência da família.
Conforme o tempo passa, a irmã mais nova vai se tornando parecida fisicamente com a mais velha e uma fantasia passa a perpassar a mente de todos: será que ela terá o mesmo destino da irmã? Quando Petra “fica mais velha que Elena”, aos 21 anos, a mãe aponta o alívio e a constatação: uma não é a outra. A própria Petra, numa apresentação do filme, evocou o texto de Freud, O estranhamente familiar (Das Unheimliche, 1919) sobre a figura do duplo. Ao ler os diários da irmã, pareceu-lhe estra lendo o próprio diário. A estranhesa da experiência é potencializada pelo terror de se ver seguindo o destino da irmã.
Com a confirmação de que não havia identidade, mas identificação, Petra parece liberta para incorporar e transformar parte dos sonhos da irmã. Ela transgride uma demanda da mãe e se torna cineasta em Nova York. Elena segue sendo o objeto privilegiado das imagens, e Petra segue sendo predominantemente o olhar fascinado de quem produz e dirige, ainda que ela apareça no filme e faça sua locução.
Ao longo do filme, vai havendo uma transfiguração poética. Conforme o próprio luto de Petra vai sendo trabalhado, a morte de Elena passa gradativamente a ser referida à morte de Ofélia, personagem da peça Hamlet, de Shakespeare. Ofélia se mata, enlouquecida, após ter seu amor renegado por Hamlet e o pai morto banalmente pelo mesmo. Seu irmão – Laerte- estava ausente e ela se vê abandonada. Nas interpretações psicanalíticas, particularmente de Lacan, Ofélia se sente desqualificada e esvaziada como um objeto, privada de palavra e desejo, até se anular: o suicídio é a firmação do vazio que em que se tornou. A nota que Elena deixou na máquina de escrever logo antes de se suicidar evoca este vazio. Elena e Ofélia compartilham o suicídio, mas Elena tinha a mãe e irmã muito presentes. Enigma.
E se Ofélia é evocada na narrativa, Petra se posiciona como Hamlet, angustiada e culpada. Com Petra, a longa elaboração do luto parece ter sido melhor sucedida: ela não se tornou Elena, Ofélia ou Hamlet, mas transformou seu trauma em memória e sua dor em arte, sublimando-a.
Quanto à mãe, ela também sonhara com o cinema americano; embora já seja um clichê psicanalítico, o desejo não realizado da mãe é sempre impresso como demanda inconsciente nos filhos. Aqui, o documentário lembra grandes filmes, também perturbadores, como Cidade dos sonhos (Mulholland drive, 2001) de David Lynch ou Cisne negro (Black Swan, 2010), de Darren Aronofsky, mas tudo sobre um denso material auto-biográfico.
O documentário se modula em ficção. As imagens são belíssimas, com corpos que boiam e se deixam levar pelo fluxo de um rio, como na morte de Ofélia.
A presença da mãe das irmãs também boiando é de arrepiar. Numa cena de reconstituição de como encontrou Elena morta, em seu apartamento, a mãe não se contenta em descrever a posição, mas deita-se ocupando a posição em que encontrou a filha. É basicamente a mesma posição em que as mulheres boiam no rio. Uma imagem bela e muito forte.
O cinema nacional tem feito esforços variados na direção de se afirmar artística e comercialmente. Acompanhamos há pouco o debate entre Kleber Mendonça Filho, o diretor de O Som ao redor (2012)- premiadíssimo, mas de sucesso comercial mediano- e a Globo Filmes, que tem produzido comédias rasas de sucesso. Bom será o dia em que esta oposição se resolver em compromisso.
A partir de maio, acompanharemos como será a recepção do público em geral a este filme, tão diferenciado e perturbador. A ver.
Elena. Documentário de Petra Costa.”

Fonte: Elena Fime

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Seminário sobre a Obra de Jacques Lacan, com Christian Dunker, gratuito. usp

Olá pessoal,
Aqui vai o programa de meu Seminário aberto lá no Instituto de Psicologia da USP para este segundo semestre:
Caros participantes do Seminário sobre a Obra de Jacques Lacan,
Este espaço aberto, público e gratuito acontece desde 2001, sempre enfatizando as referências e contextos no decorrer do ensino de Lacan. Ele constitui uma atividade conjunta do Latesfip (Laboratório de Teoria Social, Filosofia e Psicanálise da USP) e da Escola dos Fóruns do Campo Lacaniano.
No semestre anterior vimos como Lacan se vale dos sofistas e de um conjunto de novos conceitos cruciais da psicanálise para formular esta menos conhecida definição: “O inconsciente é um saber cujo sujeito permanece indeterminado.” (Seminário XII Problemas Cruciais para a Psicanálise, lição de 19 de maio de 1965). Em nosso cinco encontros, que concluem a leitura comentada deste seminário de Lacan, nos deteremos na relação entre a nomeação e o fantasma (sutura) a partir da função do objeto a, tal como ela pode ser isolada no modelo da Garrafa de Klein.
Nossos encontros serão em número menor do que o habitual neste semestre em função de dois eventos, que estamos organizando, e para os quais aproveito a ocasião para convidá-los:
1. Outrarte (Montevidéu) A historicidade não é o que se espera: Caso, Ficção e Poesia em Psicanálise (6 a 9 de outubro)
http://www.iel.unicamp.br/…/outrarte/xvjornadavi…/portugues/
2. Reunião Anual da Sociedade Internacional de Filosofia e Psicanálise (São Paulo - USP) Psicanálise e as Formas do Político
http://www.sipp-ispp.org/…/pdf_psychoanalysis_and_forms_of_…

Teremos cinco encontros semanais com início em 13 de Agosto de 2015.
Local: Instituto de Psicologia da USP, Auditório Carolina Bori (Bloco G) e Auditório Aurora Furtado (sala 20 Bloco de Aulas) dependendo do dia.
Horário: 12:30 às 14:00
Inscrições: no primeiro encontro
Contato: e-mail: chrisdunker@usp.br ou 3887-0781
Público, aberto e gratuito
13 de Agosto (aula 1) Conferência com Pedro Arévola
20 de Agosto (aula 2) Estrangeiro contra o Sofista: o simulacro e o fantasma
Lacan, J. (1964-1965) Seminário XII Problemas Cruciais para a Psicanálise Lição XX (26 maio de 1965) Edição Centro de Estudos Freudianos do Recife.
17 de Setembro (aula 3) O Não ser e o Real
Lacan, J. (1964-1965) Seminário XII Problemas Cruciais para a Psicanálise Lição XXI (02 de junho de 1965
24 de setembro (Aula 4) Sujeito, Saber e Sexo.
Lacan, J. (1964-1965) Seminário XII Problemas Cruciais para a Psicanálise Lição XXIII (16 de junho de 1965
01 de Outubro (aula 5) A Entzweiung de Lol V. Stein
Lacan, J. Seminário XII (1964-1965) Problemas Cruciais para a Psicanálise Lição XXIV (23 de junho de 1965
Texto em Francês Disponível em
http://staferla.free.fr/S12/S12.htm

terça-feira, 28 de julho de 2015

Nise da Silveira inspira espetáculo sobre doença mental no RJ

Nise da Silveira inspira espetáculo sobre doença mental

A atriz Fernanda Freitas interpreta bailarina que sofre surtos psicóticos; personagem encontra alívio na arte e na relação com um maestro

julho de 2015
VICTOR HUGO CECATTO
“Só o amor salva alguém da loucura”, escreveu a psiquiatra Nise da Silveira (1905-1999). A trajetória e as ideias da médica, que acreditava no potencial da arte para amenizar o sofrimento psíquico, inspiraram Pulsões, espetáculo que reúne música, dança e texto para representar a doença mental de forma lúdica e delicada.
A atriz Fernanda Freitas interpreta uma bailarina com psicose que encontra alívio nos movimentos
 da dança e na relação amorosa com um maestro. Uma sucinta orquestra com piano e violoncelo
 forma, de acordo com a diretora Kika Freire, um terceiro personagem que influi nas emoções do casal.
 A renda de uma das sessões será revertida para a Casa das Palmeiras, no Rio de Janeiro, instituição de
 reabilitação de ex-internos psiquiátricos criada por Nise.
Pulsões.Teatro Poeira. Rua São João Batista, 104, Botafogo, Rio de Janeiro.
De quinta a sábado, às 21h. Domingo, às 19h.
R$ 60 (quinta e sexta) e R$ 80 (sábado e domingo).
Até 30 de agosto.

Esta matéria foi publicada originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, disponível na Loja Segmento: http://bit.ly/1epW4DO

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Emoções de pré-adolescente ganham vida em Divertida Mente


Filme faz menção a conceitos da neurociência, como a influência dos sentimentos sobre a formação de memórias.
Riley, de 11 anos, é uma garota calma e feliz, mas passa por um intenso estresse quando muda de cidade com a família. Dentro de sua cabeça, numa verdadeira mesa de operações, suas emoções – Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo e Medo – estão muito ocupadas tentando gerenciar seu processo de adaptação. A confusão começa quando uma delas, Tristeza, resolve mexer num setor onde não devia: o armário que guarda as memórias de Riley. Assim se inicia Divertida mente (Inside out, 2015), animação da Disney Pixar em cartaz nos cinemas.
Inspirado em conceitos da neurociência, como a influência das emoções sobre o registro de fatos na memória, o filme retrata o conturbado processo de amadurecimento do cérebro adolescente e evoca temas complexos, como a depressão. No caso, os altos e baixos de Riley são causados pela atrapalhada alternância das emoções no momento de crise.
Esta matéria foi publicada originalmente na edição de julho de Mente e Cérebro, que pode ser adquirida na Loja Segmento: http://bit.ly/1epW4DO

Fonte:http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/emocoes_de_pre-adolescente_ganham_vida_em_divertida_mente.html


terça-feira, 21 de julho de 2015

Filme completo do Caso Schreber de Freud!



Filme baseado na autobiografia de Daniel Paul Schreber. Traduzido pelos alunos do curso de Psicologia da Universidade Federal de Campina Grande.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

Indicação de livro!


Seja ao candidatar-se a um novo emprego, buscar apoio para fobias ou compulsões, receber orientação sobre como melhorar o desempenho dos filhos na escola, a aplicação dos estudos da psicologia acompanham decisões e comportamentos a todo momento. Apesar disto, esta ciência ainda é uma área do conhecimento misteriosa para muitas pessoas.

Muito além dos estudos de Freud e Jung, O Livro da Psicologia traz um panorama completo e detalhado sobre essa ciência da mente e do comportamento. Nele, a psicologia é abordada a partir de suas raízes filosóficas (desde as reflexões feitas por Descartes, ponto de partida da noção fundamental de subjetividade) e fisiológicas (com destaque para o neurologista francês Jean-Martin Charcot e seu diagnóstico dos mecanismos causadores da histeria). O entrelaçar dessas duas áreas permitiu que, em 1879, fosse dado o primeiro passo para a constituição da psicologia como ciência por meio da criação por Wilhelm Wundt do primeiro laboratório de psicologia experimental na Universidade de Leipzig, na Alemanha.

O Livro da Psicologia, lançamento da Globo Livros, segue a mesma proposta de conteúdo e projeto gráfico de O livro da filosofia, obra que permanece há mais de 20 semanas na lista brasileira dos livros mais vendidos de não ficção. Seguido de uma perspectiva cronológica, e com o apoio de esquemas e gráficos, a publicação destaca autores e contextualiza suas descobertas, traz um glossário com os principais termos e teorias, além de conter um capítulo dedicado a apresentar os cientistas e psicólogos que ajudaram a aprofundar o conhecimento desenvolvido ao longo das décadas. O livro da psicologia é o mais atualizado livro sobre o tema, uma obra que despertará reflexões, destruirá preconceitos e instigará o leitor a buscar o autoconhecimento.