Mostrando postagens com marcador Complexo de Édipo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Complexo de Édipo. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 16 de maio de 2016

AS ESTRUTURAS CLÍNICAS NA VISÃO DA PSICANÁLISE

A Psicanálise afirma a existência de três estruturas clínicas: a neurose; a psicose e a perversão. A neurose, de longe a mais comum, atua no sujeito através do recalque: há um conflito com recalque. A psicose, com o mecanismo da forclusão, reconstrói, para o sujeito, uma realidade delirante ou alucinatória. Já a perversão, mantida através da denegação ou desmentido, faz com que o sujeito, ao mesmo tempo, aceite e negue a realidade, com uma fixação na sexualidade infantil.




Sigmund Freud ergueu o edifício da Psicanálise em alguns pilares, sendo o Complexo de Édipo talvez sua pedra angular. Como nascemos de um casal, formamos com ele um triângulo. Nesta configuração, cada elemento exerce uma função específica. A mãe é o primitivo objeto de amor. O pai, o representante da lei do desejo e responsável para que a lei seja aplicada. A criança transitará entre um e outro, atravessando diversas fases em seu desenvolvimento até que possa (ou não) constituir-se como sujeito desejante e de linguagem, inserido na cultura.
As estruturas clínicas, portanto, irão depender da atuação das figuras parentais, sendo que o pai, por sua presença ou ausência, por sua atuação ou omissão, terá um papel predominante. É função paterna provar à criança que tem desejo e palavra, autoridade e comunicação. Quando há falha na função paterna, as consequências sempre são devastadoras para a prole. O que determina cada estrutura clínica é, pois, como o sujeito encena, apreende e interpreta sua história diante das funções materna e paterna. Logicamente, podem estar implicadas tendências genéticas ou hereditárias, mas o que faz com que seja escolhida esta ou aquela estrutura é o modo como nossa história se desenrola diante de nossos olhos interiores.
Aquele (mas também pode ser aquela) que exerce a função paterna deve operar no filho o que a Psicanálise chama de “castração”. A castração separa o filho da mãe na unidade simbiótica primitiva. Sempre leva o sujeito à angústia da perda e da separação, mas também abre o caminho para a linguagem, a cultura, o desejo, o amor, a vida em toda a sua plenitude. Contra a angústia e o sofrimento causados por tal operação, a criança reagirá com mecanismos de defesa variados. É a predominância do mecanismo utilizado que determinará sua estrutura. Como apontado acima, os mecanismos são o recalque; a forclusão e a denegação ou desmentido.
Dito de modo simplificado, a neurose é uma patologia cujos sintomas simbolizam um conflito infantil recalcado. É uma maneira do sujeito se defender da castração a que foi submetido, numa fixação edipiana. Pode ser através da histeria; da fobia ou da neurose obsessivo-compulsiva. Na histeria, o conflito se mostra de modo dramático ou teatral, sob forma de simbolização através de sintomas no corpo: ataques ou convulsões; paralisias ou contraturas; cegueira ou outras conversões somáticas. Na fobia, que também pode ser vista como um sintoma histérico, o sujeito traduz a angústia primitiva da castração num pânico imotivado, frente a algo que, de fato, não oferece perigo. Difere, assim, do medo racional e objetivo. Já a neurose obsessivo-compulsiva é caracterizada por um conflito infantil e por uma fixação da libido na chamada fase anal do desenvolvimento.Freud, ao contrário de alguns psicanalistas mais modernos, acreditava na possibilidade de mudança de estrutura a partir do tratamento. Embora possa haver polêmica em torno deste assunto, o que se percebe, na clínica, é uma possível variação ou trânsito entre as neuroses, mas nunca na psicose ou na perversão. Há abrandamentos ou a chegada a certo equilíbrio. A escolha da estrutura, porém, não depende da vontade consciente do sujeito. O psicanalista francês Jacques Lacan afirmará que a linguagem é que nos determina. Porque tudo dependerá de como a criança integra os acontecimentos de linguagem que ocorrem à sua volta. Essa reação é pessoal, subjetiva, intransferível e insondável, uma vez que inclui nossas fantasias inconscientes desde o nascimento ou talvez até antes dele.
O termo psicose, em Freud, designa uma reconstituição delirante ou alucinatória, por parte do sujeito que não consegue chegar á simbolização e à linguagem. Freud sempre rejeitou a organogênese da psiquiatria e tentou esclarecer as motivações inconscientes que levam a essa estrutura. Podemos classificar as psicoses em: esquizofrenia; paranóia e psicose maníaco-depressiva. Na primeira, há incoerência de pensamento, do afeto e da ação, o “ensimesmamento” (ou autismo) e delírio/alucinação. Já a paranoia enfatiza um modo de compreender a realidade equivocado, caracterizado por um delírio sistemático, completo e a inexistência de deterioração intelectual. O maníaco-depressivo, hoje dito portador de “transtorno bipolar”, alterna momentos de grande agitação maníaca e outros de extrema melancolia, tristeza ou depressão.
O conceito de perversão sofreu modificações do início freudiano aos nossos dias. Não devemos confundir a estrutura perversa psicanalítica com as perversões listadas pela psiquiatria ou outras ciências e mesmo religiões. A perversão é, assim, uma renegação da castração, com fixação na sexualidade infantil. O sujeito aceita a realidade da castração paterna, que, para ele, é inegável; mas, ainda assim, diferente do neurótico, tenta desmenti-la e negá-la. Para Lacan, a perversão será detectada no discurso de cada um. O perverso se dá o direito de transgredir a lei e viver segundo seus próprios requisitos, enganando as pessoas. Numa linguagem popular, o perverso é um mal-intencionado.
O tratamento psicanalítico depende do diagnóstico por parte do Analista. Este deverá, após algumas sessões preliminares, determinar a estrutura do sujeito e como se dará a sua Análise a partir disso. Ater-se a tais estruturas é, portanto, uma ferramenta e um recurso importantes para o clínico. Todo o sucesso ou fracasso do tratamento depende, em grande parcela, do diagnóstico.


Escrito por: 
Paulo Emanuel Machado é psicanalista, escritor e professor. Tem dois romances publicados: A TEMPESTADE (Editora Scortecci, 2014) e VOCÊ NÃO PODE SER O OCEANO (Edição independente, 2015), ambos baseados em relatos de pacientes e alunos. O primeiro sobre abuso sexual; o segundo sobre a travessia difícil da adolescência. Também possui artigos publicados e contos em antologias. É de Salvador, Bahia, nascido a 10 de janeiro de 1960.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

NORMAN BATES INTRODUÇÃO - NORMAN E NORMA: A ENCARNAÇÃO DO ÉDIPO FREUDIANO


Norman Bates com certeza é um dos personagens mais enigmáticos do cinema. Sua relação com
 sua mãe, Norma Bates e sua patologia são um enigma que desafiam até hoje desde curiosos até
 os psiquiatras. Esta é a primeira parte de uma análise da sua personalidade, que passará desde
 sua infância até a vida adulta, concluindo com um bônus sobre Ed Gein, o psicopata que inspirou
 Hitchcock. Nesta primeira etapa será apontado o pontapé das patologias que rondam a família 
Bates à luz do conceito do Édipo Freudiano.


Norman_Bates.jpg
Como todos sabem, cinema e psicologia possuem uma forte ligação, pois a arte e a vida vivem 
numa confusa relação, de modo que uma não é capaz de existir sem a outra, como já nos
 apontava Nietzsche. Nesta série, pretendo analisar o perfil psicológico dos grandes vilões do 
cinema e da vida real, de forma que seja possível entender como aquele jovem inocente com 
cara de mocinho pode se tornar um monstro sem escrúpulos ao longo da história. O mais 
interessante será mostrar como essa realidade não passa longe da nossa própria psiquê 
(e enchendo vocês de spoilers hahaha). Então, mãos à obra!
O primeiro personagem sobre o qual me debruçarei será Norman Bates, protagonista do lendário
 "Psicose" (Psycho) de Hitchcock. A trama, datada da época de 60 parece ser mais um velho filme 
sem efeitos especiais de qualidade e monótono, afinal não passa de mais um filme em preto e 
branco. Era o que eu pensava. Após assistir o seriado Bates Motel (sobre o qual falarei
 futuramente), que retrata a vida do jovem Norman durante sua adolescência utilizando elementos
 do enredo original, percebi o grande potencial da trama em relação ao conteúdo psicológico que 
carrega. Após comentários sobre a mesma em minhas aulas de psicanálise, resolvi assistir o filme
 original. Não consegui desgrudar os olhos da tela. Para minha surpresa, Hitchcock era realmente
 um gênio do suspense (Parabéns André! Ninguém jamais pensaria nele dessa forma se não
 fosse por você). A trama é extremamente bem construída e te prende do início ao fim num
 suspense composto de personagens bem elaborados com cenas sem delongas, sem mimimi, 
sem cadeiras que balançam do nada ou janelas que se batem. O terror psicológico vem do fato de
 você não saber do que cada personagem é capaz; aliás depois você percebe que não sabe nada
 sobre nenhum deles, o que deixa o espectador totalmente a mercê da trama.
psycho1.jpg
Quanto a personalidade de Norman e de sua mãe Norma, por serem extremamente complexas
 dividirei este artigo em partes:
Introdução: Norma & Norman: A encarnação do Édipo Freudiano
Parte I Infância de Norman: Você é tudo para mim e eu sou tudo para você
Parte II Adolescência de Norman: Você é uma garotinha, Norman! Por isso não pode me desejar!
Parte III Bates Motel
Parte IV Vida adulta: "Yes, mother"
Bônus: Um pouco sobre Ed Gein, o assassino que inspirou o cinema
Vamos então discutir a relação entre Norman e Norma Bates, o que servirá de prelúdio para
 compreender a trama. Apresentarei os fatos segundo os filmes da sério Psycho e, como acabei
 de mostrar, farei uma parte falando sobre a série Bates Motel, uma vez que a mesma não
 pertence a série de filmes original e apresenta algumas alterações no enredo. Norma Bates é 
uma personagem intrigante. Uma jovem mãe solteira que cria seu filho Norman num motel à beira
 de uma rodovia que no decorrer da série deixa de ser rota principal devido à um desvio, o que faz
 seu empreendimento ir de mal à pior num piscar de olhos. Até este ponto tudo parece normal.
 Porém ao analisarmos melhor a vida de Norma Bates durante a trama, veremos na mesma e nas
 suas relações diversas problemáticas que irão influir na personalidade doentia de seu filho, a 
começar pelo próprio nome.
A proximidade do nome é intencional; Norma e Norman são tão próximos que chegam a parecer 
uma única pessoa. Este tipo de relação entre os dois é que dará margem para a psicose de
 Norman. Uma vez que Norman era tudo para sua mãe, que nesta altura estava sozinha no
 mundo, ela também era tudo para ele. A relação de ambos pode ser considerada incestuosa,
 uma vez que podemos considerar o incesto como uma relação parental em que não são definidos
 os limites de cada pessoa da relação. Ou seja, Norma e Norman se confundem, como se um
 fosse extensão do outro; este comportamento tomará forma nítida no comportamento psicótico de
 Norman, que nunca superará sua mãe, levando ela consigo em um quadro patológico onde ele 
não é capaz de discernir sua personalidade de sua própria mãe.
Psycho-still.jpg 
Um ponto forte da trama, que tomará maior ênfase na adolescência de Norman será o édipo que 
existe na relação entre os dois. Reza a lenda grega que o oráculo de Delfos havia previsto que o
 filho do rei mataria seu pai
 e casaria com a mãe. O rei imediatamente manda matar a criança, que acaba vivo graças à 
piedade do carrasco. Anos mais tarde esta criança, agora chamado Édipo se tornará um exímio
 guerreiro que comandará tropas contra o rei grego. Assim Édipo mata seu pai biológico e
 desposa a rainha sua mãe e cumpre a profecia. Ao ser informado que era filho biológico do rei e 
de toda a profecia, Édipo enlouquece e fura seus olhos, decidindo vagar pelo mundo até cumprir
 sua pena. Na psicologia Freud aponta um processo conhecido como Complexo de Édipo, no qual
 as crianças tendem a se identificarem mais com o genitor do sexo oposto e rivalizar com o do
 mesmo sexo. Faz então uma analogia onde existem etapas de processos onde, por exemplo,
 o menino deveria matar simbolicamente o próprio pai para se constituir homem; há um
 simbolismo de matar os pais, por exemplo ao sair de casa e se tornar alguém que viva por sí e 
não mais uma extensão de outra pessoa.
Norman Bates nunca teve êxito neste processo. Embora sua relação com sua mãe fosse 
conturbada em alguns momentos, podemos ver o mesmo agindo de forma servil na cena seguinte
. Norman jamais superou sua mãe em nenhum sentido. Mesmo após a morte da mesma ela 
continuava viva para ele, influenciando seu comportamento com ordens diretas do que ele
 deveria fazer. Sua mãe sempre possuiu um comportamento extremamente agressivo e autoritário
, realizando punições diversas que acabariam por impedir que Norman pudesse superá-la.
 Norma Bates era uma mulher forte, ferida pela vida e que teve de criar seu filho sozinha,
 gerindo um motel falido no meio do nada. Era um mulher tão forte que tornou impossível a 
missão de Norman de se tornar um adulto completo, livre do jugo parental e ciente de sí e de sua 
própria identidade.
Devido ao pouco contato com outras pessoas, Norman acaba por ficar preso num círculo familiar
 que é patológico; a falta de relação com outras pessoas contribui muito para que sua 
personalidade seja moldada apenas pela sua mãe, sua única família. O comportamento ciumento
 da mãe em relação a Norman também agravará o processo, impedindo que o mesmo canalize
 seus desejos sexuais para qualquer pessoa se não sua própria mãe. Norma, por outro lado, 
parece ter uma vida mais ativa ao ponto de encontrar um novo amante. E é neste momento que
 toda a atividade psicótica de Norman tomará forma... Esta é apenas a primeira parte que servirá 
como introdução para a série. No próximo artigo, falarei mais sobre a infância de Norman e
 porquê ela foi fundamental para a construção da sua personalidade.



© obvious: http://obviousmag.org/a_psicologia_do_cinema/2015/norman-bates-i---norman-e-norma-a-encarnacao-do-edipo-freudiano.html#ixzz3jMjjnqDw 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Algumas Fobias e A Neurose Fóbica.

A tafofobia ou tafefobia (em inglês, taphophobia) é uma neurose que se caracteriza pelo medo de ser enterrado vivo.
 Talassofobia (do grego θάλασσα que significa mar e φόβος que significa medo) é a aversão, repugnância ou medo mórbido, irracional, desproporcional e persistente ao mar. Quem tem talassofobia tende a não querer viajar em cruzeiros ou de ir à praia, por causa da aversão ao mar.
 Tanatofobia é uma fobia que se caracteriza pela sensação de extremo medo da morte, pessoas com essa patologia, tendem a não sair de casa, evitam falar em morte, e têm pavor de participar de um funeral. A palavra Tanatofobia vem do mito grego de Tanatos, divindade grega da morte.
Urifobia é a fobia relacionada a fenômenos paranormais.
A pessoa urifóbica tem medo exagerado de tudo que é paranormal (que está fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis cientificamente), como fantasmas, extra-terrestres, videntes ou visões, bruxarias, EQM (Experiência de Quase Morte), ou até mesmo de personagens "maldosos" da ficção.


Neurose fóbica
O que voce gostaria de saber
descriçao
As neuroses fóbicas são quadros caracterizados pelo medo de determinados lugares, objetos ou situações, que determinam uma série de condutas de evitação e outras de segurança.
causas
Segundo a psicanálise, a constituição desse quadro deve ser considerada uma atualização de situações de conflito profundamente relacionadas com o complexo de Édipo. O seu padrão provém dos primeiros medos e terrores infantis, normais na infância, e, por meio de um duplo mecanismo de projeção e deslocamento, coloca no mundo exterior a situação de conflito interno. De acordo com a visão psicanalítica, o fator que inicia esse processo especificamente é o medo da castração. O sujeito ficaria recalcado por uma idéia edipiana (a fantasia inconsciente de perder a genitália por causa da ação ativa do pai) que foi reprimida, e que se expressa de maneira disfarçada e diferente, mas com a mesma força afetiva. Quando as fobias não são tratadas, o temor pode se estender, ampliando a variedade dos objeto temidos.
sintomas
Existem três características constitutivas da estrutura fóbica: as condutas de evitação, o permanente estado de alerta e a atitude de fuga. Os mecanismos de defesa e os sintomas são os mesmos.
diagnosticos
Segundo Sigmund Freud, as fobias podem ser de caráter universal (situações temidas por todos: solidão, morte, etc) ou particulares (medo de situações peculiares). O DSM-IV considera uma fobia específica quando são observadas as seguintes características:
  • Um temor expresso e persistente, que é excessivo ou irracional, se desencadeia pela presença ou antecipação de um objeto ou situação específicos.
  • A exposição ao estímulo fóbico produz, de modo quase que invariável, uma resposta imediata de ansiedade, que pode adquirir a forma de uma crise de angústia decorrente de uma situação determinada.
  • A pessoa reconhece que esse medo é excessivo ou irracional.
  • As situações fóbicas são evitadas ou suportadas às custas de uma intensa ansiedade ou mal-estar.
  • Os comportamentos de evitação, a antecipação ansiosa ou o mal-estar provocado pela situação temida interferem claramente na rotina normal da pessoa, nos seus relacionamentos de trabalho e sociais.
  • Em menores de 18 anos, a duração dos sintomas deve ser superior aos 6 meses.
  • Os sintomas não podem ser mais bem explicados pela presença de outro transtorno mental.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Cada criança deve superar o édipo para acessar a sexualidade adulta



Ideia fundamenta outras teorias essenciais da psicanálise

CURTAM NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK: http://www.facebook.com/ChaComSig

EQUIPE CHÁ COM SIG PARA ATENDIMENTO: 11 969828869 OU 1173988811


da Livraria da Folha
Divulgação
Ideia fundamenta outras teorias essenciais da psicanálise
A ideia de "Édipo" empregada por Freud praticamente conquistou o status de gíria popular, sempre que alguém arranja um namorado(a) com algumas semelhanças inegáveis com os pais.
A brincadeira não está errada conceitualmente dizendo, mas quem se interessar em descobrir um pouco mais sobre a história desse importante fundamento da psicanálise, pode obter informações de maneira simples no livro "Édipo", escrito pela psicanalista Teresinha Costa para a coleção Passo-a-Passo, da Zahar.
"Freud afirmava a universalidade dos desejos edipianos, dizendo que cada criança deve realizar um caminho para superar o complexo de Édipo e ter acesso à sexualidade adulta", provoca a autora.
Em um texto bem equilibrado e conciso, a estudiosa mostra a influência do mito de Sófocles ("Édipo Rei") no pensamento de Freud, e apresentar as primeiras noções a respeito do desejo sexual infantil e seu desdobramento com outros pensadores, como Melanie Klein e Jacques Lacan.
"A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração" (1500-1520)
"A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração" (1500-1520)
"O que Freud demonstra é que o desenvolvimento da criança está marcado por uma sucessão de momentos em que ela erogeneiza diferentes áreas do corpo, denominados fases ou estádios do desenvolvimento sexual. Cada estádio implica um modo de relação com o objeto", explica a autora, se referindo às fases oral, anal, fálica e o período de latência, e que detalha uma a uma posteriormente.
O complexo de Édipo surge entre essas fases, e diz respeito ao amor egoísta da criança à mãe, mas que em meninos e meninas toma caminhos diferentes. A partir dessa pontuação, a psicanalista escreve sobre a formação da neurose e o medo simbólico e imaginário da castração dos meninos. O desenrolar desta última instância provoca a angústia da criança, que se vê pressionada a escolher entre o amor da mãe e o amor próprio.
No livro "Édipo", o leitor pode entender como ocorre e quais as consequências dessas escolhas para o desenvolvimento da sexualidade adulta.
*
"Édipo"
Autora:
Teresinha Costa
Editora:
Zahar
Páginas:
88
Quanto:
R$ 19,90 na Livraria Cultura e na Livraria Saraiva

Reportagem da folha de são paulo: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/904674-cada-crianca-deve-superar-o-edipo-para-acessar-a-sexualidade-adulta.shtml 


CURTAM NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK: http://www.facebook.com/ChaComSig

EQUIPE CHÁ COM SIG PARA ATENDIMENTO: 11 969828869 OU 1173988811

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

Transtorno dismórfico corporal - Dismorfobia.

Texto retirado da revista Psique, edição nº67 de 2011.

Já coloquei no blog matéria sobre dismorfobia, mas esta também está bem completa.
E é importante o entendimento da mesma, pois é um transtorno muito atual e sempre lidaremos com ele na clínica ou conhecemos alguém com o mesmo.

Batalha contra o espelho
Pesquisa mostrou que 69% dos entrevistados pensam não ter uma boa imagem, pelo menos uma hora do dia. Mas há casos em que a insatisfação com a própria imagem chega a ser patológica. É quando surge o transtorno dismórfico corporal

Por Roberta de Medeiros



shutterstock

As cirurgias plásticas viraram uma obsessão do cantor americano Michael Jackson, cujas intervenções começaram em 1984 e não pararam mais. Em uma entrevista concedida em 1993 à apresentadora americana Oprah Winfrey, o astro pop se descreveu como perfeccionista e "nunca satisfeito com nada", incluindo a sua aparência. Jackson não estava sozinho. Afinal, quem nunca se sentiu insatisfeito diante do espelho ao menos por um dia? Mas há quem confira dimensões extremas à conhecida fábula do patinho feio e transforme o próprio corpo num verdadeiro campo de batalha. São pessoas que sofrem de uma desordem psicológica chamada dismorfofobia ou transtorno dismórfico, que as faz alimentarem idéias irreais sobre a própria imagem corporal. É o caso da engenheira química C., de 39 anos, que teve sérios problemas devido à excessiva preocupação com a sua aparência física. Dizia que seu rosto se tornava flácido e que suas bochechas estavam prestes a desabar. Começou, então, a se sentir insegura a ponto de não sair na rua sozinha. Deixou de dirigir, ficando a maior parte do tempo em casa. Passou a ter espasmos no rosto e deixou até mesmo de falar. Exames clínicos, porém, não mostraram qualquer alteração na pele ou no tônus muscular do rosto de C., mulher jovem e de boa aparência.

O distúrbio foi relatado pela primeira vez pelo psiquiatra italiano Enrico Morselli, em 1886. À época, foi descrito como um sentimento de feiura ou defeito no qual a pessoa sente que é observada por outras, embora a sua aparência esteja dentro dos limites da normalidade. Por isso, o distúrbio recebeu o nome de "hipocondria da beleza". Somente nos Estados Unidos, o distúrbio atingiria cerca de 5 milhões de pessoas ou 2% da população. "Trata-se de uma certeza, muitas vezes delirante, de que uma parte do corpo não está bem. Enquanto a pessoa que alucina inventa o mundo, o delirante vê o mundo com outros olhos", compara o neurologista Edson Amâncio, autor do livro O homem que fazia chover.

"Em geral, as queixas envolvem falhas imaginárias ou leves no rosto ou na cabeça, como acnes, cicatrizes, rugas ou inchaços", diz. Dificuldades sociais e conjugais ocorrem com as pessoas que têm o transtorno, dependendo da gravidade, a ponto de terem sua vida completamente desestruturada. "O prejuízo pode ser resultado do tempo que se gasta com a atenção ao corpo, em detrimento de outros aspectos da vida, quase sempre negligenciados", diz Amâncio. "Quem sofre da doença se olha com frequência no espelho ou em outras superfícies refletoras para checar a aparência, o que pode consumir muitas horas por dia numa atitude compulsiva bastante difícil de resistir", diz o neurologista. Outros, ao contrário, esquivam-se de espelhos em uma tentativa não bem-sucedida de diminuir o mal-estar e a preocupação.

imagens: shutterstock / divulgação
Michael Jackson era obcecado por sua imagem. Tanto que realizou a primeira cirurgia plástica em 1984 - e nunca mais parou. Perfeccionista, ele dizia que nunca estava satisfeito com nada, nem com a sua aparência

Camuflagem
As queixas de quem tem preocupação exagerada com o corpo, entretanto, são vagas. Muitas pessoas evitam descrever seus defeitos em detalhes, podendo se referir à sua "feiura" em geral. Essas pessoas tentam camuflar seus defeitos imaginários com óculos escuros, bonés, luvas ou roupas. O psiquiatra e psicoterapeuta Geraldo Possendoro, professor da Unifesp, lembra que a crença de que algo está errado com o corpo pode extrapolar todos os limites. "A pessoa pode se queixar de que os poros do nariz estão muito abertos, por exemplo. Muitas vezes não há defeito algum ou o defeito é supervalorizado pelo paciente", diz Possendoro, para quem o problema muitas vezes está associado à baixa autoestima.

Os indivíduos com esse transtorno frequentemente pensam que os outros estão observando o seu "defeito", o que pode levar a uma esquiva das situações sociais que, levada ao extremo, chega até ao isolamento social. "Esses pacientes buscam e recebem tratamentos para a correção de seus defeitos imaginários, em uma peregrinação por diversos profissionais, principalmente cirurgiões plásticos, sem, no entanto, corrigir os supostos defeitos", diz Possendoro.

Dificuldades sociais e conjugais ocorrem com as pessoas que têm o transtorno, dependendo da gravidade

Alguns especialistas chegam a questionar se a anorexia poderia ser um caso de dismorfofobia, já que os indivíduos supervalorizam o tamanho do seu corpo e se angustiam com seu defeito imaginado. Já Possendoro defende o diagnóstico diferencial entre anorexia do transtorno dismórfico.

O tratamento inclui antidepressivos e psicoterapia. A literatura, no entanto, aponta a possibilidade de que o transtorno seja, na verdade, um delírio somático, uma crença irreal (e incorrigível pela argumentação) sobre o próprio corpo. "Nesse caso, o tratamento incluiria a administração de antipsicóticos associados a antidepressivos", diz Possendoro.

"Quanto à história familiar, não existem dados que estabeleçam um padrão claro do transtorno dismórfico corporal com outros transtornos psiquiátricos", diz Amâncio.

Dismorfofobia e outros transtornos obsessivos

Pacientes com transtornos obsessivos têm maior atividade em uma determinada região do cérebro, o córtex pré-frontal, o que os leva a ter procedimentos de controle exagerados, como retornar à própria casa várias vezes para checar se o fogão ou o ferro de passar foram desligados. Ou seja, estão sempre em estado de alerta. Dos transtornos psiquiátricos, o que mais se assemelha em critérios diagnósticos com a fobia social é o transtorno dismórfico corporal. Em ambos, os pacientes apresentam ansiedade social elevada, esquiva de situações sociais e medo de crítica e comentários adversos sobre sua aparência. Isolamento social e falta de habilidade social geralmente estão presentes nos dois casos.

Herodotus
Transtorno dismórfico corporal é um novo nome para um velho transtorno. Ele tem sido descrito nas literaturas europeia e japonesa por uma variedade de nomes. A primeira referência aparece na história de Herodotus, no mito da garota feia de Esparta, que era levada por sua enfermeira, todos os dias, ao templo, para se livrar da sua falta de beleza e atrativos.
Neurose compulsiva
Emil Kraepelin (1856-1926), grande psiquiatra alemão, considerado o criador da moderna Psiquiatria devido às suas
enormes contribuições científicas contidas ao longo das oito edições de seu Tratado de Psiquiatria, ocupou-se do tema dismorfofobia, introduzindo-o na oitava edição do Tratado sob a rubrica de Neurose Compulsiva. Considerou a dismorfofobia como uma das formas clínicas da série de medos obsessivos que surgem do contato com outras pessoas. É desta forma que a dismorfofobia assemelha-se à timidez, ao medo de provas e à antropofobia, entre outros.
Homem dos lobos
Entre os casos clínicos publicados por Freud, o do paciente Serguéi Constantinovitch Pankejeff ficou conhecido como o "Homem dos lobos". Ele iniciou sua análise com Freud em 1910 e apresentava, entre outros sintomas, uma preocupação excessiva com a aparência de seu nariz. Antes de iniciar a análise com Freud, já havia feito vários tratamentos e se consultado também com os médicos Theodor Ziehen, de Berlim, e Emil Kraepelin, de Munique. Esse histórico, com certeza, aumentou o interesse de Freud pelo caso, pois considerava esses dois importantes médicos como "rivais" de profissão.
Tipos de delírio
Alguns autores defendem que a dismorfofobia pode se apresentar como um tipo de delírio que se caracteriza pela presença de uma imagem distorcida em relação ao corpo. Conheça os tipos de delírio:
Delírio erotomaníaco
A pessoa acredita ser amada por uma pessoa que ocupa posição superior, como autoridades e artistas.
Delírio de grandeza
A pessoa está convencida de que tem ligação com personalidades importantes ou que tem um talento especial ou possui grande fortuna.
Delírio de ciúme
Sem motivo justo, a pessoa acredita que está sendo traída. Ela toma medidas extremas, às vezes tiranas, na tentativa de controlar o parceiro.
Delírio persecutório
É o tipo mais comum entre os paranoicos ou delirantes crônicos. O delírio costuma envolver a crença de estar sendo vítima de conspiração, traição, espionagem, perseguição.
Delírio somático
São formas de delírio em relação ao corpo. Os mais comuns dizem respeito à convicção de que a pessoa tem deformações de certas partes do corpo.

Narcisismo
Para a psiquiatra Magda Vaissman, professora da UFRJ, transtornos de personalidade como narcisista, obsessivo- compulsivo e borderline podem predispor à dismorfofobia. "É muito frequente que o transtorno esteja associado ao narcisismo. Do ponto de vista psicanalítico, é um problema na elaboração do narcisismo primário. No complexo de Édipo, a criança sai do narcisismo para ir ao encontro do outro. Mas isso pode não ser bem elaborado, dando origem à personalidade narcisista", explica.

Em outros casos, a dismorfofobia está relacionada ao transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), no qual a pessoa se entrega a uma série de rituais de verifi cação do corpo, marcas e cicatrizes para afastar um pensamento incômodo ou intrusivo. A diferença do paciente com TOC em relação àquele que sofre de dismorfofobia é que, no primeiro caso, ele está convencido de que o pensamento intrusivo que leva à compulsão não é verdadeiro, embora não consiga se libertar, enquanto no segundo caso, a preocupação com o corpo é quase um delírio. "O quadro pode se apresentar como uma compulsão, no qual a pessoa segue uma série de rituais ou pode ocorrer ao nível do pensamento, que são as obsessões", analisa.

Ela lembra que a vigorexia, uma espécie de dependência por exercícios físicos associada ao culto à imagem, pode ser uma variante da dismorfofobia. "A pessoa nunca está satisfeita com o corpo, acha que pode perder massa muscular, mergulha numa rotina extenuante de exercícios e, muitas vezes, recorre aos anabolizantes para manter o tônus muscular", diz Magda.

Critérios Diagnósticos do Transtorno Dismórfico Corporal

A. Preocupação com um imaginado defeito na aparência. Se uma ligeira anomalia física está presente, a preocupação do indivíduo é acentuadamente excessiva.
B. A preocupação causa sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo.
C. A preocupação não é mais bem explicada por outro transtorno mental (por exemplo, a insatisfação com a forma e o tamanho do corpo na anorexia).

Referência: Edson Amâncio, O homem que fazia chover Editora Barcarola

Assim como a dismorfofobia, a vigorexia é uma espécie de dependência por exercícios físicos associada ao culto à imagem, e mostra a insatisfação da pessoa com o próprio corpo

Cultura do belo
Uma entrevista feita com 162 homens e 184 mulheres pela divisão de Psicologia do Hospital das Clínicas, em São Paulo, mostrou que 69% dos entrevistados passaram pelo menos uma hora por dia pensando que não têm uma boa imagem. Mas o que leva cada vez mais pessoas a um descontentamento tão grande com a própria aparência?

Alguns especialistas chegam a questionar se a anorexia poderia ser um caso de dismorfofobia

O transtorno pode ser reflexo de uma sociedade obsessivamente preocupada pela estética corporal, que vende corpos nos meios de comunicação. "A nossa sociedade finge que o transtorno não é um problema. Há um individualismo exacerbado, as pessoas vivem isoladas, as famílias são desestruturadas... A cultura do belo incentiva a competição, o indivíduo vive mergulhado numa sensação de fracasso, ele sente que nunca vai chegar lá", afirma Magda.

"O problema é que a maioria das pessoas com dismorfofobia não procura atendimento psiquiátrico, já que a sociedade incentiva a cultura do belo", analisa Magda. Outro motivo que afasta dismórficos dos consultórios é que muitos preferem se entregar ao bisturi. Pesquisa feita pelo Instituto InterScience revelou que 90% das mulheres e 65% dos homens afirmam sonhar com mudanças no próprio corpo. Do total, 5% já tinham feito alguma plástica e 90% já faziam planos de realizar a segunda. Entre aqueles que nunca fizeram uma cirurgia plástica, 30% declararam que esperavam ter coragem para realizá-la.

Um estudo feito pelo Observatoire Cidil des Habitudes Alimentaires (Ocha) em um universo de mil mulheres revelou que 86% delas se dizem insatisfeitas com suas medidas. Apenas 14% alegaram estar satisfeitas com o próprio corpo. O Brasil é o segundo no ranking dos países que mais realizam cirurgias plásticas, metade delas puramente estéticas - 40% lipoaspiração, 30% mamas, 20% face. A maioria foi realizada em pessoas de 20 a 34 anos. O número de jovens que colocaram próteses para "turbinar" os seios aumentou 300% nos últimos dez anos.

E não adianta o familiar contrariar o paciente que sofre do transtorno. "Quanto mais oposição se faz, mais se cria uma resistência por parte do paciente. O ideal é não incentiválo. O que a família pode fazer é mostrar que há outros prazeres na vida, que não o culto ao corpo, e fazê-lo entender que ele sofre de uma doença", aconselha Magda.

Essas pessoas podem apresentar fortes ideações suicidas. 13% dos pacientes psiquiátricos britânicos apresentam o transtorno. 75% das pessoas com dismorfofobia não se casam ou se divorciam, 70% têm ideações suicidas e 25% realmente se suicidam. 20,7% das pessoas que fazem cirurgias de rinoplastia têm um possível diagnóstico de dismorfofobia. Pesquisa feita pela Universidade de Utrech, na Holanda, mostra que as mulheres que se submetem a operações de implante mamário apresentam risco três vezes maior de cometer suicídio em relação às demais mulheres. 82,6% das pessoas que sofrem o transtorno se sentem insatisfeitas com os resultados das cirurgias. Existe a crença de que a próxima intervenção será a última. E assim, entram num circuito no qual a insatisfação é cada vez maior. Muitos casos vão parar na Justiça.

O problema nos faz questionar sobre a ética no exercício do cirurgião plástico. "O médico deveria estar preparado para identificar a dismorfofobia. O ideal seria uma interação entre o cirurgião e o psiquiatra ou o psicoterapeuta. Muitas vezes o profissional faz a correção daquilo que é um grande incômodo para o paciente, e esse desconforto em relação à aparência se desloca para outra região do corpo", observa Amâncio.


Outros transtornos somatoformes

O transtorno de somatização (historicamente chamado de histeria ou síndrome de Briquet) é um transtorno polissintomático que se inicia antes dos 30 anos, estendese por um período de tempo e é caracterizado por uma combinação de dor, sintomas gastrintestinais, sexuais e pseudoneurológicos.
O transtorno somatoforme indiferenciado que se caracteriza por queixas físicas inexplicáveis, com duração mínima de seis meses, abaixo do limiar para um diagnóstico de transtorno de somatização.
O transtorno conversivo envolve sintomas ou déficits inexplicáveis que afetam a função motora ou sensorial voluntária, sugerindo uma condição neurológica ou outra condição médica geral. Presume-se uma associação de fatores psicológicos com os sintomas e déficits.
O transtorno doloroso caracteriza-se por dor como foco predominante de atenção clínica. Além disso, presumese que fatores psicológicos têm um importante papel em seu início, gravidade, exacerbação ou manutenção. A hipocondria é a preocupação com o medo ou a ideia de ter uma doença grave, com base em uma interpretação errônea de sintomas ou funções corporais.
O transtorno dismórfico corporal é a preocupação com um defeito imaginado ou exagerado na aparência física. O transtorno de somatização sem outra especificação é incluído para a codificação de transtornos com sintomas somatoformes que não satisfazem os critérios para qualquer um dos transtornos somatoformes.

Fonte: Psiqweb /G J Ballone

Clique aqui para ver a matéria!

sábado, 13 de agosto de 2011

Instâncias psíquicas (Id, Ego e Superego) Por Andréia Miglioranza Marin

Em 1923, Sigmund Freud formulou a segunda tópica, ou segunda divisão do aparelho psíquico. As instâncias psíquicas formuladas são três: Id (Isso), Ego (Eu), Superego (Supra-Eu).

O Id é a parte inconsciente, que funciona como um reservatório, uma fonte das pulsões, é onde estão localizados nossos desejos, no Id não há moral nem censura.

O Ego é uma instância onde há partes conscientes e inconscientes, ele tem a função de controlar e conciliar o Id e o Superego. O ego é formado a partir do Id com o contato com o mundo externo, ele tem que se adequar aos desejos do Id e as proibições do Superego à realidade.

O Superego é conhecido como o herdeiro do Complexo de Édipo, pois é nessa fase que a pessoa começa a criar seus valores, exemplo: “eu não posso namorar com a minha mãe”, a partir desse período a criança aprende que há coisas que ela pode e não pode fazer. O superego é formado a partir das relações que se têm com o mundo externo (pais, família, etc) e também com o que passa de maneira inconsciente (o Superego dos pais). O superego é a moral, a censura.

Por Andréia Miglioranza Marin.

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Mitologia Grega - Édipo, Jocasta e Laio.

Tanto se fala sobre o Complexo de Édipo e quem conhece realmente a história de quem era Édipo?? Pois aqui fica a história de Édipo para quem gosta de mitologia grega ou simplesmente para quem tem curiosidade em saber o porquê da psicologia ter adotado o nome Complexo de Édipo.


Filho de Laio e de Jocasta, herdeiro da maldição que assolava os Labdácias, foi abandonado ao nascer no Monte Citerão, já que Apolo havia predito a seu pai que se ele gerasse um filho, este o mataria. O criado, encarregado de executar essa missão perfurou-lhe os pés com um gancho de forma a poder suspender o menino numa árvore. Isso explica o fato pelo qual, ao ser encontrado por alguns pastores, foi chamado Édipo, que em grego significa “pés inchados”. Foi levado ao rei de Corinto, Pólibo, que, por não ter filhos, embora fosse casado com a rainha Peribéia,o adoptou. Numa certa ocasião, o jovem participava de um banquete, quando um coríntio referiu-se indiscretamente ao jovem como filho postiço. Intrigado, Édipo resolveu consultar o oráculo de Delfos para saber sua real origem. Além de não obter uma resposta precisa, o jovem se defrontou com uma revelação aterrorizante.

A resposta que Édipo recebeu é que, não somente mataria seu pai, mas desposaria sua própria mãe, gerando uma raça maldita. No intuito de evitar uma tragédia, desesperado resolveu fugir de Corinto, deixando para trás Pólibo e Peribéia, quem de fato acreditava serem seus pais verdadeiros. À caminho da Fócida, onde os caminhos de Cáulis e Tebas se bifurcam, o pobre rapaz deparou-se com Laio e sua escolta, composta por quatro pessoas além do rei: o arauto, um cocheiro e mais dois escravos. Este, cheio de impáfia, ordenou-lhe que desse passagem ao rei de Tebas. Como Édipo se recusasse sequer a alterar o passo, teve um de seus cavalos executados pelo rei. Ignorando a verdadeira identidade do rei, Édipo com o auxílio de sua arma, a bengala que o amparava no caminhar, e com grande violência, matou a golpes Laio.

Chegando à Tebas, deparou com a Esfinge, monstro que vinha assolando a cidade há tempos. Descendente de uma família de monstros, sua mãe, Equidna, corpo de mulher e cauda de serpente que devorava todos os viajantes que dela se aproximassem. Ortro uniu-se a própria mãe, e dessa forma, tornou-se ao mesmo tempo pai e irmão da Esfinge. Esta havia sido enviada por Hera à cidade de Tebas para punir o rei Laio, responsável pelo suicídio de Crísipo, filho de Pélops. Misto de vários animais, a Esfinge tinha a cabeça e o busto de mulher, as patas de leão, o corpo de cão, cauda de dragão e asas como as das Hárpias.

Instalada à entrada da cidade, mais precisamente no Monte Ficeu, propunha aos forasteiros que ali chegavam um enigma de grande complexidade e de difícil resolução. Os que não fossem capazes de decifrá-lo eram sumariamente eliminados, pois a criatura além de matar, devorava sua vítima. O monstro já havia feito muitas vítimas e os habitantes estavam alarmados quando Édipo, buscando exílio, chegou à Tebas. Ao enfrentá-la, foi recebido com a seguinte pergunta: “Qual é o animal que pela manhã tem quatro pés, ao meio dia dois e à tarde três?” Édipo sem dificuldade respondeu que este animal era o homem, que na infância engatinha, depois passa a caminhar com os dois pés e na velhice, com o peso dos anos, necessita de uma bengala, ou seja, de uma terceira perna para se sustentar. Como já estava previsto pelo destino que no dia que alguém lograsse decifrar seu enigma a Esfinge morreria, esta, precipitou-se do alto de um precipício e morreu espatifada contra os rochedos.

Aclamado pela população agradecida, tornou-se rei, e, por conseguinte, recebeu também a mão da rainha Jocasta em casamento. Em outras palavras, Édipo cumpriu a segunda e última parte da profecia, pois ao casar-se com a rainha, desposava na verdade, sua própria mãe. Quatro filhos foram gerados desta união: Etéocles, Polinice, Antígona e Ismena. O rei de Tebas reinou durante anos tranqüilamente até o dia em que a população local começou a ser assolada por uma peste. O oráculo, novamente consultado, declarou que para cessar a epidemia, se fazia necessário encontrar o assassino de Laio e baní-lo definitivamente de Tebas. Tirésias, o grande vidente cego, trazido até a corte revelou a verdade sobre o crime e esclareceu a identidade e a história de Édipo. Jocasta, humilhada e sem poder suportar a vergonha, suicidou-se. Édipo, ao lado do corpo de sua mãe, vazou seus olhos. Expulso da cidade por Etéocles e Polinice, partiu para o exílio acompanhado por Antígona que o guiou até a Ática, onde foi acolhido por Teseu .

Tempos depois, seus filhos e Creonte, irmão de Jocasta, tentaram convencê-lo de regressar à Tebas, pois um oráculo havia predito que onde estivesse localizada sua tumba, os deuses dedicariam especial proteção. Inútil, porque Édipo, recusou-se terminantemente a realizar-lhes o desejo e viveu seus últimos dias em Colona, localidade situada próximo à Atenas. Foi por esse motivo que a cidade sempre logrou sair vitoriosa nas disputas contra Tebas.

Texto retirado do site: Pensamentos soltos.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Psicanálise, supereu e toxicomanias





Esse artigo foi escrito por Anderson Matos e acho importante que tenhamos conhecimento do que a psicanálise tem a dizer sobre a dependência química. O texto é grande mas vale a pena.

Retirado do site RedePsi- 19/11/08

Este artigo faz algumas considerações sobre a toxicomania e o alcoolismo, a partir do referencial psicanalítico. A máxima "O supereu alcóolico é solúvel em álcool" proferida em 1947 por Ernest Simmel serve de guia para algumas considerações teóricas sobre o assunto. Alguns apontamentos sobre supereu e toxicomanias


Palavras chave – toxicomania, supereu, psicanálise, clínica


Essa comunicação tem por objetivo uma leitura sobre a questão da incidência do supereu na sua relação com as toxicomanias. O supereu freudiano, representante da lei, instância que expia o sujeito parece se arrefecer diante dos efeitos do álcool. Essa foi a tese levantada por Ernest Simmel em 1947, quando elaborou a máxima ‘o supereu é solúvel em álcool’. Esta afirmação serviu por muito tempo como orientação para aqueles que praticam a clínica das toxicomanias. A idéia prevalente é a de que a censura, proveniente do supereu pode ser apaziguada pelo uso do álcool. Supunha-se de certa maneira que o supereu pudesse ser debilitado, diluído sob o efeito de etílicos se tornando menos permeável à censura.
Em 1992 por ocasião da V jornada do CMT
– Centro Mineiro de Toxicomania, Bernard Lecoeur proferiu uma série de conferências para o evento, o psicanalista é um dos coordenadores do G.R.E.T.A. – Groupe de recherche et etudes sur le toxicomanie et l’alcoolisme (Grupo de pesquisa e estudos sobre a toxicomania) vinculado ao Campo Freudiano. Este grupo, de orientação lacaniana lida na França com o tratamento e a pesquisa sobre o assunto.
Em uma de suas conferências: - ‘Por que o supereu não é solúvel em álcool’, Lecoeur enuncia a máxima forjada por Ernest Simmel. Simmel é um contemporâneo de Freud e foi considerado um pioneiro por ter em 1926 dirigido a clínica Tegel. Seu pioneirismo se deve entre outros fatos, à aplicação da teoria da psicanálise em uma instituição para tratamento de pacientes neuróticos, psicóticos, alcoolistas e toxicômanos.
Simmel formulou que ‘o supereu alcoólico é solúvel em álcool’ tendo a máxima obtido sucesso junto aos que se interessavam pelo assunto. A formula da conta ‘da dimensão do excesso, da desmesura que se liga a esse fenômeno sem que um apelo seja feito a virtude moral ou as suas falhas’ (Lecoeur 1992). Na presença do álcool a desinibição impera, uma inclinação à verdade surge sob a máscara da embriaguez, in vino, veritas, no vinho, a verdade.
Porém mesmo que uma verdade necessária seja dita na embriaguez, ela vem como balbuciação etílica. Os tropeços da fala e a exaltação que acompanham essas verdades aos borbotões, desqualificam o que diz o homem embriagado.
As amnésias posteriores nos obrigam a pensar que a embriaguez produz um evento sem sujeito. O homem embriagado tem comprometida sua faculdade de julgar, desinibido, faz e fala coisas que sóbrio, jamais os faria. O álcool permite manifestações efusivas que vem em arroubos. O que fica contudo na memória de seus interlocutores parecem ser verdades sem medida, destemperadas pelo álcool. Sua fala que não faz laço social, cacofonia das palavras. De certa forma essa fala sem censura pode ser tomada por nós como um índice da idéia da solubilidade do supereu, no que diz respeito a seu aspecto moral.
Lecoeur ressalta que é correto pensar de certa maneira que o álcool permita restringir as conseqüências subjetivas dessa submissão à censura. Essa censura que imana do supereu, e que o sujeito tomou dela conhecimento através do agente paterno no complexo de Édipo. O supereu que se torna o censor internalizado do eu mediante a influência dos pais. O complexo de Édipo é o lugar primeiro onde se encena para cada sujeito o lugar do desejo e da lei. A conclusão do complexo de Édipo deixa no homem a marca de uma lei. Um não inaugural fica como cicatriz para o homem de que existe uma lei que regula um para-todos. Para que exista desejo, há uma interdição que faz inaugurar uma falta. Lacan nos lembra que para todos os sujeitos que foram normatizados pelo complexo de Édipo, um objeto vai cair, existe para o gozo um limite.
O supereu como nos ensinou Freud é herdeiro do complexo de Édipo e por isto traz a marca de uma interdição.
Mas parece importante notar que na releitura que Lacan fez da obra de Freud todo o destaque que ele dá aos aspectos paradoxais do supereu. Ele notifica que o supereu esta instância moral, engendrada no sujeito como a marca da lei, pode se manifestar de maneira paradoxal. Não escapa a Lacan que o supereu também é herdeiro do isso, e mais do que enunciar a lei, ele é também seu desconhecimento, o supereu pode ser um imperativo de gozo: - Goza! (Lacan, 1972-1973 Sem. XX ).
Pode-se assim tentar investigar a pertinência da hipótese relativa à suposta solubilidade do supereu à luz das contribuições de Jacques Lacan. Na toxicomania parece muito mais razoável supor que a presença de um supereu inclinado a exortações, que um supereu que apresenta sua ação apaziguada ou debilitada em razão da presença do álcool.
O argumento de Simmel parece incidir principalmente naquilo que poderíamos chamar de aspectos morais do supereu sobretudo no que aponta para a vertente ligada à censura e ao interdito. Sabemos hoje que é somente através de uma leitura parcial do supereu que se pode cogitar sua diluição. Podemos dizer que Simmel estava tratando de um supereu concebido estritamente como instância reguladora. O supereu de que ele falava é o censor do eu, herdeiro do Édipo, que mantém a função de instância crítica vinculada à consciência moral. Focalizando dessa maneira, há sentido em se pensar que o supereu parece ser permeável ao tratamento tóxico. É como se a voz da consciência encontrasse sedação pela via de uma supressão (unterdrünkung) tóxica.
Mas se o censo comum pensa que se só se encontra deleite ou prazer no tóxico, não parece ser o que a clínica demonstra: ‘ora, sem contar com uma clínica sofisticada, mas somente com escutar o pouco de gosto, se não o pouco de estima que ele demonstra para com aquilo que consome.’ (Lecoeur, 1992), no alcoolista devemos reconhecer ‘que a posição do bebedor é aquela de uma fundamental submissão a um apelo, de uma obediência sem pertinência a uma ordem, aquela que articula a injunção ‘Beba’. O ato de beber, antes de ser um gozo, consiste em ceder às ordens de um imperativo de gozo. É por isso que o sujeito se torna aliviado, uma vez que a injunção para beber domestica a tirania do significante mestre, dando-lhe um conteúdo sensato... Submeter-se ao imperativo é, ao mesmo tempo destrui-lo.’ (Lecoeur, 1992). O sentido disto reside na medida em que se submete, o sujeito pacifica a ferocidade do supereu.
Vale também notar ainda como no alcoolismo uma repetição conduz o homem sempre ao mesmo copo, dessa maneira o produto estupefaciente toma a forma de um objeto privilegiado, o que adquire com Freud os contornos de um ‘casamento feliz’ com um produto. O casamento com a droga é um casamento que não deixa muito espaço para outros relacionamentos, a droga como objeto eleito, captura o sujeito levando-o a uma saturação em curto-circuito auto-erótico, num gozo solitário, segregado e segregante, mal visto pelo outro social. E neste ponto torna-se interessante tomar nota de uma breve observação de Jacques Lacan acerca da toxicomania.



A droga e o rompimento com o faz-pipi


Na Jornada de encerramento de estudos de cartéis da Escola Freudiana em 1975, Lacan fez um comentário paradigmático que permaneceu no horizonte das considerações teóricas acerca da clínica das toxicomanias. O psicanalista francês assim se pronuncia sobre a droga: "é por que eu falei do casamento que eu falo disso; tudo o que permite escapar a este casamento é evidentemente bem-vindo, daí o sucesso da droga por exemplo; não existe outra definição da droga que esta: é o que permite romper o casamento com o pequeno-pipi." (Lacan, 1976)

Mas o que Lacan estaria nos dizendo com isto? O que seria estar casado com o faz-pipi? Podemos fazer uma leitura da acomodação fálica, levando-a ao pé da letra, e assim pensá-la como a assunção pelo sujeito do casamento que deve contrair com seu próprio sexo. Um sujeito que está casado com seu sexo está referenciado a uma posição sexual. Isso tem toda a sorte de implicações no que diz respeito ao laço social, refletindo-se estruturalmente nas representações sociais. É o significante fálico que circunscreve um gozo fálico, tal circunscrição funciona como uma ordenação para os seres falantes na articulação dialética de sua estrutura e na sua posição sexuada. Podemos assim concluir que a acomodação ao significante fálico produz um posicionamento, um verdadeiro arranjo subjetivo para os sujeitos que foram normatizados pelo Édipo. É deste modo que perceber como se opera essa acomodação fálica pode ser importante para compreender a questão da toxicomania.
Este “rompimento do casamento com o pequeno-pipi”, que tipifica a toxicomania para Lacan, conduz a idéia de uma ruptura relativa à acomodação fálica.
A psicanálise nos esclarece que os sujeitos inscritos na função fálica são portadores de uma perda primordial de gozo . O toxicômano se depara com “não tudo do gozo é colocado sob a dimensão fálica” , de vez que ele se coloca como um demissionário do falo. “o gozo fálico é o que se sustenta nas relações de poder, de competição social e nas relações de trabalho que envolvem dinheiro, produção e poder. O toxicômano é aquele que se recusa a participar dessa relações, colocando-se à margem delas”. (Lemos, 2004)
Por usar uma via de tratamento que pretere do outro o toxicômano é considerado um sujeito que não se submete aos interditos, sendo inscrito em um mais-de-gozar absoluto. Vale a pena ressaltar as observações de Jacques Allain-Miller sobre oposição que se estabelece entre o gozo e o prazer que é essencial para que se possa entender as questões que aqui se apresentam. “O princípio do prazer aparece, de algum modo, como uma barreira natural ao gozo e, portanto, a oposição se estabelece entre a homeostase do prazer e os excessos constitutivos do gozo. Trata-se, ao mesmo tempo, da oposição entre o que é da ordem do bem – do lado do prazer – e aquilo que o gozo sempre comporta de mal” . (Miller, 2000)
Assim vão se delineando de forma mais clara as complexas relações do supereu com as toxicomanias. Elisa Alvarenga tem uma hipótese que contribui para estes questionamentos: "nas patologias contemporâneas, a eficácia do Nome-do-Pai é inversamente proporcional à severidade do Supereu." (Alvarenga, 2005)
Surge então o que parece ser um paradoxo importante na questão das toxicomanias, essa tentativa de ruptura, de insubmissão ao serviço sexual, artifício para marcar com o zero a inscrição do Nome-do-Pai, traz como retorno essa injunção supereu-óica. Devemos sempre nos lembrar que o supereu não é apenas uma lei reguladora, ele guarda os vestígios do isso de onde se engendrou com suas identificações que vociferam como vozes arquejantes, resíduo sonoro: - ‘Goza’!
Parece-me que esta consideração sobre o supereu e seus aspectos paradoxais encontram uma ressonância importante na clínica das toxicomanias, e para concluir rercorrerei novamente as contribuições de Alvarenga: - "Podemos talvez dizer que a clínica das toxicomanias é uma clínica do supereu: o que os toxicômanos chama de ‘fissura’ é uma das formas do imperativo de gozo do supereu”. (Alvarenga, 2005)


Fonte:
Alvarenga, E. – Do gozo do pai à melancolia in Papers del CA – Nova Epoca n º 11 novembro 2005 in www.wapol.org/pt/buscador/template.aspLacan, J. Journees D’etudes dês cartels de l’École freudienne de Paris. Maison de La chimie, Paris. Lettre de l’École freudienne, 1976, n 18. Lacan, J. O seminário: Livro 20 mais ainda, (1972-1973, 1985)Lecoeur, B. – O homem embriagado: estudos psicanalíticos sobre toxicomania e alcoolismo. CMT, Belo Horizonte, 1992

Lemos, I. – o gozo cínico do toxicômano – Mental: Revista de saúde mental e subjetividade da UNIPAC. V.2, n.3 novembro 2004 – Barbacena MG p.53

Miller, J. A. – Os seis paradigmas do gozo. Opção Lacaniana. N 26-27, abril, 2000.


Clique aqui para ler o artigo!

Por favor visitem nossos anunciantes!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Complexo de Castração. Por Andréia Miglioranza Marin


Por Andréia Miglioranza Marin

A castração é algo normativo pelo qual todas as pessoas passam, e como disse em outro post (A castração nas estruturas psíquicas) é ela pela forma como lidamos psiquicamente que definirá a estrutura de cada um.

Primeiro, devemos relembrar que as crianças, quando muito pequenas não definem a diferença dos sexos, para elas, todos são iguais. Quando surge a fantasia da castração, esta possibilita uma explicação para a confusão tida antes em relação a diferença dos sexos (ausência e presença do pênis), nas meninas essa ausência é tida como amputação do pênis.

O menino tem medo da castração devido a uma ameaça paterna por ter desejado a mãe (Complexo de Édipo) e surge uma grande angústia.


A ausência do pênis nas meninas é tida como algo que aconteceu que ela tenta negar ou compensar essa falta.
A castração, mais tarde, na fase adulta, aparecerá de outras formas. EX: interdição de algo, algo que castra, quando alguém não te deixa fazer algo que você quer por exemplo.