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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Entenda melhor como funciona o cérebro de um psicopata


Colocamos essa matéria para mostrar também a parte neurológica da Psicopatia, para nós na psicanálise Perversão, lembrando que na psicanálise nosso entendimento da Perversão tem uma explicação e entendimento específico quanto a causa e não somente a parte neurológica. Para nós é todo um conjunto como já discutimos outras vezes.
Psicopatas não apresentam emoções ou compaixão, nem culpa pelo que fazem. Nunca. E, por não serem afetados por ansiedades e serem pura razão, conseguem usar sua inteligência de uma forma bem mais eficiente do que o resto das pessoas (as nossas emoções muitas vezes nos levam a fazer coisas nada espertas, afinal).
E por que isso acontece? A neurologia já sabe que os “circuitos” do cérebro de um psicopata (pelo menos daqueles que cometem crimes) são fisicamente diferentes dos de uma pessoa normal e que eles ativam menos certas partes do cérebro relacionadas a julgamentos morais. Isso explica a sua incompetência para sentir o que é certo e o que é errado. Um novo estudo conduzido pela Universidade de Wisconsin-Madison fez descobertas mais específicas.
Em uma prisão de segurança média, os pesquisadores compararam o cérebro de 20 presos com diagnóstico de psicopatia com os de 20 outros presos que cometeram crimes semelhantes, mas não tiveram esse diagnóstico. O resultado mostrou diferenças importantes entre os dois grupos.
Estrutura cerebral diferente
Basicamente, os psicopatas têm menos conexões entre o córtex pré-frontal ventromedial (ou vmPFC, uma parte do cérebro responsável por sentimentos como empatia e culpa) e a amígdala, relacionada ao medo e ansiedade.
Dois tipos de imagens cerebrais foram coletados. Imagens com tensor de difusão (ou DTI, um tipo de ressonância magnética que obtém imagens de tecidos biológicos a partir da difusão da água entre as células) mostraram uma redução da integridade estrutural das fibras de substância branca que ligam o vmPFC e a amígdala. Imagens feitas com ressonância magnética funcional (fMRI), por sua vez, mostraram menos atividade coordenada entre os dois.
Em outras palavras, essas duas estruturas cerebrais, que os cientistas acreditam serem responsáveis por regular as emoções e o comportamento social, parecem não estar se comunicando como deveriam – o que pode ajudar a explicar o comportamento insensível de muitos psicopatas. Segundo Michael Koenigs, professor assistente de psiquiatria na Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin, esse é o primeiro estudo a mostrar tanto as diferenças estruturais quanto as funcionais no cérebro de pessoas diagnosticadas com psicopatia, especialmente os criminosos.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

NORMAN BATES INTRODUÇÃO - NORMAN E NORMA: A ENCARNAÇÃO DO ÉDIPO FREUDIANO


Norman Bates com certeza é um dos personagens mais enigmáticos do cinema. Sua relação com
 sua mãe, Norma Bates e sua patologia são um enigma que desafiam até hoje desde curiosos até
 os psiquiatras. Esta é a primeira parte de uma análise da sua personalidade, que passará desde
 sua infância até a vida adulta, concluindo com um bônus sobre Ed Gein, o psicopata que inspirou
 Hitchcock. Nesta primeira etapa será apontado o pontapé das patologias que rondam a família 
Bates à luz do conceito do Édipo Freudiano.


Norman_Bates.jpg
Como todos sabem, cinema e psicologia possuem uma forte ligação, pois a arte e a vida vivem 
numa confusa relação, de modo que uma não é capaz de existir sem a outra, como já nos
 apontava Nietzsche. Nesta série, pretendo analisar o perfil psicológico dos grandes vilões do 
cinema e da vida real, de forma que seja possível entender como aquele jovem inocente com 
cara de mocinho pode se tornar um monstro sem escrúpulos ao longo da história. O mais 
interessante será mostrar como essa realidade não passa longe da nossa própria psiquê 
(e enchendo vocês de spoilers hahaha). Então, mãos à obra!
O primeiro personagem sobre o qual me debruçarei será Norman Bates, protagonista do lendário
 "Psicose" (Psycho) de Hitchcock. A trama, datada da época de 60 parece ser mais um velho filme 
sem efeitos especiais de qualidade e monótono, afinal não passa de mais um filme em preto e 
branco. Era o que eu pensava. Após assistir o seriado Bates Motel (sobre o qual falarei
 futuramente), que retrata a vida do jovem Norman durante sua adolescência utilizando elementos
 do enredo original, percebi o grande potencial da trama em relação ao conteúdo psicológico que 
carrega. Após comentários sobre a mesma em minhas aulas de psicanálise, resolvi assistir o filme
 original. Não consegui desgrudar os olhos da tela. Para minha surpresa, Hitchcock era realmente
 um gênio do suspense (Parabéns André! Ninguém jamais pensaria nele dessa forma se não
 fosse por você). A trama é extremamente bem construída e te prende do início ao fim num
 suspense composto de personagens bem elaborados com cenas sem delongas, sem mimimi, 
sem cadeiras que balançam do nada ou janelas que se batem. O terror psicológico vem do fato de
 você não saber do que cada personagem é capaz; aliás depois você percebe que não sabe nada
 sobre nenhum deles, o que deixa o espectador totalmente a mercê da trama.
psycho1.jpg
Quanto a personalidade de Norman e de sua mãe Norma, por serem extremamente complexas
 dividirei este artigo em partes:
Introdução: Norma & Norman: A encarnação do Édipo Freudiano
Parte I Infância de Norman: Você é tudo para mim e eu sou tudo para você
Parte II Adolescência de Norman: Você é uma garotinha, Norman! Por isso não pode me desejar!
Parte III Bates Motel
Parte IV Vida adulta: "Yes, mother"
Bônus: Um pouco sobre Ed Gein, o assassino que inspirou o cinema
Vamos então discutir a relação entre Norman e Norma Bates, o que servirá de prelúdio para
 compreender a trama. Apresentarei os fatos segundo os filmes da sério Psycho e, como acabei
 de mostrar, farei uma parte falando sobre a série Bates Motel, uma vez que a mesma não
 pertence a série de filmes original e apresenta algumas alterações no enredo. Norma Bates é 
uma personagem intrigante. Uma jovem mãe solteira que cria seu filho Norman num motel à beira
 de uma rodovia que no decorrer da série deixa de ser rota principal devido à um desvio, o que faz
 seu empreendimento ir de mal à pior num piscar de olhos. Até este ponto tudo parece normal.
 Porém ao analisarmos melhor a vida de Norma Bates durante a trama, veremos na mesma e nas
 suas relações diversas problemáticas que irão influir na personalidade doentia de seu filho, a 
começar pelo próprio nome.
A proximidade do nome é intencional; Norma e Norman são tão próximos que chegam a parecer 
uma única pessoa. Este tipo de relação entre os dois é que dará margem para a psicose de
 Norman. Uma vez que Norman era tudo para sua mãe, que nesta altura estava sozinha no
 mundo, ela também era tudo para ele. A relação de ambos pode ser considerada incestuosa,
 uma vez que podemos considerar o incesto como uma relação parental em que não são definidos
 os limites de cada pessoa da relação. Ou seja, Norma e Norman se confundem, como se um
 fosse extensão do outro; este comportamento tomará forma nítida no comportamento psicótico de
 Norman, que nunca superará sua mãe, levando ela consigo em um quadro patológico onde ele 
não é capaz de discernir sua personalidade de sua própria mãe.
Psycho-still.jpg 
Um ponto forte da trama, que tomará maior ênfase na adolescência de Norman será o édipo que 
existe na relação entre os dois. Reza a lenda grega que o oráculo de Delfos havia previsto que o
 filho do rei mataria seu pai
 e casaria com a mãe. O rei imediatamente manda matar a criança, que acaba vivo graças à 
piedade do carrasco. Anos mais tarde esta criança, agora chamado Édipo se tornará um exímio
 guerreiro que comandará tropas contra o rei grego. Assim Édipo mata seu pai biológico e
 desposa a rainha sua mãe e cumpre a profecia. Ao ser informado que era filho biológico do rei e 
de toda a profecia, Édipo enlouquece e fura seus olhos, decidindo vagar pelo mundo até cumprir
 sua pena. Na psicologia Freud aponta um processo conhecido como Complexo de Édipo, no qual
 as crianças tendem a se identificarem mais com o genitor do sexo oposto e rivalizar com o do
 mesmo sexo. Faz então uma analogia onde existem etapas de processos onde, por exemplo,
 o menino deveria matar simbolicamente o próprio pai para se constituir homem; há um
 simbolismo de matar os pais, por exemplo ao sair de casa e se tornar alguém que viva por sí e 
não mais uma extensão de outra pessoa.
Norman Bates nunca teve êxito neste processo. Embora sua relação com sua mãe fosse 
conturbada em alguns momentos, podemos ver o mesmo agindo de forma servil na cena seguinte
. Norman jamais superou sua mãe em nenhum sentido. Mesmo após a morte da mesma ela 
continuava viva para ele, influenciando seu comportamento com ordens diretas do que ele
 deveria fazer. Sua mãe sempre possuiu um comportamento extremamente agressivo e autoritário
, realizando punições diversas que acabariam por impedir que Norman pudesse superá-la.
 Norma Bates era uma mulher forte, ferida pela vida e que teve de criar seu filho sozinha,
 gerindo um motel falido no meio do nada. Era um mulher tão forte que tornou impossível a 
missão de Norman de se tornar um adulto completo, livre do jugo parental e ciente de sí e de sua 
própria identidade.
Devido ao pouco contato com outras pessoas, Norman acaba por ficar preso num círculo familiar
 que é patológico; a falta de relação com outras pessoas contribui muito para que sua 
personalidade seja moldada apenas pela sua mãe, sua única família. O comportamento ciumento
 da mãe em relação a Norman também agravará o processo, impedindo que o mesmo canalize
 seus desejos sexuais para qualquer pessoa se não sua própria mãe. Norma, por outro lado, 
parece ter uma vida mais ativa ao ponto de encontrar um novo amante. E é neste momento que
 toda a atividade psicótica de Norman tomará forma... Esta é apenas a primeira parte que servirá 
como introdução para a série. No próximo artigo, falarei mais sobre a infância de Norman e
 porquê ela foi fundamental para a construção da sua personalidade.



© obvious: http://obviousmag.org/a_psicologia_do_cinema/2015/norman-bates-i---norman-e-norma-a-encarnacao-do-edipo-freudiano.html#ixzz3jMjjnqDw 

sábado, 4 de abril de 2015

A importância da transferência

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REVISTA PSIQUE, EDIÇÃO 109 - 2015.
Durante o processo de análise, para alcançar a cura do paciente, o psicanalista deve adotar uma postura voltada à escuta, à compreensão e à empatia. É necessário entender o sofrimento, experimentá-lo, senti-lo em si, sem se deixar afetar, para não ocorrer a contratransferência

Por Conrado Matos


Shutterstock
Quando Freud se deparou com o quadro clínico da sua paciente Elizabeth Von R., ele induzia e falava, excessivamente, durante as sessões, tentando envolver a paciente a sua maneira de pensar. Parecia que Freud desejava que a paciente alcançasse uma cura, por meio de uma dependência, procurando se livrar das suas angústias. Freud, nessa época, ainda estava preso ao método sugestivo da hipnose.
Se um psicanalista deseja curar um paciente, acredito que seu maior desejo é a escuta, a compreensão e a empatia. É entender o sofrimento, experimentá- -lo, senti-lo em si, sem se deixar afetar, para não ocorrer a contratransferência esmagadora. “O desejo do analista é sentir, em si, o que o outro esqueceu” ( J. D. Nasio). Sendo assim, para Násio: “Toda a nossa dificuldade de psicanalista depende do êxito dessa operação mental, sem deixar-se perturbar com as emoções dolorosas de outrem”. Esse desejo analítico é a busca da cura. O psicanalista descreve para o paciente a cena vivida, transmitindo os traumas vividos, certificando que a dor presente é um símbolo de uma dor passada. Portanto, o desejo do psicanalista é a cura, mas, por via de um saber significante para libertação do trauma do analisando. Essa cura não se desenrola pela dependência desejosa do analista, mas por uma via empática e de grandiosa compreensão.
Freud foi pessimista quanto ao tratamento psicanalítico em pacientes psicóticos ou fronteiriços. Ele dizia que narcisistas não obtinham uma relação com o objeto, simplesmente rejeitavam- no. Claro que Freud esteve certo nesse aspecto, pois alguns analisandos narcisistas costumam desprezar o objeto, ou o psicanalista, e se introjetar em si mesmo, num mergulho destrutivo, podendo romper, abruptamente, com a análise. Com isso, acabam dificultando uma possível transferência eficaz durante o tratamento.
É preciso que exista, por parte do analisando, a transferência para um bom percurso da análise, mas teve quem defendesse um processo terapêutico, chamado de aliança do trabalho, que pode ocorrer no início e durante as análises. Esse processo terapêutico de aliança do trabalho foi praticado, por meio da Psicanálise clássica, do psicanalista americano Ralph Greenson. Ele falou, em sua técnica psicanalítica, que essa aliança contribuiria para o desenvolvimento de uma transferência eficaz, deixando o analisando produtivo e comprometido com o trabalho analítico. Seria, mais ou menos, como um Rapport, um enquadre, uma espécie de aliança, relação positiva, ou seja, aliança terapêutica, que foi praticada por outros psicanalistas. Embora Greenson apresentasse, nessa técnica, um enquadre para que o analisando pudesse suportar frustrações, vergonha e situações repugnantes que partissem do insight analítico, vindo dos sentimentos do analisando.
Essa proposta de análise, Greenson defendeu em sua obra, A Técnica e a Prática da Psicanálise. Ele atendia muitos artistas americanos, nos Estados Unidos.
Conheceu a filha de Freud, Anna Freud, e foi o psicanalista da famosa artista Marilyn Monroe, que praticou suicídio no período da análise. O profissional foi chamado para dar alguns esclarecimentos sobre a trajetória conflitante da artista. Marilyn Monroe nasceu em 1 de junho de 1926, em Los Angeles, e morreu em 5 de agosto de 1962.
Freud foi pessimista quanto ao tratamento psicanalítico em pacientes psicóticos ou fronteiriços. Ele dizia que narcisistas não obtinham relação com o obj eto, simplesmente rejeitavam-no. De fato, alguns deles costumam desprezar o obj eto, ou o psicanalista, e se introjetar em si mesmo, num mergulho destrutivo
Bion, Winnicott, Melanie Klein, Segal e Rosenfeld não viram dificuldade em atender e tratar psicóticos (esquizofrênicos, bipolares, narcisistas) e perceberam que estes analisantes, portadores de patologias graves, seriam possíveis de transferência. No caso de Rosenfeld, o mesmo tratou de diversos pacientes com esquizofrenia aguda e crônica. Os psicanalistas kleinianos tiveram êxito diante desses pacientes. Isso, embora recorressem a diversas formas de relacionamento na clínica psicanalítica, como empatia, compreensão e acolhimento. Talvez a falta da frieza excessiva, defendida por Freud, quanto à postura neutra do analista, por não ser praticada pelos psicanalistas kleinianos, possibilitava uma sessão analítica mais empática e com menos distanciamento do analista, contribuindo, dessa forma, para uma relação de transferência mais produtiva e positiva por parte dos seus analisandos. Aproximando muito mais o analisando psicótico do analista, deixando- o mais confiante e acreditando no processo de cura.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O que é um psicopata?


Cercada de mitos, a psicopatia nem sempre está associada à violência e, ao contrário do que se imagina, pode ser tratada

janeiro de 2008
Scott O. Lilienfeld e Hal Arkowitz
DIVULGAÇÃO
DR. LECTER, psicopata vivido no cinema por Anthony Hopkins
O termo “psicopata” caiu na boca do povo, embora na maioria das vezes seja usado de forma equivocada. Na verdade, poucos transtornos são tão incompreendidos quanto a personalidade psicopática.

Descrita pela primeira vez em 1941 pelo psiquiatra americano Hervey M. Cleckley, do Medical College da Geórgia, a psicopatia consiste num conjunto de comportamentos e traços de personalidade específicos. Encantadoras à primeira vista, essas pessoas geralmente causam boa impressão e são tidas como “normais” pelos que as conhecem superficialmente.

No entanto, costumam ser egocêntricas, desonestas e indignas de confiança. Com freqüência adotam comportamentos irresponsáveis sem razão aparente, exceto pelo fato de se divertirem com o sofrimento alheio. Os psicopatas não sentem culpa. Nos relacionamentos amorosos são insensíveis e detestam compromisso. Sempre têm desculpas para seus descuidos, em geral culpando outras pessoas. Raramente aprendem com seus erros ou conseguem frear impulsos.
Não é de surpreender, portanto, que haja um grande número de psicopatas nas prisões. Estudos indicam que cerca de 25% dos prisioneiros americanos se enquadram nos critérios diagnósticos para psicopatia. No entanto, as pesquisas sugerem também que uma quantidade considerável dessas pessoas está livre. Alguns pesquisadores acreditam que muitos sejam bem-sucedidos profissionalmente e ocupem posições de destaque na política, nos negócios ou nas artes.

Especialistas garantem que a maioria dos psicopatas é homem, mas os motivos para esta desproporção entre os sexos são desconhecidos. A freqüência na população é aparentemente a mesma no Ocidente e no Oriente, inclusive em culturas menos expostas às mídias modernas. Em um estudo de 1976 a antropóloga americana Jane M. Murphy, na época na Universidade Harvard, analisou um grupo indígena, conhecido como inuíte, que vive no norte do Canadá, próximo ao estreito de Bering. Falantes do yupik, eles usam o termo kunlangeta para descrever “um homem que mente de forma contumaz, trapaceia e rouba coisas e (...) se aproveita sexualmente de muitas mulheres; alguém que não se presta a reprimendas e é sempre trazido aos anciãos para ser punido”. Quando Murphy perguntou a um inuit o que o grupo normalmente faria com um kunlangeta, ele respondeu: “Alguém o empurraria para a morte quando ninguém estivesse olhando”.

O instrumento mais usado entre os especialistas para diagnosticar a psicopatia é o teste Psychopathy checklist-revised (PCL-R), desenvolvido pelo psicólogo canadense Robert D. Hare, da Universidade da Colúmbia Britânica. O método inclui uma entrevista padronizada com os pacientes e o levantamento do seu histórico pessoal, inclusive dos antecedentes criminais. O PCL-R revela três grandes grupos de características que geralmente aparecem sobrepostas, mas podem ser analisadas separadamente: deficiências de caráter (como sentimento de superioridade e megalomania), ausência de culpa ou empatia e comportamentos impulsivos ou criminosos (incluindo promiscuidade sexual e prática de furtos).
Três mitos

Apesar das pesquisas realizadas nas últimas décadas, três grandes equívocos sobre o conceito de psicopatia persistem entre os leigos. O primeiro é a crença de que todos os psicopatas são violentos.

Estudos coordenados por diversos pesquisadores, entre eles o psicólogo americano Randall T. Salekin, da Universidade do Alabama, indicam que, de fato, é comum que essas pessoas recorram à violência física e sexual. Além disso, alguns serial killers já acompanhados manifestavam muitos traços psicopáticos, como a capacidade de encantar o interlocutor desprevenido e a total ausência de culpa e empatia. No entanto, a maioria dos psicopatas não é violenta e grande parte das pessoas violentas não é psicopata.

Dias depois do incidente da Universidade Virginia Tech, em 16 de abril de 2007, em que o estudante Seung-Hui Cho cometeu vários assassinatos e depois se suicidou, muitos jornalistas descreveram o assassino como “psicopata”. O rapaz, porém, exibia poucos traços de psicopatia. Quem o conheceu descreveu o jovem como extremamente tímido e retraído.
Infelizmente, a quarta edição do Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR) reforça ainda mais a confusão entre psicopatia e violência. Nele o transtorno de personalidade anti-social (TPAS), caracterizado por longo histórico de comportamento criminoso e muitas vezes agressivo, é considerado sinônimo de psicopatia. Porém, comprovadamente há poucas coincidências entre as duas condições.
O segundo mito diz que todos os psicopatas sofrem de psicose. Ao contrário dos casos de pessoas com transtornos psicóticos, em que é freqüente a perda de contato com a realidade, os psicopatas são quase sempre muito racionais. Eles sabem muito bem que suas ações imprudentes ou ilegais são condenáveis pela sociedade, mas desconsideram tal fato com uma indiferença assustadora. Além disso, os psicóticos raramente são psicopatas.

O terceiro equívoco em relação ao conceito de psicopatia está na suposição de que é um problema sem tratamento. No seriado Família Soprano, dra. Melfi, a psiquiatra que acompanha o mafioso Tony Soprano, encerra o tratamento psicoterápico porque um colega a convence de que o paciente era um psicopata clássico e, portanto, intratável. Diversos comportamentos de Tony, entretanto, como a lealdade à família e o apego emocional a um grupo de patos que ocuparam a sua piscina, tornam a decisão da terapeuta injustificável.

Embora os psicopatas raramente se sintam motivados para buscar tratamento, uma pesquisa feita pela psicóloga Jennifer Skeem, da Universidade da Califórnia em Irvine, sugere que essas pessoas podem se beneficiar da psicoterapia como qualquer outra. Mesmo que seja muito difícil mudar comportamentos psicopatas, a terapia pode ajudar a pessoa a respeitar regras sociais e prevenir atos criminosos.

Without conscience – The disturbing world of the psychopaths among us. Robert D. Hare. Guilford Press, 1999.
Handbook of psychopathy. Christopher J. Patrick (ed.), Guilford Press, 2007.
 http://www2.uol.com.br/vivermente/artigos/o_que_e_um_psicopata_.html

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Don Juanismo - Um desvio sério de caráter



A psicologia descreve o don juanismo como um traço de personalidade que leva ao desejo incontrolável de seduzir. Seu prazer é conquistar e enamorar pessoas difíceis; mas, uma vez seguro da conquista, parte para outra.

Todo aquele que possui esse tipo de caráter não se apega a ninguém, está sempre procurando novos “desafios”, que são uma compulsão permanente. Pessoas assim lançam mão de qualquer expediente para conquistar, mas os sentimentos alheios são o que menos importa para elas.

De acordo com a psiquiatria clínica, alguém que despreza o sentimento alheio, soma critérios para o diagnóstico de sociopatia ou personalidade anti-social. Para o Don Juan, o instante de prazer que o triunfo lhe traz é o que interessa.

Algumas situações que possam parecer proibidas chamam bastante a sua atenção como: o possível relacionamento com uma pessoa casada, ou uma irmã ou filha de um grande amigo. Mulheres religiosas e devotadas são vítimas de suas estratégias de sedução. Aqui, a disputa passa a ser diretamente com Deus. O portador da síndrome de Don Juan ignora a moral, mas se preocupa em mostrar justamente o contrário.

Para o portador da síndrome, a conquista amorosa tem ares de divertimento e competição. É comum, muitas vezes, convidar amigos para apostas sobre sua competência em conquistar uma ou outra pessoa. Alguns trazem listas com as relações de mulheres conquistadas, como se fosse um troféu.

Na opinião do filósofo David Kaplan, uma pessoa com a síndrome de Don Juan tem significativos sentimentos homossexuais. Já de acordo com Thiago de Almeida, psicólogo e pesquisador da USP, especialista em relacionamentos amorosos, as atitudes dom juanescas somente existem em decorrência da existência de suas vítimas. “O Don Juan somente granjeia sucesso passando-se por príncipe (ou princesa) encantado(a), enquanto houver pessoas em busca de consortes encantados”, diz o especialista.

Thiago explica também que o mito de Don Juan pode representar um ideal masculino e, em alguns segmentos culturais, também um ideal feminino. O psicólogo deixa claro que a conquista como reforço da auto-estima pode, durante alguns momentos da vida ou em certas circunstâncias afetivas, ser eficiente.

“Entretanto, estruturando-se a personalidade, a atitude conquistadora tende a desaparecer mais cedo ou mais tarde. O Don Juan nunca é uma pessoa absolutamente normal, trabalhadora e submetida às angústias do cotidiano como qualquer um; nunca é uma pessoa que sofre as limitações costumeiras da falta de dinheiro, do tédio da monotonia da vida e coisas assim”, observa.
Segundo Thiago, o papel do Don Juan é excêntrico e exótico, pois esse personagem é de fato aquele com que as mocinhas sonham. O pesquisador esclarece que a pseudo-impressão que se tem a respeito da figura do Don Juan contemporâneo, é que, assim como é bem sucedido(a) nas conquistas amorosas, também deve sê-lo em relação aos demais aspectos de sua vida.

“Apesar de essas pessoas dominarem muito bem a arte da conquista do sexo oposto, elas não costumam ter a mesma habilidade em outras áreas da atividade humana; ocupacional, empresarial, estudantil ou mesmo familiar”, revela.

O psicólogo evidencia que a trajetória da vida de uma pessoa que sofre da síndrome de Don Juan nem sempre resulta num final satisfatório. Ele explica que as pessoas com esse perfil de personalidade acabam por não se fixar em nenhuma companhia mais seriamente. Thiago lembra que, pelo fato de essas pessoas não constituírem família, acabam se aborrecendo quando constatam que não têm mais facilidade para conquistar pessoas de idade muito inferior à sua.

“O que acontece é que muitas vezes acabam ridicularizados por essas tentativas totalmente fora do contexto. Além disso, podem atravessar períodos de grande angústia na maturidade, quando se dão conta de que todos seus amigos estão casados, têm família e eles já não podem desfrutar de tantas companhias do sexo oposto como antes”, conclui o pesquisador.

Autor: Agência Unipress Internacional/Nilbe Shlishia

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Profissões com maior número de psicopatas!


Psicopata


Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

Psicopata, a rigor designa um indivíduo, clinicamente perverso que tem personalidade psicopática. Contudo, essa última categoria nosológica em especial, dá o nome ao grupo conhecido como sociopatas. Estes por sua vez, na perspectiva psicanalítica são os portadores de neuroses de caráter ou perversões sexuais.
Na Classificação Internacional de Doenças, este transtorno é chamado de Transtorno de Personalidade Dissocial (Código: F60.2).[1]
Matéria da revista super interessante do mês de fevereiro!



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segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Análise sobre reportagem do serial killer Michael Myers



Análise sobre reportagem sobre o serial killer Michael Myers da série de filmes Halloween que está na Revista Mundo Estranho: Guia curioso dos vilões do cinema e da tv. Editora Abril.

Para essa análise é necessário ter assistido "Halloween -  O Início" (2007).
Assisti há algum tempo, e não re-vi para escrever.

Erros:

-Origem.
Michael não assassinou só a irmã mais velha , mas também o namorado dela e o padrasto. O crime não chocou seus pais, chocou sua mãe, não se fala do pai de Michael. Quando Michael escapa ele não volta pra terminar o que começou e matar sua outra irmã. Mesmo porque no dia em que cometeu os primeiros assassinatos ela foi a única que estava em casa que ele poupou. E quando a reencontra ele mostra uma foto familiar que guardou. Ela assustada o agride (acho que dá um tiro nele) e então, a partir daí ele quer matá-la.

-Motivação.
Como assim não sabe porque Michael virou assassino? Ele se encaixa em todos requisitos de situações infantis, que assim como outros seriais killers também passaram. Michael foi maltratado pelo padrasto, pela irmã mais velha e pelo namorado dela, era xingado por eles e sofria drástico bullying na escola, também presenciou fortes cenas sexuais como da irmã com o namorado, incluindo o fato de que sua mãe era dançarina de casa noturna. Creio serem motivações que o levaram a isso, pois todos esses foram os que Michael assassinou, incluindo colega da escola que o maltratava. E essa frase errônea: "talvez seu plano fosse exterminar a família toda", na noite após os assassinatos ele leva a irmã caçula para fora e espera sua mãe, então não era esse o plano. Então, matar Laurie nem sempre foi seu foco principal.

Concluindo, Michael passou por coisas difíceis e se vingou daqueles que o maltratavam, inclusive uma enfermeira do manicômio que também o maltratou e quando Laurie o agride passa a querer matá-la. Não esquecendo de sua reclusão solitária em um manicômio onde passou 15 anos de sua vida e provavelmente pode ter enlouquecido. Na minha visão, Michael nasceu com uma pré-disposição e o ambiente reforçou. O que o tornou posteriormente em um serial killer.

Filme inteiro aqui: http://www.youtube.com/watch?v=EfW54V_2avQ

Por Andréia Miglioranza Marin

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sábado, 4 de junho de 2011

Existe prazer em matar?


Figura retirada do site: tirasdoetcetera.blogspot.com

Reportagem transposta da revista psique ed. 56 - 2010

Texto comprido mas muito bom...

Por Cláudia Maria França Pádua

O ser humano é agressivo e a agressividade é a conduta essencial à sobrevivência: seja para caçar, disputar parceiros sexuais ou para sobrepujar outros na conquista de bens escassos. Além disso, no caso do ser humano, a agressividade está relacionada com as atividades de pensamento, imaginação e ação verba/não verbal.

Consequentemente, alguém "muito bonzinho" poderá ter fantasias destrutivas ou até mesmo sua agressividade poderá se manifestar pela sua ironia, tornando-se irreconhecível perante as pessoas com quem convive. A educação e o meio social buscam o controle dessa agressividade. Assim, desde criança o ser humano aprende a reprimi-la e a não expressá-la de modo descontrolado e descontínuo, ao mesmo tempo em que a cultura cria condições de levar esses mesmos impulsos para as artes, esportes etc.

Para a Psicanálise, a agressividade é constitutiva do ser humano, é a ruptura do pacto social na própria sociedade, é a perfeita anomia representada pelo sujeito. E esse rompimento social pode implicar do ponto de vista inconsciente, a ruptura com o pacto edípico, desencadeando comportamentos delinquentes. Esse esvaziamento do real valor simbólico da lei, introjetada por Freud, é o verdadeiro sentido psicanalítico desta ausência de regras. Freud, como psicanalista, construiu sua teoria permeando nas evidências da constituição do sujeito a implicação da relação com o outro.

Essa função controladora ocorre no processo de socialização, no qual se espera que, a partir de vínculos significativos que o indivíduo estabelece com os outros, ele passe a internalizar os controles. Aí deixa de ser necessário o controle externo, porque o controle interno já se encontra dentro do indivíduo. Em todos os grupos sociais há mecanismos de controle e/ou punição dos comportamentos agressivos que não são valorizados pelo próprio grupo. E a sociedade também apresenta seus mecanismos, que se apresentam nas leis.

Visão Freudiana
Um dos princípios que rege o funcionamento mental é o prazer: a atividade psíquica no seu conjunto tem por objetivo evitar o desprazer e proporcionar o prazer.

Sigmund Freud considera o complexo da violência como algo decorrente de possuir o homem um instinto natural agressivo. Ao se aplicar a teoria freudiana à criminalidade, há indicações de um conflito entre o superego, id e ego, favorecendo o surgimento de um egoísmo ilimitado, um forte impulso destruidor, uma ausência total de amor e uma falta de avaliação emocional dos seres humanos vistos como objetos, com um sentimento de culpabilidade que se busca sufocar por vários tipos de racionalização.

Freud explorou o conceito de que existe um conflito dentro das pessoas. O conflito seria de um instinto animal, recusado pela sociedade, causando então uma resistência do sujeito ao instinto. O sujeito reprime o instinto para o inconsciente e procura substituí-lo por outros métodos de compensação. Em sua teoria, Freud identifica vários métodos de compensação.

A pulsão tem por objetivo a satisfação plena. Quando a pulsão surge, ela tende coercitivamente para a realização do objeto focado. Para Freud, a pulsão é a transformação operada no par de opostos: sadismo e masoquismo (GARCIA-ROZA, 1988, p.128).

O sadismo consiste no exercício da violência ou poder sobre outra pessoa como objeto. Esse objeto é substituído pelo próprio eu do indivíduo (mudança de objetivo: ativo para passivo, e de objeto: do outro eu para o próprio eu). No masoquismo, um outro sujeito é procurado como objeto para exercer o papel de agente da violência.
Segundo Freud, o amor não admite um, mas três opostos, que são:
Amar/Odiar.
Amar/Ser amado.
Amar/Odiar - Indiferença.

Os matadores têm consciência de que se trata de um delito, mas a busca do prazer os impulsiona cada vez mais para cometer atos homicidas. É o desejo de matar que impulsiona a ação e a realização do ato.

Após o crime, há uma sensação de alívio e prazer. Prazer que assume diversas formas: alívio de um estado tensional, no qual a tensão se estabelece pela incerteza quanto à concretização do ato, e que se exaure após a morte da vítima. Prazer de abater a caça, eventualmente associado ao da exibição posterior de algum troféu ou fetiche, representado por um pertence ou parte do corpo da vítima. Prazer derivado da sensação de poder por abater a caça ou o adversário, mostrando-se mais forte ou mais inteligente do que ele. Prazer de poder manipular livremente o corpo inerte da vítima, com domínio total. Prazer de alcançar o usufruto de tudo aquilo que pertencia à vítima, tomando assim o seu lugar, por direito de conquista. Prazer de posteriormente assistir à reconstituição do próprio crime, ou de assistir às notícias e comentários acerca do delito.

Prazer de verificar seu grau de astúcia pelo acompanhamento das investigações, procurando saber que elementos de prova foram recolhidos, e pode até retornar ao local do crime para se inteirar dos acontecimentos posteriores ligados ao mesmo.