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quarta-feira, 13 de julho de 2016

Você Já Se Acordou No Meio Da Noite e Não Conseguiu Se Mover? Ou Viu Algo Inexplicável? Saiba o Que Aconteceu.


Por Christina Sterbenz

O que é a paralisia do sono?

Todos os meses eu tenho uma experiência aterrorizante no meio da noite.
Eu acordo, mas não consigo me mover, exceto meus olhos. Sinto uma presença pesada sobre o meu peito, apertando o ar dos meus pulmões e garganta. Em seguida, uma figura encapuzada sombria começa a aparecer no canto da visão.
Eu não estou sonhando. E não importa quantas vezes isso acontece, o pânico se instala. Quando criança, eu pensava que o diabo vinha visitar meu quarto.
Agora eu sei que estes sintomas decorrem de um fenômeno do sono chamado paralisia do sono. Embora vários fatores sociais e psicológicos possam influenciar a prevalência da paralisia do sono, uma pesquisa de 2011 combinou 35 estudos com mais de 36.000 participantes. Os autores descobriram que 7,6% da população em geral tem experiencias de paralisia do sono, aumentando para 28,3% em grupos de alto risco, como os estudantes que têm um padrão de sono interrompido. E em pessoas com transtornos mentais, como ansiedade e depressão, 31,9% experiencia esses episódios.
“Quando você está experimentando uma paralisia do sono, você se torna consciente”, afirma Daniel Denis, doutorando em neurociência cognitiva e pesquisador do Projeto Paralisia do sono. “A ideia central é que a sua mente acorda, mas o seu corpo não.”

Por que você não consegue se mover?

O sono tem três ou quatro estágios de não-REM (movimento rápido dos olhos) e um estado de sono REM. Enquanto as pessoas podem sonhar em qualquer fase, a fase REM é mais intimamente associada aos sonhos vívidos, que se parecem reais.
O cérebro também permanece ativo durante o sono REM – “quase comparável à atividade do decorrer do dia”, explica Denis. As pessoas ficam naturalmente paralisadas durante o sono REM, provavelmente para impedir a reprodução dos movimentos do sonho, um processo conhecido como atonia REM. Na fase REM a atividade cerebral é parecida com a normal de quando se está acordado, mas nosso próprio cérebro paralisa os músculos, o que previne lesões de possíveis movimentos quando se sonha com uma partida de futebol ou com uma queda, por exemplo. Quando acordamos subitamente, o cérebro pode demorar a perceber que estamos despertos, o modo “paralisia do corpo” não é desativado. Ou seja, a pessoa fica acordada mas incapaz de se mover.


Muitos que acordam durante este estado simplesmente abrem os olhos e rapidamente voltam a se movimentar. Mas aqueles que sofrem uma experiência de paralisia do sono têm “uma espécie de falha no relógio molecular”, como coloca Denis. Por alguma razão, a atonia REM continua depois que você desperta. A maioria dos episódios duram alguns segundos a um minuto, mas em casos mais raros, a pessoa pode precisar de 10 a 15 minutos para recuperar totalmente os movimentos.
Sobre aquele meu amigo sombrio – os pesquisadores não têm as melhores explicações. Para começar, eu poderia estar experienciando a interpretação do meu cérebro de mim mesmo. Os lobos parietais podem estar monitorando os neurônios do meu cérebro, dizendo para meus membros se moverem, de acordo com um estudo da UC San Diego, publicado na revista Medical Hypotheses. Uma vez que não conseguem, o cérebro alucina o movimento pretendido.
Denis explica que o “invasor” também pode ser devido a uma amígdala super-ativa, a parte do cérebro responsável pelo medo (entre outras coisas). “Você acorda com a sua amígdala gritando: ‘Há uma ameaça!'”, Explica. “Portanto, o seu cérebro tem que inventar alguma coisa para resolver o paradoxo criado pela amígdala ativada sem motivo”.

10As experiências

Um dos primeiros estudos aprofundados sobre a paralisia do sono, em 1999, define as três categorias principais de alucinações na paralisia do sono como “pesadelo”, “intruso” e “experiências corporais incomuns”.
No primeiro caso, as pessoas sentem uma pressão intensa no peito, induzindo a sensação de que não conseguem respirar.
Como observam os autores, a paralisia do sono afeta apenas a “percepção da respiração”. Respirar é um reflexo-base, por isso, na realidade nada separa a pessoa do oxigênio. Ela só se sente assim porque está com medo.
“Quando você está em REM, sua respiração é muito rasa e suas vias respiratórias se tornam bastante restritas, por isso é difícil de respirar”, explica Denis. “Mas quando você se torna consciente disso, pode ser aterrorizante”.
As pessoas que experimentam a segunda categoria, o “intruso”, podem ter “um sentimento de presença, medo e alucinações auditivas e visuais”, observam os pesquisadores. Essencialmente, sua mente inventa uma visão para resolver algum paradoxo que ocorreu no cérebro durante a paralisia do sono. Os autores o descrevem como um “estado hiper-vigilante do mesencéfalo”, o que torna a pessoa consciente até mesmo dos menores estímulos e “tendem a interpretá-los como pistas de ameaça ou perigo”. É por isso que um pequeno som pode parecer horrível para alguém que experimenta uma paralisia do sono.
O ´´intruso´´ e o ´´pesadelo´´ caminham lado a lado. Ambos os sintomas normalmente envolvem os sistemas ativados na amígdala por ameaças, como mencionado anteriormente. Algumas pessoas se referem ao “intruso” e ao pesadelo, relatando que sentiram alguém estrangulando-as, diz Denis. Mas o terceiro tipo de alucinação na paralisia do sono, as “experiências corporais incomuns”, são as mais raras.
Quando a pessoa tem uma “experiência corporal incomum”, ela sente que está tendo uma experiência6
fora-do-corpo, levitando ou voando ao redor do quarto, como indica um estudo de 1999. Este terceiro modelo parece estar associado com estágios REM onde o tronco cerebral, cerebelo, e os centros corticais vestibulares são ativados, de acordo com um estudo de 133 pacientes com transtorno do pânico em 2013.
A ponte que inibe o movimento durante o sono, cai nessa etapa, observa Denis. “Você sente como estivesse se movendo, quando na verdade não está, porque a área do cérebro que coordena é hiperativa”, diz ele.

Mitos e folclore

As crenças culturais também influenciam fortemente essas alucinações e experiências, levando à criação de folclores e mitos que podem borrar verdade com ficção. Existem histórias fantásticas. Dê uma olhada numa pintura de 1781, de Henry Fuseli: “The Nightmare”, uma das mais claras interpretações artísticas da paralisia do sono.
Pessoalmente, a minha amígdala superativa evoca imagens do diabo – não me surpreende, considerando que eu cresci numa família cristã. A partir de sua pesquisa, Denis diz que “a cultura ocidental moderna” tende a ver assaltantes, estupradores e aliens.
Na cultura popular brasileira, originou a lenda da Pisadeira, segundo a qual, durante o sono, uma mulher lendária pisa sobre o peito da pessoa que está dormindo, enquanto esta vê tudo e não pode fazer nada.

Prevenção

Fatores como a falta de sono, distúrbios do sono, e trabalho em turnos podem aumentar a probabilidade de alguém ter uma paralisia do sono. Episódios de paralisia do sono têm sido associados à hipertensão, convulsões e narcolepsia (um distúrbio do sono em que a pessoa perde a capacidade de regular os ciclos do sono e pode adormecer em momentos inesperados).Enquanto o estresse, a ansiedade e a depressão muitas vezes desencadeiam os episódios, não podemos controlar esses fatores. Então, além de tentar reduzir o stress e começar a dormir mais, como você pode prevenir o aparecimento da paralisia do sono?Evitar dormir com a barriga para cima pode ajudar. A pesquisa mostrou que a probabilidade de um episódio de paralisia do sono é de três a quatro vezes maior em pessoas que dormem com a barriga para cima. Algumas pessoas usam pijamas para que fique desconfortável dormir com as costas contra o colchão, de acordo com Denis.Mas se apesar de tudo você acordar e se encontrar paralisado, concentre toda a sua energia em mexer um dedo do pé ou da mão. ´´Assim que você conseguir mover um músculo, quebra toda a paralisia”, aconselha Denis.
Fonte: BusinessInsider traduzido e adaptado por Psiconlinews 

terça-feira, 25 de agosto de 2015

E se algumas doenças mentais fossem monstros


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via: oversodoinverso

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Por que tem tanta gente com uma tatuagem de um ponto e vírgula?

tatuagem de ponto e vírgula (Foto: Kate Elizabeth / flickr / creative commons)
Não sei você, mas nas minhas voltas pela internet percebi uma popularização de uma tatuagem inusitada: um ponto e vírgula. Investigando a tendência, o pessoal do Upworthy descobriu a história incrível por trás da moda - o The Semicolon Tattoo Project (semicolon é ponto e vírgula em inglês), que nasceu de uma movimentação nas redes sociais em 2013.
É um movimento que, de acordo com os próprios integrantes, 'mostra amor e esperança a quem tem tendências depressivas e suicidas'. Originalmente, pedia que quem se identificasse com esses objetivos desenhasse um ponto e vírgula em algum lugar de seus corpos e compartilhar em redes sociais. Mas por que um ponto e vírgula? "Um ponto e vírgula é usado quando um autor pode terminar uma frase, mas escolhe continuar" - signficado profundo quando aplicado ao projeto.
No ano passado os líderes do projeto, juntamente com um estudo de tatuagem, ofereceram mais de 400 tattoos de ponto e vírgula para quem luta ou já superou problemas psicológicos. 

sexta-feira, 31 de julho de 2015

TRANSTORNOS ALIMENTARES

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Os distúrbios alimentares figuram entre as patologias psiquiátricas que vêm apresentando maior crescimento em termos de incidência na população. Quem já se aproximou desse universo talvez tenha constatado a sua gravidade, em termos dos prejuízos físicos, psíquicos, afetivos e sociais. Não é apenas o corpo que se torna anoréxico. Todo o psiquismo adoece no sentido da perda de vitalidade, de apetite e do prazer. Sobre esse complexo tema, vale conferir a entrevista com a psicanalista Marina Ramalho Miranda*, que vem se dedicando ao estudo do tema.


Como a psicanálise entende e avalia o recente crescimento na incidência de casos de transtornos alimentares (TA’s)?
Embora os transtornos alimentares, entre eles, as anorexias e as bulimias, sejam novas vestes para antigas patologias, não há quem não perceba esse aumento da sintomatologia em nossos dias.
Tanto na literatura sobre o tema, quanto em minha experiência, existe uma concordância de que uma multiplicidade de fatores combinados é responsável pelo surgimento dos transtornos alimentares e penso que quando pesquisamos sobre o aumento na incidência deles em nossos consultórios, hospitais e serviços de saúde mental, temos que considerá-los em conjunto.
Os fatores que compõem a etiologia dos transtornos alimentares são os constitucionais (genéticos e biológicos), psicológicos (intra-psíquicos), familiares e sócio-culturais.
Pensemos juntos, em que tempos vivemos, atendo-nos nesse início de conversa a essa dimensão.
Como um dos temas prediletos da atualidade, o corpo reina absoluto quando se conjectura sobre o tão falado trinômio juventude-beleza-saúde, pondo em risco a dimensão da mente, ou seja, corpo e mente que deveriam estar juntos e em fluente integração começam a ficar destacados um do outro, e o corpo (e seus correlatos, como a sua nutrição, aspecto, vestimentas, etc.), gradativamente assume uma posição-alvo de exigências de perfeição e controle, sem que as pessoas se dêem muito conta dessa dinâmica de hipervalorização .
Este cenário cria uma espécie de “inter-patrulhamento” da aparência física, e, em particular, no que diz respeito ao volume corporal (será que estão implícitos nessa preocupação questionamentos a respeito do espaço e lugar que ocupa no mundo?) Daí, o próximo passo recai sobre a alimentação. As mulheres, mais do que os homens, são afetadas e fiscalizadas na difícil missão de manter um corpo eternamente jovem, belo, saudável e… magro! Dietas severas de emagrecimento proliferam em todos os cantos e discursos e acabam por ficarem misturadas com a solução para o alcance não só do corpo magro e aceito, mas da felicidade e sucessos almejados.
A psicanálise entra na roda nesse momento, em que a comida e a alimentação perdem seu sentido de combustíveis para a vida, deixam de estar a serviço do viver e como num espiral estonteante entram numa alquimia culinária e se transformam em emoção, medos, horrores, enfim toda sorte de afetos. Ela mergulha na especificidade dos vínculos familiares de cada paciente atendida, especialmente na relação entre as mulheres, nutridoras por natureza, mãe-filha-irmã (muitas vezes a avó também participa, contribuindo para o trabalho), coadjuvantes essenciais do processo psicanalítico, pois temos hipóteses de que esses vínculos já vêm sofrendo dificuldades antigas na troca afetiva, tornando-se mais vulneráveis e porosos às influências do emocional ambiental .
Em termos gerais, na anorexia e na bulimia surge a declaração de uma guerra contra a gordura, que passa a ser a principal vilã de suas vidas. Na obesidade, a comida pode ocupar o lugar da falta, preencher um vazio, amenizar um vácuo que nada tem a ver com a comida em seu sentido concreto, saciar uma fome que vem de outros lugares (ou não-lugares), territórios a serem explorados em companhia.
Mary Del Priore (2000), historiadora, defende a ideia de que hoje a história das mulheres passa pela história de seus corpos e com humor, observa:
“Diferentemente de nossas avós, não nos preocupamos mais em salvar nossas almas, mas em salvar nossos corpos da desgraça da rejeição social. Nosso tormento não é o fogo do inferno, mas a balança e o espelho.”
Há, entre os médicos, uma controvérsia sobre a psicanálise ser um método indicado para tratar pessoas com TA’s. Qual a sua posição? Pela sua experiência clínica, a psicanálise pode ser um método efetivo?
Constato, a partir de meus estudos teórico-clínicos e das inúmeras pesquisas que encontramos na Universidade e na SBPSP, e especialmente, a partir da experiência clínica de atendimento à(o)s pacientes e sua família, que o tratamento psicanalítico dos transtornos alimentares não só é indicado, mas completamente imprescindível. Sustento a ideia de que a presença do psicanalista integrando a equipe multidisciplinar de atendimento abre frestas no mundo hermético dos transtornos alimentares, favorecendo a revisitação e o exercício da linguagem falada, reaproximando essas mentes sofridas e danificadas pela força de defesas destrutivas que as isolam e enclausuram, reconduzindo-as ao mundo da interação fértil. A viva troca nutritiva que a presença e a linguagem instauram conduz ao reino do pensamento simbólico, ao reino do sonhado e do imaginado, tão inibidos no universo dos transtornos alimentares.
Será o psicanalista que irá oferecer uma escuta que se concentra na investigação do que não pôde ser dito ou do que não pôde ser ingerido (ou absorvido em excesso), do que não aparece (ou do que desnuda), do que está interditado (ou do que transborda) permanecendo desconhecido e estranho à compreensão do paciente, que por sua vez se alivia ao descobrir que seus sintomas não serão vistos como doença e sim como sinais indicativos de que algo muito sério aconteceu em algum momento de sua vida, alterando o rumo de desenvolvimento a ser seguido. A(o) paciente fala pelo corpo e com o corpo. O comer o nada ou o tudo devorar, o vomitar e expurgar são tomados como pistas a serem seguidas ou como rastros de conteúdos emocionais brutos, contraditórios, que entraram intrusivamente em seu interior e pedem para serem remastigados. A abordagem psicanalítica, com seu approach que caminha na interioridade, num movimento de olhar de dentro para fora, lê o corpo da paciente com transtorno alimentar como uma tela onde está estampada sua história pessoal. Está atenta às variações da linguagem não-verbal, não se contentando com as expressões atuadas comportamentais, mas tentando acompanhar cada paciente na individualidade e singularidade de suas expressões que, muitas vezes, se apresentam pelo avesso.
Esta tarefa pertence à psicanálise… as pessoas que sofrem desses distúrbios sentem fome desse tipo de compreensão, que se dirige para além do corpo e das comidas e se aliviam ao finalmente experenciá-la.
Um dos sintomas mais difíceis nos TA’s são as distorções da auto-imagem corporal. Sendo um método verbal, o tratamento analítico tem como chegar nesse tipo de sintoma?
Quanto mais intensas forem as distorções da imagem corporal, maior a gravidade desses quadros, pois ficam mais evidentes a força e a intensidade das fantasias que, alterando a percepção de si retiram o indivíduo do acesso ao seu próprio conhecimento e da sua interação com o mundo, deformando a experiência e a impregnando de sensações de desprazer o tempo todo. Continuamos no terreno de contribuições da escuta e da fala psicanalíticas.
Para a psicanálise, e na sua opinião, faz sentido pensar que a nossa cultura de valorização extrema da magreza seja de fato um fator desencadeante da doença? Ou são os conflitos internos e inconscientes os maiores determinantes?
Na resposta à primeira pergunta, aponto a inter-relação de múltiplos fatores agindo conjuntamente para a eclosão de um transtorno alimentar. Não dá para dizer que um deles é mais desencadeante do que o outro. Daí a importância do atendimento em equipe, que tenta mergulhar e dar um espaço especial a cada dimensão e consequências dos transtornos: a medicina, com ênfase na psiquiatria, muitas vezes a endocrinologia, a ginecologia e a cardiologia , a nutrição com sua nuclear contribuição, a orientação familiar, o educador físico auxilia bastante quanto à regulação dos exercícios físicos, que, unidos junto ao profissional psi vão formar uma espécie de família-prótese e comporão um modelo de união de esforços em contraposição a atitudes de patrimônio do atendimento.
Os sintomas dos TA´s são característicos de alguma estrutura psíquica em particular (neurose, psicose, perversão, etc) ou eles transcendem esse tipo de classificação?
Essa pergunta colocada em último é muito acertada, pois é ilustradora do que foi discutido nas anteriores. Na sequência da 4ª reposta, o leitor já pode responder por si essa questão, percebendo a multiplicidade de dimensões encontradas nos transtornos alimentares.
A partir de toda essa complexidade discutida e da especificidade e singularidade de cada situação, como enquadrar esses fenômenos alimentares numa mesma classificação? Como apertar um indivíduo tão singular em seus sinais de perturbação dentro de uma categoria nosológica isolada?
Até os manuais médicos de diagnóstico tem para as anorexias e bulimias um lugar especial e onde elas existem por si dentro do índice geral dos transtornos da alimentação.
Os transtornos alimentares, e em especial, as anorexias e as bulimias, fazem um passeio por entre as variadas psicopatologias referidas pela psiquiatria e não se encaixam em nenhuma delas, ao mesmo tempo em que as contemplam, nos mais diferentes graus.
Sintomas de alto sofrimento para quem deles se aproxima, mas que se forem acolhidos por companhias com um bom apetite para o trabalho, culminarão em nutrição saudável para todos.


quarta-feira, 29 de julho de 2015

PERDAS E LUTOS QUE ENFRENTAMOS AO LONGO DA VIDA

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Fonte:http://psicanaliseblog.com.br/2015/03/02/perdas-e-lutos-que-enfrentamos-ao-longo-da-vida/

A vida é um constante processo de perda e superação. Há diferentes tipos de perdas, mais ou menos intensas. Mais ou menos definitivas. Em todos os casos somos colocados diante da necessidade de viver o luto, enfrentar a ausência e a falta e elaborá-las, para que a vida siga em frente. Ao contrário do que alguns imaginam, mergulhar naquilo que gerou tristeza pode ser uma parte fundamental desse processo. O luto – enquanto trabalho a ser realizado a partir de uma perda – promove um maior nível de integração e amadurecimento da personalidade. Sobre o assunto, vale conferir o texto abaixo, da psicanalista e membro da SBPSP, Sylvia Pupo.
Perdas e lutos que enfrentamos ao longo da vida
Por Sylvia Pupo*
“Levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima”, diz a última estrofe do samba, sugerindo que devemos ser inabaláveis frente aos tombos que a vida nos dá.
Com admiração, geralmente, são vistas as pessoas que não se abatem ante uma perda, golpe ou obstáculo. São estimuladas a mostrar força e quase ausência de sentimentos. “Bola pra frente!”. Como sinal de força e maturidade são instigadas a esquecer rapidamente o acontecido e prosseguir.
Há tantos tipos e intensidades de perdas e de lutos a fazer. Há lutos por mortes ou separações, pelas próprias expectativas não atingidas, por um filho que cresceu e nos obrigou a nos re-situar como pais; por formar-se e ter que procurar um emprego, pela perda da infância, pelo envelhecimento…Cada fase da vida é acompanhada de mudanças; mudanças que nos desalojam e podem ser sentidas como perdas, demandando um trabalho interno de luto. O que é sentido como perda para um, pode não afetar um outro da mesma maneira.
Desde pequenas separações, até perdas mais definitivas, os lutos a fazer são diários e seus efeitos e possibilidades de elaboração vão depender, dentre outros fatores, da história afetiva dos sujeitos e da qualidade de seus vínculos primeiros. Muitas, entretanto, são necessárias e estruturantes.
Algumas pessoas acabam criando “soluções maníacas” para lidar com uma situação de perda. Desenvolvem uma excitação que substitui a esperada tristeza. A tal da “volta por cima” pode incluir viagens, festas, gastos, drogas, esportes, comportamentos em excesso que visam ajudar a não pensar ou sentir.
Ao contrário, é necessário “dar a volta por baixo”, poder falar a respeito, sentir, entristecer-se e mergulhar para voltar à tona. Esta é uma etapa fundamental no trabalho de luto, termo sugerido por Freud, em relação ao processo para a elaboração de toda perda. O reconhecimento de uma perda é um passo fundamental para a sua aceitação.
O processo de luto é uma etapa natural e necessária, que quando terminado vai promover um maior nível de integração e amadurecimento da personalidade. Aqueles que puderem contar com acompanhamento psicoterápico podem se beneficiar muito disto, principalmente nestes momentos
É importante distinguirmos um luto “normal”, esperado, de um luto patológico, de duração prolongada, onde há transformação da tristeza em depressão. A tristeza é um estado natural, dentre outros, que se seguem a uma perda.
Numa sociedade em que a tristeza não pode ser tolerada e deve ser medicalizada há uma demanda de que sejamos sempre felizes e bem sucedidos, o espaço para a fragilidade e para a própria subjetividade é cada vez menor. O ritmo acelerado nos faz também atropelar as emoções e o tempo necessário para cada um finalizar seus processos.
O luto vai na direção oposta. Ele traz consigo uma necessidade temporária de recolhimento, de parada. Promove uma “regressão” como medida de economia psíquica até o momento em que a pessoa em questão possa retomar seu investimento no mundo. É um tempo de convalescença psíquica.
A impossibilidade de uma pessoa vivenciar as fases necessárias de um trabalho de luto, ou mesmo um prolongamento deste período, pode levar a estados cronificados de melancolia, ressentimento e desvitalização.
É importante, que além do trabalho de elaboração individual – com ou sem auxílio de uma psicoterapia – o apoio do grupo social e a utilização de recursos simbólicos e certos rituais presentes na Cultura como um auxílio na elaboração dessas etapas.
*Sylvia Pupo é psicanalista e membro da SBPSP
Bibliografia – Freud, .S. (1817[1915] /1988) “Luto e melancolia in Edição Standard das Obras Completas de Sigmund Freud. Vol. XIV. Rio de Janeiro: Imago.
“Volta por cima” samba de de Noite Ilustrada

sábado, 25 de maio de 2013

SE QUER ENGRAVIDAR, VEJA 6 DICAS PARA A ANSIEDADE NÃO ATRAPALHAR

 
  Quando a ansiedade se torna excessiva, a falta de equilíbrio emocional pode interferir nos níveis hormonais, tornando ainda mais difícil a concepção", afirmou a psicóloga Luciana Leis, especializada no atendimento a casais que enfrentam problemas de fertilidade. "O estresse também pode afetar a relação do casal e a libido, levando, inclusive, a uma diminuição na frequência das relações sexuais, com prejuízos óbvios", disse a ginecologista Maria Clara Amaral. Então, para diminuir o nervosismo, e ainda aumentar suas chances de engravidar, confira as orientações de três especialistas na área de reprodução humana
1) ESPERE, SEM DESESPERAR
"É considerado normal um casal saudável, de até 35 anos e que mantenha relações desprotegidas frequentemente, demorar até um ano para engravidar. Ele terá, em média, 20% de chance de conseguir uma gestação a cada mês", afirma Maria Clara. Portanto, se está tentando há apenas alguns meses, não há nenhum motivo para se preocupar.
Para as mulheres acima dos 35, o período de espera deve ser um pouco mais curto, já que a fertilidade declina com a idade. "Nesse caso, o ideal é esperar só até seis meses antes de buscar um tratamento", disse Rodrigo Pagani, andrologista e professor do curso de pós-graduação em Infertilidade Humana do Instituto de Ciências da Saúde (ICS).
2) APROVEITE O PERÍODO FÉRTIL
A mulher ovula uma única vez a cada mês, durante o período fértil. Então, o ideal é que o casal que deseja engravidar mantenha relações em dias alternados durante esse período. "Alternar os dias é uma boa estratégia para melhorar a qualidade do sêmen. Como o óvulo sobrevive 24 horas e os espermatozóides, 72 ou mais, ainda que a ovulação ocorra um dia antes da relação sexual ou um dia após, a fecundação será possível. Além disso, as relações sexuais em dias alternados diminuem o estresse e a perda da espontaneidade entre o casal", disse Amaral.
3) CONTROLE A ANSIEDADE
Conversar com um médico pode ajudar. "Na consulta, o casal terá a oportunidade de esclarecer dúvidas e acabar com certos mitos no que diz respeito à infertilidade", disse Amaral. Adotar um hobby também é uma boa pedida. "A grande armadilha é mudar a vida e a rotina e passar a viver só em função da gravidez, centralizando todas as atenções nesse sonho. Buscar alguma atividade que lhe dê prazer, e que não esteja relacionada ao bebê, é uma medida para baixar o nervosismo", afirma a psicóloga Luciana.
Ela sugere, ainda, a troca de experiências com outros casais, com o marido, e até mesmo com um profissional da área de psicologia, como medidas eficientes para aliviar a tensão tão comum no período. "É importante não guardar só para si os sentimentos. Falar sobre eles e compartilhar vivências vai fazer muito bem", disse. Outra dica dos especialistas é apostar em atividades relaxantes, como a ioga e a meditação.
5) FIQUE DE OLHO NA BALANÇA
Tanto o peso excessivo quanto a deficiência de gordura no organismo podem ter impacto sobre a fertilidade. "Mulheres obesas, assim como as anoréxicas ou as que praticam esportes e têm pouca massa gorda, podem demorar mais para conceber. Isso porque é comum apresentarem ciclos menstruais irregulares e desordens ovulatórias", afirma Maria Clara. O homem que está acima do peso também pode sofrer com a diminuição na quantidade e na qualidade dos seus espermatozoides.
6) CONSULTE SEU MÉDICO REGULARMENTE
Problemas de rotina, e que não costumam chamar tanto a atenção de homens e mulheres, podem estar atrapalhando a concepção e devem ser investigados o quanto antes. Um simples corrimento, por exemplo, pode levar até a obstrução das trompas. "Se ele for originado por doenças sexualmente transmissíveis, como as causadas pela clamídia e/ou pelo gonoco, há grandes riscos. Esses microorganismos podem ascender pelo trato genital, acometendo as trompas de falópio. E só um ginecologista terá condições de diagnosticar qual é o tipo de corrimento que está afetando a mulher, indicando seu impacto na fertilidade", disse a ginecologista. No caso dos homens, infecções urológicas também podem influenciar a produção de espermatozoides. Daí a importância de agendar consultas de rotina, mesmo sem apresentar nenhum sintoma desagradável.


Fonte: Portal TERRA

domingo, 19 de maio de 2013

TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada


Foto: TAG – Transtorno de Ansiedade Generalizada
Uma das maneiras de diferenciar a ansiedade generalizada da ansiedade normal é através do tempo de duração dos sintomas. A ansiedade normal se restringe a uma determinada situação, e mesmo que uma situação problemática causadora de ansiedade não mude, a pessoa tende a adaptar-se e tolerar melhor a tensão diminuindo o grau de desconforto com o tempo, ainda que a situação permaneça desfavorável. Assim uma pessoa que permaneça apreensiva, tensa, nervosa por um período superior a seis meses, ainda que tenha um motivo para estar ansiosa, começa a ter critérios para diagnóstico de ansiedade generalizada. Uma vez eliminada a ocorrência de outros transtornos mentais assim como eliminada a possibilidade do estado estar sendo causado por alguma substância ou doença física, podemos admitir o diagnóstico de ansiedade generalizada.
 Respeitadas essas condições os sintomas que precisam estar presentes são:
1. Dificuldade para relaxar ou a sensação de que está a ponto de estourar, está no limite do nervosismo
2. Cansa-se com facilidade
3. Dificuldade de concentração e freqüentes esquecimentos
4. Irritabilidade
5. Tensão muscular
6. Dificuldade para adormecer ou sono insatisfatório
Por fim, um critério presente em todos transtornos mentais é o prejuízo no funcionamento pessoal ou marcante sofrimento. Não podemos considerar os sintomas como suficientes para dar o diagnóstico caso o paciente não tenha seu desempenho pessoal, social e familiar afetados.
A preocupação com a possibilidade de vir a adoecer com algo grave ou sofrer um acidente embora não existam indicativos de que essas coisas possam vir a acontecer é o foco mais comum das preocupações das pessoas com ansiedade generalizada. Algumas pessoas temem mais que os entes queridos sofram algum desses males, como os pais, ou filhos. Estes pacientes estão sempre imaginando situações como essas e freqüentemente se consideram incapazes de lidar com elas caso realmente venham a acontecer.
As variedades dos sintomas de ansiedade são enormes e muitas vezes pessoais. Ganho de peso, por exemplo, tanto pode não ter nenhuma relação com ansiedade como pode, para determinadas pessoas, ser a manifestação mais freqüente. Os sintomas mais comuns então são: boca seca, mãos ou pés úmidos, enjôos ou diarréia, aumento da freqüência urinária, sudorese excessiva, dificuldade de engolir ou sensação de um bolo na garganta, assustar-se com facilidade e de forma mais intensa.
Tratamento
As medicações como os tranquilizantes são eficazes assim como os antidepressivos. É curioso que os antidepressivos sejam eficazes porem empiricamente observamos esse fato: alguns antidepressivos com mais eficácia do que outros. Além das medicações, terapias também proporcionam bons resultados sendo muitas vezes recomendada a combinação de ambas as técnicas. 
Fonte: Psicosite 
Uma das maneiras de diferenciar a ansiedade generalizada da ansiedade normal é através do tempo de duração dos sintomas. A ansiedade normal se restringe a uma determinada situação, e mesmo que uma situação problemática causadora de ansiedade não mude, a pessoa tende a adaptar-se e tolerar melhor a tensão diminuindo o grau de desconforto com o tempo, ainda que a situação permaneça desfavorável. Assim uma pessoa que permaneça apreensiva, tensa, nervosa por um período superior a seis meses, ainda que tenha um motivo para estar ansiosa, começa a ter critérios para diagnóstico de ansiedade generalizada. Uma vez eliminada a ocorrência de outros transtornos mentais assim como eliminada a possibilidade do estado estar sendo causado por alguma substância ou doença física, podemos admitir o diagnóstico de ansiedade generalizada.
Respeitadas essas condições os sintomas que precisam estar presentes são:
1. Dificuldade para relaxar ou a sensação de que está a ponto de estourar, está no limite do nervosismo
2. Cansa-se com facilidade
3. Dificuldade de concentração e freqüentes esquecimentos
4. Irritabilidade
5. Tensão muscular
6. Dificuldade para adormecer ou sono insatisfatório
Por fim, um critério presente em todos transtornos mentais é o prejuízo no funcionamento pessoal ou marcante sofrimento. Não podemos considerar os sintomas como suficientes para dar o diagnóstico caso o paciente não tenha seu desempenho pessoal, social e familiar afetados.
A preocupação com a possibilidade de vir a adoecer com algo grave ou sofrer um acidente embora não existam indicativos de que essas coisas possam vir a acontecer é o foco mais comum das preocupações das pessoas com ansiedade generalizada. Algumas pessoas temem mais que os entes queridos sofram algum desses males, como os pais, ou filhos. Estes pacientes estão sempre imaginando situações como essas e freqüentemente se consideram incapazes de lidar com elas caso realmente venham a acontecer.
As variedades dos sintomas de ansiedade são enormes e muitas vezes pessoais. Ganho de peso, por exemplo, tanto pode não ter nenhuma relação com ansiedade como pode, para determinadas pessoas, ser a manifestação mais freqüente. Os sintomas mais comuns então são: boca seca, mãos ou pés úmidos, enjôos ou diarréia, aumento da freqüência urinária, sudorese excessiva, dificuldade de engolir ou sensação de um bolo na garganta, assustar-se com facilidade e de forma mais intensa.
Tratamento
As medicações como os tranquilizantes são eficazes assim como os antidepressivos. É curioso que os antidepressivos sejam eficazes porem empiricamente observamos esse fato: alguns antidepressivos com mais eficácia do que outros. Além das medicações, terapias também proporcionam bons resultados sendo muitas vezes recomendada a combinação de ambas as técnicas. 


Fonte: Psicosite

sábado, 11 de maio de 2013

Ansiedade.

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Ansiedade, ânsia ou nervosismo é uma característica biológica do ser humano, que antecede momentos de perigo real ou imaginário, marcada por sensações corporais desagradáveis, tais como uma sensação de vazio no estômago, coração batendo rápido, medo intenso, aperto no tórax, transpiração etc.

Causas

Esses dois aspectos, tanto a ansiedade quanto o medo, não surgem na vida da pessoa por uma escolha. Acredita-se que vivências interpessoais e problemas na primeira infância possam ser importantes causas desses sintomas. Além disso, existem causas biológicas como anormalidades químicas no cérebro ou distúrbios hormonais. Ansiedade é um estado emocional que se adquire como consequência de algum ato.

Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ansiedade

domingo, 21 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Síndrome do Pânico e Psicanálise.

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Não deixem de ler: Pânico e desamparo na atualidade- um olhar psicanalítico: http://www.scielo.br/pdf/agora/v8n2/a03v8n2


Síndrome do Pânico



O que é a síndrome do pânico? De onde ela vem? Como trata-la? São questões que muitos tem, inclusive aquelas pessoas que suspeitam serem portadoras da síndrome do pânico. Algumas possivelmente poderão ser enquadradas dentro desta síndrome, outras poderão ter um transtorno de ansiedade generalizada e outras quadros de depressão.

Como identificar? Recomendamos iniciar a pesquisa procurando um psiquiatra e posteriormente um psicólogo ou analista para dar início a psicoterapia concomitantemente ao tratamento medicamentoso.

Por síndrome diz-se todo conjunto de sinais e sintomas clínicos e laboratoriais que caracterizam determinada doença. Na síndrome do pânico o DSM-IV (livro de classificação das doenças) diz que para se caracterizar a síndrome do pânico o paciente deve apresentar simultaneamente pelo menos 04 dos seguintes sinais e sintomas: palpitação, sudorese, tremores ou abalos, sensação de falta de ar ou sufocamento, sensação de asfixia, náuseas ou desconforto abdominal, dor ou desconforto torácico (no peito), desrealização (sensações de irrealidade), despersonalização (estar distanciado de si), tontura ou vertigem, medo de perder o controle, medo de enlouquecer, medo de morrer, sensações de parestesia (adormecimento) ou formigamentos em extremidades ou membros, sensações de calor ou calafrios. Em geral eles iniciam sem aviso prévio e de forma súbita.

Devemos também diferenciar pânico de medo, fobia, ansiedade e angustia. Por medo define-se uma apreensão frente a um perigo real, externo e imediato. Por fobia uma apreensão frente a um perigo imediato, mas nem sempre real e externo. A ansiedade é uma sensação de que algo de ruim está para acontecer, sempre movido por um fato que ainda não ocorreu e trazendo um sofrimento individual antes mesmo do fato realmente ocorrer. A ansiedade nem sempre deve ser considerada uma doença, ela faz parte de nosso ser e está presente em muitas situações (véspera de provas, de uma entrevista de emprego, de uma declaração de amor, de uma palestra, etc.), podendo vir a ser considerada uma doença se sempre aparecer por qualquer motivo e trazer desconfortos por longos períodos de tempo. A angústia é um sentimento que ocorre caracterizado por sensações de aperto no peito, uma sensação de vazio interno, sendo originado quase sempre por um motivo impreciso e indefinido, normalmente não real e fazendo parte de nossos conflitos internos, de nossas fantasias e desejos inconscientes.

As causas da síndrome do pânico são individuais, não há como desejar reconhecer uma única causa para diagnosticar este problema. É preciso que o paciente fale para que o terapeuta possa lhe conhecer, bem como a seus problemas, seus conflitos, como e quando a doença ocorre, para que se possa criar possibilidades de terapia através dos insights, da busca pela mudança e da transformação individual, da resolução de seus eventuais conflitos inconscientes internos.

Aqui abordaremos dois tipos de terapia que podem ser usadas para os portadores de síndrome do pânico: a psicanálise e a hipnose.Tanto uma quanto a outra trabalharão com os conteúdos que o paciente verbaliza durante sua sessão. A verbalização livre fará com que comece a haver a concatenação de idéias, sentimentos, afetos, recordações até então livres e não conscientes, levando o paciente a perceber aos poucos a forma como ele percebe os eventos desencadeadores de sua doença e como ele as mantêm (cultiva). Desta percepção ele mesmo começará a elaborar novas possibilidades de evitar e contornar situações que gerem ansiedade e produzam posteriormente seu pânico. O que pode vir a dificultar certos casos serão os diversos mecanismos de defesa psíquicos que alguns pacientes podem criar para fugir de seus conflitos internos e de um possível sofrimento.

A análise ou a hipnoanálise levará o paciente a tornar consciente os motivos inconscientes que o levam a desencadear todo o processo de ansiedade, angústia e por fim pânico. Todavia, como foi dito acima, seja qual for a abordagem utilizada, recomendamos paciência na obtenção de resultados, pois o paciente lutará consigo mesmo, através das referidas defesas psíquicas que procuram evitar a dor e o sofrimento.

A hipnose pode em alguns casos facilitar o acesso ao conteúdo focal da ansiedade e em outros deve ser postergado seu uso até que o ego do paciente tenha apoio suficiente para elaborar o que quer que saia de sua memória inconsciente. Normalmente para se evitar riscos e sofrimento desnecessários, iniciamos comumente pela psicanálise clássica e o uso da hipnose virá caso haja a necessidade e a oportunidade de se acelerar o processo, caso contrário o paciente será orientado a continuar sua terapia de forma clássica até o fim. O maior risco envolvido no uso indevido da hipnose é desencadearmos no paciente uma crise depressiva desnecessária por falta de apoio egóico.

Quando recebemos pacientes com quadros de desesperança que indicam a possibilidade de desenvolverem facilmente uma depressão, a hipnose deve ser usada não para descobrir focos que desencadeiam o pânico, mas para resgatar lembranças boas, alegres e enriquecedoras que venham a fortalecer o ego e a auto-estima desta pessoa, para que se possa dar início posteriormente a busca pela causa original através da abordagem clássica (e não pela hipnose). Batendo sempre na tecla das boas recordações, fazemos aos poucos o paciente perceber que há algo de bom dentro dele e que ele pode se apoiar nesta sua parte para enfrentar a vida e seus problemas, que ele não se encontra totalmente desamparado como pensa estar.
 

quinta-feira, 21 de março de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

TOC

Comportamento compulsivo
Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece ao princípio do prazer: a pessoa reconhece os impulsos como seus e se lança a realizar o ato porque vai sentir prazer

Por Roberte Metring


Texto retirado da Revista Psique. Ed.82- 2012.


Imagem: Shutterstock

O impulso é uma percepção psíquica súbita de um desejo que impele o indivíduo à realização não planejada, de um ato que resulta no alívio da tensão ou uma satisfação prazerosa

Por acaso já se pegou puxando cabelos brancos do braço ou da cabeça para não delatar a idade? Já ruminou uma música por um tempo considerável, até que ela se tornasse chata em sua mente? Já voltou para ver se tinha mesmo fechado a porta da sua casa ou desligado a chama do fogão? Já brincou de colocar fogo em coisas quando era criança? Já apostou num inocente jogo de cartas de baralho com alguém? Já tentou se livrar de um pensamento que não o abandona? Já se viu praticando alguma mania como arrumar os óculos ou os cabelos várias vezes, mesmo sabendo que não era necessário, mas porque simplesmente parecia impossível controlar a vontade?
É bem possível que você tenha respondido sim a várias dessas perguntas. Calma! Isso não significa que você sofre de comportamento compulsivo ou transtorno de controle do impulso (TCI).
● Oneomania ●
(comprador compulsivo): do grego onéo, que significa comprar, a pessoa apresenta um excesso de preocupações e desejos relacionados com uma necessidade incontrolável de comprar e gasta mais do que pode, e/ou com coisas desnecessárias, ou seja, uma mania de comprar ou de gerar ônus. Essas preocupações perturbam o cotidiano do sujeito, pois consomem tempo significante e interferem no funcionamento social e laboral, resultando quase sempre em maiores problemas financeiros. Prevalência alta em mulheres (80% a 95% versus 5% a 20% em homens), sem distinção de escolaridade ou classe social.
A princípio, e de forma geral, um comportamento compulsivo (ou TCI) é classificado como uma falha da pessoa no controle de seus impulsos. Por isso, mesmo que você tenha respondido com vários sins às questões acima, se isso está totalmente controlado, você sabe o que está fazendo, não lhe causa problemas sociais, profissionais, relacionais, matrimoniais, financeiros etc., você não está sob efeito da compulsividade.
Atente ao fato de todo comportamento normal poder deslizar para um comportamento compulsivo, porém nenhum comportamento compulsivo é normal, a não ser entre aqueles que estão no mesmo contexto, no mesmo tipo de comportamento, que devem achar pouco normal viver uma vida sem muitos problemas de compulsividade.Pesquisas indicam que o comportamento compulsivo, de forma geral, se apresenta associado a transtornos de humor e de ansiedade. Também existem pesquisas que indicam o TCI como uma forma de transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), embora não haja concordância plena sobre isso, já que no TOC os sintomas costumam provocar a ansiedade, gerando algum tipo de sofrimento para o indivíduo na execução do ato, que normalmente ele desejaria evitar mas que não consegue por ser a única forma encontrada para aliviar a tensão, a angústia e a ansiedade. Esse comportamento realizado no TOC é gerado por uma questão obsessiva, intrusiva, que é perfeitamente questionável pela pessoa, embora não controlável, portanto, considerado egodistônico - aquilo que não é dela, que vem de fora.
Um comportamento compulsivo (ou TCI) é classificado como falha da pessoa no controle de seus impulsos
Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece a outro princípio, o princípio do prazer. A pessoa não questiona se os impulsos são seus, ela os reconhece como seus - uma questão egosintônica - e se lança a realizar o ato porque vai sentir prazer naquilo e portanto para essa pessoa é fácil criar explicações para seus pensamentos ou comportamentos, mesmo que eles sejam nada adaptativos ao meio ou à sua posição. Essa pessoa não deseja neutralizar nada, deseja é sentir prazer realizando aquele ato.

Sintomas do TCI
Segundo o DSM-IV (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4ª edição),a característica mais evidente do TCI é o fracasso da pessoa em resistir à tentação de praticar algum ato, seja de forma premeditada/planejada ou não.
Nos momentos anteriores ao ato há uma crescente sensação de tensão ou excitação e, durante a realização dele, uma experiência de prazer, gratificação ou alívio.
Após a realização do ato não é raro que sobrevenha o arrependimento, a autorrecriminação ou a culpa, porém não é condição imperiosa que esses sentimentos ocorram, podendo mesmo não ocorrer, e se ocorrem não impedem a pessoa de realizar tudo novamente, pelo prazer que sente com o comportamento.
Impulso, obsessão, compulsão
Por impulso, nos referimos à percepção psíquica súbita de um desejo que se energiza impelindo o indivíduo à realização urgente e experimental, não planejada, de um ato ou comportamento que deve ter, como resultado, o alívio da tensão ou uma satisfação prazerosa. Em condições normais é isso o que ocorre, e o aparelho psíquico, agora aliviado da tensão, de uma forma ajustada, está pronto para a geração de outro ato ou comportamento de acordo com as necessidades e circunstâncias de vida do indivíduo.
Pesquisas indicam que o comportamento compulsivo, de forma geral, se apresenta associado a transtornos do humor e de ansiedade
Porém, nem sempre é assim que as coisas acontecem. Por vezes, o processo foge do controle e os impulsos começam a se tornar irrefreados como se ganhassem vida própria. Inicia-se uma sequência descontrolada e desenfreada do par impulso-ação que se retroalimenta sem um fim em si mesmo, conduzindo ao que passamos a chamar de comportamento compulsivo.

Se no TOC o objetivo é aliviar a tensão e se desfazer da ansiedade, no TCI a ação obedece a outro princípio, o princípio do prazer
Na compulsão, o indivíduo é levado a praticar um ato por um impulso interno muito poderoso. A não realização do ato traz sentimento de angústia e aumento da pressão psíquica, que podem se tornar intoleráveis e desestruturantes do próprio psiquismo

● Automutilação ●
A agressão ao próprio corpo é intencional, sem no entanto desejar conscientemente chegar ao suicídio, com o uso de técnicas de baixa letalidade: cortar a pele (70%), bater em si mesmo (40%) e queimar-se de alguma forma (entre 15% e 35%). Estudos identificaram que pessoas abusadas emocional, física ou sexualmente na infância, que sofreram bulling na adolescência, que apresentam sintomas depressivos, ansiedade, impulsividade e baixa autoestima, que já tenham apresentado ideação ou tentativa de suicídio estão entre os que desenvolvem esse comportamento compulsivo.
Mas pode também ocorrer o contrário.
Essa sequência impulso-ação, por motivos vários, pode começar a interagir com mecanismos psíquicos de controle - os mecanismos de defesa do Ego. Esses mecanismos têm o objetivo de proteger o aparelho psíquico do sofrimento, da aflição ou da descompensação. Essa nova associação não consegue impedir a geração do impulso, já que o desejo emerge de camadas menos conscientes do aparelho psíquico, mas consegue impedir que seja gerado o ato ou o comportamento que aliviaria a tensão. Nesse caso não teremos como resultado um comportamento compulsivo, como no anterior, mas sim outros quadros neuróticos, como por exemplo as fobias, que delatam ao mesmo tempo o desejo e o medo de realizar alguma coisa, portanto para não cometer o proibido é melhor se afastar do lugar, da situação, das pessoas que possam eliciar esse ato.Obsessões referem-se a ideias, imagens, impulsos ou pensamentos intrusivos e repetitivos, indesejados e exagerados, que produzem ansiedade e desconforto para o indivíduo. A obsessão tem caráter egodistônico, e apesar de reconhecida como indesejável, a pessoa não consegue exercer controle sobre sua presença. A única forma de controle é gerar um comportamento que alivie a tensão, porém o próprio comportamento acaba por gerar ainda mais angústia e ansiedade, já que a pessoa reconhece que não deveria estar fazendo aquilo, que não é do seu desejo, ativando um circuito de retroalimentação que se torna, então, incontrolável pela pessoa, a não ser que se submeta a tratamento, normalmente psicológico e psiquiátrico. A obsessão é característica do TOC, tem classificação própria para diagnóstico, então não é estudada como um TCI.
A obsessão tem caráter egodistônico, e apesar de reconhecida como indesejável, a pessoa não consegue exercer controle sobre sua presença
O compulsivo, após a realização do ato, pode ficar ou não arrependido, mas, independentemente disso, nenhum sentimento o impedirá de realizar tudo novamente, pelo prazer que sente com o comportamento
Compulsão, etimologicamente, tem origem latina - compulsione, compellere - que significa compelir, constranger, forçar, obrigar. No vocabulário freudiano, compulsão refere-se a uma força interna que impera no indivíduo, compelindo-o a realizar frequentemente uma ação, produzir um pensamento, ou mesmo gerar uma operação defensiva, ou tudo isso junto. Clinicamente, compulsão refere-se a uma conduta - um ato, uma ação, um comportamento ou um pensamento - que o indivíduo é levado a praticar por um impulso interno muito poderoso, ou uma obsessão, dos quais perde o controle, já que a não realização do ato traz sentimento de angústia e aumento da pressão psíquica, que podem se tornar intoleráveis e desestruturantes do próprio psiquismo.
Quando o indivíduo cede à compulsão surge o comportamento compulsivo, uma forma de aliviar tensões psíquicas, que se torna viciada e descontrolada. Lembremo-nos que a diferença entre o TOC e o TCI se constitui basicamente no fato de o comportamento compulsivo no TOC ter origem egodistônica, ser ritualizado, visar a redução da ansiedade do sofrimento. No TCI, a origem é egosintônica e normalmente gera sensação de prazer ou satisfação na sua realização.
São exemplos de comportamento compulsivo, classificados no DSM-IV e na CID-10 (Classi cação Internacional de Doenças): transtorno explosivo intermitente, cleptomania, piromania, jogo patológico, tricotilomania (arrancar os de cabelo ou pelos do corpo), dermatotilexomania (causar lesões na própria pele), oneomania (comprar compulsivo), compulsão sexual, compulsão pela internet, amor patológico, entre outros.
Formas de tratamento
Há duas formas de tratamento possíveis para os casos de comportamento compulsivo: acompanhamento psicoterapêutico e acompanhamento psiquiátrico.
Compulsão tem origem latina - compulsione, compellere - que significa compelir, constranger, forçar, obrigar
A pessoa que apresenta um excesso de preocupações e desejos relacionados com necessidade incontrolável de comprar e gasta mais do que pode e/ou com coisas desnecessárias também sofre de um comportamento compulsivo
O acompanhamento psicoterapêutico vai trabalhar com a revisão e clarificação dos conteúdos subjetivos presentes nas manifestações compulsivas do comportamento. O psicólogo é o profissional que vai conduzir um processo, com base científica comprovada, para levar o paciente a compreender as causas do seu comportamento ou sofrimento, ajudando a encontrar formas de superá-los.
Todas as linhas psicoterapêuticas produzem resultados, mais efetivos e rápidos quando há empatia entre paciente e terapeuta, quando o paciente sinte-se à vontade para trabalhar suas questões utilizando os métodos e técnicas da linha escolhida. O paciente pode optar por atendimento individual ou em grupo.


 Fonte: http://portalcienciaevida.uol.com.br/esps/Edicoes/82/artigo271877-1.asp