segunda-feira, 16 de maio de 2016
AS ESTRUTURAS CLÍNICAS NA VISÃO DA PSICANÁLISE
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Algumas Fobias e A Neurose Fóbica.
Talassofobia (do grego θάλασσα que significa mar e φόβος que significa medo) é a aversão, repugnância ou medo mórbido, irracional, desproporcional e persistente ao mar. Quem tem talassofobia tende a não querer viajar em cruzeiros ou de ir à praia, por causa da aversão ao mar.
Tanatofobia é uma fobia que se caracteriza pela sensação de extremo medo da morte, pessoas com essa patologia, tendem a não sair de casa, evitam falar em morte, e têm pavor de participar de um funeral. A palavra Tanatofobia vem do mito grego de Tanatos, divindade grega da morte.
Urifobia é a fobia relacionada a fenômenos paranormais.
A pessoa urifóbica tem medo exagerado de tudo que é paranormal (que está fora dos limites da experiência normal ou dos fenômenos explicáveis cientificamente), como fantasmas, extra-terrestres, videntes ou visões, bruxarias, EQM (Experiência de Quase Morte), ou até mesmo de personagens "maldosos" da ficção.
As neuroses fóbicas são quadros caracterizados pelo medo de determinados lugares, objetos ou situações, que determinam uma série de condutas de evitação e outras de segurança.
causas
Segundo a psicanálise, a constituição desse quadro deve ser considerada uma atualização de situações de conflito profundamente relacionadas com o complexo de Édipo. O seu padrão provém dos primeiros medos e terrores infantis, normais na infância, e, por meio de um duplo mecanismo de projeção e deslocamento, coloca no mundo exterior a situação de conflito interno. De acordo com a visão psicanalítica, o fator que inicia esse processo especificamente é o medo da castração. O sujeito ficaria recalcado por uma idéia edipiana (a fantasia inconsciente de perder a genitália por causa da ação ativa do pai) que foi reprimida, e que se expressa de maneira disfarçada e diferente, mas com a mesma força afetiva. Quando as fobias não são tratadas, o temor pode se estender, ampliando a variedade dos objeto temidos.
sintomas
Existem três características constitutivas da estrutura fóbica: as condutas de evitação, o permanente estado de alerta e a atitude de fuga. Os mecanismos de defesa e os sintomas são os mesmos.
diagnosticos
Segundo Sigmund Freud, as fobias podem ser de caráter universal (situações temidas por todos: solidão, morte, etc) ou particulares (medo de situações peculiares). O DSM-IV considera uma fobia específica quando são observadas as seguintes características:
- Um temor expresso e persistente, que é excessivo ou irracional, se desencadeia pela presença ou antecipação de um objeto ou situação específicos.
- A exposição ao estímulo fóbico produz, de modo quase que invariável, uma resposta imediata de ansiedade, que pode adquirir a forma de uma crise de angústia decorrente de uma situação determinada.
- A pessoa reconhece que esse medo é excessivo ou irracional.
- As situações fóbicas são evitadas ou suportadas às custas de uma intensa ansiedade ou mal-estar.
- Os comportamentos de evitação, a antecipação ansiosa ou o mal-estar provocado pela situação temida interferem claramente na rotina normal da pessoa, nos seus relacionamentos de trabalho e sociais.
- Em menores de 18 anos, a duração dos sintomas deve ser superior aos 6 meses.
- Os sintomas não podem ser mais bem explicados pela presença de outro transtorno mental.
quinta-feira, 14 de março de 2013
Cada criança deve superar o édipo para acessar a sexualidade adulta
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| Divulgação |
| Ideia fundamenta outras teorias essenciais da psicanálise |
A brincadeira não está errada conceitualmente dizendo, mas quem se interessar em descobrir um pouco mais sobre a história desse importante fundamento da psicanálise, pode obter informações de maneira simples no livro "Édipo", escrito pela psicanalista Teresinha Costa para a coleção Passo-a-Passo, da Zahar.
"Freud afirmava a universalidade dos desejos edipianos, dizendo que cada criança deve realizar um caminho para superar o complexo de Édipo e ter acesso à sexualidade adulta", provoca a autora.
Em um texto bem equilibrado e conciso, a estudiosa mostra a influência do mito de Sófocles ("Édipo Rei") no pensamento de Freud, e apresentar as primeiras noções a respeito do desejo sexual infantil e seu desdobramento com outros pensadores, como Melanie Klein e Jacques Lacan.
| "A Virgem Amamentando o Menino e São João Batista Criança em Adoração" (1500-1520) |
O complexo de Édipo surge entre essas fases, e diz respeito ao amor egoísta da criança à mãe, mas que em meninos e meninas toma caminhos diferentes. A partir dessa pontuação, a psicanalista escreve sobre a formação da neurose e o medo simbólico e imaginário da castração dos meninos. O desenrolar desta última instância provoca a angústia da criança, que se vê pressionada a escolher entre o amor da mãe e o amor próprio.
No livro "Édipo", o leitor pode entender como ocorre e quais as consequências dessas escolhas para o desenvolvimento da sexualidade adulta.
Autora: Teresinha Costa
Editora: Zahar
Páginas: 88
Quanto: R$ 19,90 na Livraria Cultura e na Livraria Saraiva
Reportagem da folha de são paulo: http://www1.folha.uol.com.br/livrariadafolha/904674-cada-crianca-deve-superar-o-edipo-para-acessar-a-sexualidade-adulta.shtml
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sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Parte 4- Continuação do artigo de ontem: Perversões ou Perversão por Geraldino Alves Ferreira Netto

Última parte do artigo: Perversões ou Perversão
Por Geraldino Alves Ferreira Netto
Depois de Freud, de 1930 a 1960, seus discípulos continuaram a estudar a perversão, mas abdicaram do espírito do mestre, a ponto de proibir os perversos, agora identificados aos homossexuais, de praticar a psicanálise em todas as sociedades ligadas à IPA, sob o pretexto de que poderiam prejudicar os pacientes, numa época em que nem mais a psiquiatria encarava as perversões com moralismo.
Com Lacan, a perversão ganha status inconteste de estrutura, juntamente com a neurose e a psicose, que passam a ser pensadas como versões diferentes da relação do sujeito com a lei da castração, cada versão podendo ser chamada de Père-version, a versão do Pai.
Ligado à tradição da poesia erótica, da filosofia de Platão e da corrente libertina na literatura, Lacan afirmava que somente os perversos sabem falar da perversão. Além disso, Lacan aprofunda dois conceitos da psicanálise, o desejo e o gozo, dizendo que a perversão é uma componente do funcionamento psíquico do homem e da mulher, um desafio permanente à lei.
Em 1956, no seminário sobre A relação de objeto, que é mais uma teoria da falta de objeto, esclarece que, se existe alguma inversão (termo usado por Freud), é a inversão (ou deslocamento) do simbólico pelo imaginário, característica da perversão. É assim que Lacan interpreta a afirmação de Freud, segundo a qual a neurose é o negativo da perversão:
" Aquilo que estava articulado de maneira latente no nível do grande Outro começa a se articular de maneira imaginária, à maneira de perversão, e é, aliás, por essa razão e não por outra que isso vai resultar numa perversão" (p.120).
Como consequência dessa inversão e do desmentido, a perversão vai se caracterizar pela dessubjetivação:
" Resta, com efeito, uma dessubjetivação radical de toda a estrutura, em cujo nível o sujeito ali está reduzido ao estado de espectador. (...) No nível da fantasia perversa, todos os elementos estão lá, mas tudo o que é significação está perdido, a saber, a relação intersubjetiva. O que se pode chamar de significantes em estado puro mantém-se sem a relação intersubjetiva. (...) Vocês vão encontrar aí o que eu chamei de metonímia, que consiste em dar a escutar alguma coisa, falando de uma coisa completamente diferente. (...) Existe aí como que uma redução simbólica, que eliminou progressivamente toda a estrutura subjetiva. (...) Trata-se de um jogo de tapeação", um falso pacto.
Nesse ponto, Lacan está comentando o texto freudiano "Psicogênese de um caso de homossexualidade feminina", de 1920, que ele denomina "A jovem homossexual": Uma moça decide aproximar-se de uma prostituta, com a qual supostamente inicia uma relação amorosa. Saem as duas ostensivamente pelas ruas, de mãos dadas. A prostituta, ao que tudo indica, está envolvida apaixonadamente. Mas a moça não quer outra coisa que se exibir com ela para impressionar o próprio pai, do qual estaria assim exigindo um outro tipo de atenção, a saber, um amor desinteressado, como o dos homossexuais, do qual não se pode esperar um filho. Ao ser duramente recriminada pelo pai, ela ameaça suicidar-se, justamente na hora em que sua mãe estava às vésperas de ter um filho dele.
O que caracteriza este caso como perversão não tem nada a ver com as possíveis ou supostas ‘transas’ sexuais aí envolvidas, mas sim com o fato de que a moça usou a prostituta como instrumento para conseguir objetivos totalmente outros, camuflados num interesse sexual, e que não foram devidamente explicitados. É o jogo da tapeação.
Texto retirado do site: http://www.psicanaliseemcurso.com.br
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Complexo de Castração. Por Andréia Miglioranza Marin

Por Andréia Miglioranza Marin
A castração é algo normativo pelo qual todas as pessoas passam, e como disse em outro post (A castração nas estruturas psíquicas) é ela pela forma como lidamos psiquicamente que definirá a estrutura de cada um.
Primeiro, devemos relembrar que as crianças, quando muito pequenas não definem a diferença dos sexos, para elas, todos são iguais. Quando surge a fantasia da castração, esta possibilita uma explicação para a confusão tida antes em relação a diferença dos sexos (ausência e presença do pênis), nas meninas essa ausência é tida como amputação do pênis.
O menino tem medo da castração devido a uma ameaça paterna por ter desejado a mãe (Complexo de Édipo) e surge uma grande angústia.
A ausência do pênis nas meninas é tida como algo que aconteceu que ela tenta negar ou compensar essa falta. A castração, mais tarde, na fase adulta, aparecerá de outras formas. EX: interdição de algo, algo que castra, quando alguém não te deixa fazer algo que você quer por exemplo.
sexta-feira, 27 de maio de 2011
PEDOFILIA, UMA PERVERSÃO.

REPORTAGEM TRANSPOSTA DA REVISTA PSIQUE - ED.50 DE 2010.
Por Geraldino Alves Ferreira Netto
Freud veio revolucionar o conceito de sexualidade, direcionando-a para outro objetivo: a busca do prazer. Também ousou afirmar a existência de uma sexualidade infantil, polimorfamente perversa, até então ignorada. A resistência a esta teoria veio do desconhecimento por parte dos adultos, e da dificuldade de entenderem a distinção feita por Freud entre o sexual e o genital.
Quando Freud atribuía o valor de normalidade a essas perversões infantis, compostas de curiosidade pelo sexo oposto, voyeurismo, exibicionismo e toques físicos, estava descrevendo um comportamento que as crianças pequenas desenvolvem entre si, todas da mesma idade ou de idade aproximada.
Acumulador de energia
Em outro texto, de 1930, pouco conhecido e não incluído nas Obras Completas, em que Freud escreveu, em parceria, a biografia de Thomas Woodrow Wilson, um presidente dos Estados Unidos, encontramos uma comparação muito original da relação mãe-criança. O bebê é comparado aí com um 'acumulador de energia', como a bateria de um carro, que precisa receber uma carga de energia para fazer funcionar o motor. A mãe, por sua vez, é chamada de 'usina libidinal', cabendo-lhe a tarefa de transmitir ao filho uma quantidade de energia. Ela o faz não só pelos cuidados de higiene e alimentação, mas, sobretudo, pelo afeto e amor que transmite quando proporciona os cuidados próprios da função materna. Ela o faz quando acalenta e acalanta seu bebê. Trata-se de uma energia erogenizada, carregada do desejo da mãe e que provoca desejo no filho também. Na sequência, alguém tem que desligar a bateria da tomada, função que recebe a denominação de paterna.
Isto é, o Complexo de Édipo supõe um momento inicial incestuoso, seguido da operação de castração, de interdição, para que a criança possa ingressar no mundo da lei, da cultura, da sociedade. A castração não proíbe à criança continuar desejando a mãe e o pai como tais, mas proíbe que ela os deseje sexualmente como mulher e homem. Aquela perversão infantil inicial, normal, inclusive incestuosa, vai transformar-se possivelmente numa neurose que podemos chamar de normal também, decorrente, esta, do recalque sobre os desejos incestuosos.
O que faz a diferença entre a Psiquiatria e a Psicanálise é que a primeira apresenta listas de perversões ou parafilias, que são comportamentos observáveis e classificáveis, fenomenológicos, considerados transtornos patológicos, enquanto que, para a Psicanálise, tais atos são normais, desde que propiciem prazer àqueles que os pratiquem, adultos que consentem em participar, solitaria ou solidariamente, dos mesmos. Nesta perspectiva, nenhuma atividade sexual é intrinsecamente má, nem um ato reprovável pela sua própria natureza. A palavra 'perversão' é, então, tomada em seu sentido etimológico de 'várias versões', ou várias maneiras de se conseguir prazer com o sexo. E o conceito de 'perversão', na Psicanálise, no singular e não no plural, é uma posição psíquica subjetiva, uma estrutura clínica, diante da castração.
O Dicionário Houaiss da língua portuguesa assim define a pedofilia: 1. perversão que leva um indivíduo adulto a se sentir sexualmente atraído por crianças; 2. prática efetiva de atos sexuais com crianças (p. ex., estimulação genital, carícias sensuais, coito etc).
Não é tão fácil caracterizar o crime de pedofilia, se levarmos em conta essa definição porque, no primeiro sentido que ele apresenta, de atração sexual do adulto pela criança, teríamos uma pedofilia lato sensu, quase platônica que, circunscrita somente à fantasia do adulto, sem agregar uma prática sexual, não seria crime. O segundo sentido descreve a pedofilia propriamente dita, que inclui a prática sexual do adulto com crianças. Mesmo nessa, a costumeira ausência de testemunhas pode dificultar a investigação, mas não a caracterização pedófila.
Costuma-se alegar, para justificar a prática da pedofilia, que a criança gostou, consentiu, ou não se opôs. Estamos aqui no cerne da questão. Acontece que a única experiência que a criança conhecia, até então, foi aquela vivida dentro da família, com os cuidados maternos descritos acima. Por mais íntima que seja a intervenção da mãe ou do pai nos cuidados com os filhos, é uma intimidade que tem limites precisos, impostos pelos próprios pais, com raras exceções.
Se defendemos a tese de que a pedofilia é uma das perversões elencadas nos manuais de Psiquiatria e que também se inclui na definição de perversão proposta pela Psicanálise, resta esclarecer o que é a perversão como estrutura clínica. A melhor e mais avançada definição de perversão foi a que Lacan apresentou. Fazendo um jogo de palavras tipicamente francês, chamou-a de père-version (versão do pai, versão da lei), uma das 'escolhas' subjetivas inconscientes que podemos fazer diante da lei da proibição do incesto. Seguindo sua trilha de desbiologizar e dessexualizar o Complexo de Édipo, Lacan propõe pensar que a perversão não se constitui de nenhum tipo de atividade sexual propriamente dita, mas está inserida na estrutura do discurso. Quer dizer, se o psicótico está, de certa forma, fora da lei da linguagem codificada, pela forclusão do significante do Nome-do-Pai, ou ausência da castração, e se o neurótico está amarrado no laço social e simbólico da linguagem, pela submissão à lei do pai, o perverso é aquele que oscila entre o simbólico da linguagem e o imaginário de uma lei caprichosa que ele inventa para si mesmo em determinadas situações que lhe convenham, a seu bel-prazer.
O perverso utiliza (ou abusa) do outro para seu próprio gozo.
A criança pensa que o adulto vai só repetir aqueles carinhos amorosos que seus pais lhe dão, com limites precisos, sem suspeitar de algo que ela ainda não conhece, uma experiência sexual-genital, para a qual não está preparada nem física nem psicologicamente, sem chance, portanto, de consentir. Ela fica atordoada com a novidade, percebe que algo está errado, sente culpa, tem medo de contar para os pais, até porque normalmente é ameaçada no caso de comentar com alguém. Aí começa o trauma, aí está o crime. Mesmo sem a abordagem física, um dano moral ou psicológico traumatiza a criança.
quarta-feira, 11 de maio de 2011
A CASTRAÇÃO NAS ESTRUTURAS PSÍQUICAS.

Na neurose a criança é confrontada com autoridade do progenitor do sexo oposto, essa interdição é como um lei, que impede que a criança desfrute do corpo desse progenitor e então vá procurar um substituto para ele.
Na psicose há um relação extremamente simbiótica que se estabelece entre mãe e filho(a) e na fantasia da criança não há interdição paterna. Aqui, a criança permance presa nessa relação e se afasta das outras pessoas desenvolvendo relações sociais com dificuldade.
Na perversão há um relação estabelecida da criança com a lei simbólica de interdição imposta pelo progenitor do sexo oposto, há a negação da castração. Por isso o perverso tanto gosta de burlar leis, sejam elas reais ou simbólicas.

