sexta-feira, 2 de outubro de 2015
O que é ego, id e superego?
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013
Motivações de crimes paranoicos podem ocorrer por coisas fúteis; obra analisa impulsos
| Divulgação |
| Obra trata da leitura de Freud feita por Lacan e os novos conceitos |
O livro "Psicanálise Lacaniana", (Iluminuras) de Márcio Peter de Souza Leite, promove uma descoberta aos interessados em entender expressões como "paranoia de autopunição", "Castração", "Nome do Pai", "Estádio do Espelho", "Real, Simbólico e Imaginário", além dos questionadores diálogos lacanianos com as leituras de Kant, James Joyce e Sade.
Análises de casos criminosos feitos por Lacan são transportados e estudados para o livro, a fim de mostrar o percurso inicial que levou Lacan a deixar de lado a psiquiatria e optar pela psicanálise e o retorno a Freud.
Logo no começo da obra, o leitor é apresentado a dois marcantes episódios: a do Caso Aimée e o crime das irmãs Papin.
Escrito inicialmente para apresentar as ideias de Jacques Lacan para uma plateia de analistas kleinianos, os cinco seminários discursados viraram palavras escritas e sustentam a argumentação livre para quem quiser ouvir, ler e viver as experiências do incosciente.
Leia trecho do caso da paranoia de Aimée e do crime das irmãs Papin.
Lacan graduou-se em medicina, especializou-se em psiquiatria e logo depois trabalhou na enfermaria especial de alienados da Chefatura de Polícia, sob a direção de Clérambault, um dos mestres da psiquiatria francesa da época, criador do conceito de "automatismo mental", de muita importância para o pensamento de Lacan.
Na enfermaria onde Lacan trabalhou eram levadas pessoas que haviam cometido algum crime, mas que não poderiam ser responsabilizadas caso apresentassem um distúrbio mental. Foi nesse lugar que Lacan elaborou sua tese de psiquiatria "Da psicose paranóica e suas relações com a personalidade". Nela Lacan relata o fato de alguns pacientes se curarem após cometerem um crime. A partir dessa observação, Lacan propôs um novo diagnóstico, denominado "paranoia de autopunição".
A característica principal da paranoia de autopunição é o efeito de cura que um ato criminoso produz num sujeito que o comete em decorrência de um delírio. Apesar de ter recolhido muitos casos dessa manifestação, Lacan escreveu sua tese fundamentando-se no Caso Aimeé, que se tornou o paradigma da paranoia de autopunição.
Aimeé era uma mulher que pertencia à burguesia, uma funcionária pública fascinada por uma atriz famosa. Ela foi à saída do tetro onde a atriz trabalhava e atacou-a com uma navalha. A atriz teve os tendões das mãos cortados, e Aimeé foi então presa e levada para a clínica de Clérambault.
A conclusão a que Lacan chegou foi que o que estava em jogo naquele caso era uma idealização patológica, a princípio pela irmã, depois pela atriz. Porém, as únicas noções que poderiam explicar a razão da conduta da paciente não estavam na psiquiatria: eram conceitos que só existiam na psicanálise. No caso, o conceito de Superego.
Logo em seguida, em 1933, Lacan publicou dois textos: "O problema do estilo e a concepção psiquiátrica das formas paranoicas da experiência" e "Motivações do crime paranoico: o crime das irmãs Papin", sendo este o relato do caso de duas irmãs, empregadas domésticas em Paris, que em certo dia, por um motivo fútil - a falta de luza em casa - mataram e esquartejaram suas patroas.
Ao publicar esse texto, propondo as razões do crime paranoico, Lacan avançou em relação à sua tese anterior: a concepção de que o outro é o que o criminoso quer ser, então, ele tem de anular o outro para que possa existir - caso contrário, se perde nesse outro. Segundo Lacan, o que provocou o crime foi a realização de fantasias de estripação, fantasias que Lacan chamou de "corpo despedaçado". Assim como Freud descobriu as fantasias neuróticas, Lacan evidenciou as "fantasias paranoicas", porém dirá que todos temos essas fantasias, e o paranoico seria o sujeito que as coloca em prática.
Em 1936, com 35 anos de idade, já como psicanalista, Lacan apresentou no Congresso Marienbad, o texto "O Estádio do Espelho". Na época, o subtítulo desse texto era "Teoria do momento estruturante genético da constituição da realidade conhecida em relação à experiência analítica".
Nele, Lacan produziu uma teoria sobre a conformação da estrutura psíquica do sujeito, e o que ela elabora nele não é mais o motivo do crime paranoico, e sim a constituição da realidade.
Em 1949, ao ser apresentado como nós conhecemos, "O Estádio do Espelho" recebeu o título de "O Estádio do Espelho como formador da função do Eu tal como nos é revelado pela experiência analítica", escrito desde o ponto de vista da observação e da metodologia da psicanálise - e o que se deduz: a constituição do Eu (Je).
Autor: Márcio Peter de Souza Leite
Editora: Iluminuras
Páginas: 272
Quanto: R$ 49
Onde comprar: site da Livraria da Folha
Reportagem da Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/livrariadafolha/787030-motivacoes-de-crimes-paranoicos-podem-ocorrer-por-coisas-futeis-obra-analisa-impulsos.shtml
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terça-feira, 22 de janeiro de 2013
Sonhos.
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sábado, 13 de agosto de 2011
Instâncias psíquicas (Id, Ego e Superego) Por Andréia Miglioranza Marin
O Id é a parte inconsciente, que funciona como um reservatório, uma fonte das pulsões, é onde estão localizados nossos desejos, no Id não há moral nem censura.
O Ego é uma instância onde há partes conscientes e inconscientes, ele tem a função de controlar e conciliar o Id e o Superego. O ego é formado a partir do Id com o contato com o mundo externo, ele tem que se adequar aos desejos do Id e as proibições do Superego à realidade.
O Superego é conhecido como o herdeiro do Complexo de Édipo, pois é nessa fase que a pessoa começa a criar seus valores, exemplo: “eu não posso namorar com a minha mãe”, a partir desse período a criança aprende que há coisas que ela pode e não pode fazer. O superego é formado a partir das relações que se têm com o mundo externo (pais, família, etc) e também com o que passa de maneira inconsciente (o Superego dos pais). O superego é a moral, a censura.
Por Andréia Miglioranza Marin.
terça-feira, 26 de julho de 2011
Psicanálise, supereu e toxicomanias

Esse artigo foi escrito por Anderson Matos e acho importante que tenhamos conhecimento do que a psicanálise tem a dizer sobre a dependência química. O texto é grande mas vale a pena.
Retirado do site RedePsi- 19/11/08
Este artigo faz algumas considerações sobre a toxicomania e o alcoolismo, a partir do referencial psicanalítico. A máxima "O supereu alcóolico é solúvel em álcool" proferida em 1947 por Ernest Simmel serve de guia para algumas considerações teóricas sobre o assunto. Alguns apontamentos sobre supereu e toxicomanias
Palavras chave – toxicomania, supereu, psicanálise, clínica
Essa comunicação tem por objetivo uma leitura sobre a questão da incidência do supereu na sua relação com as toxicomanias. O supereu freudiano, representante da lei, instância que expia o sujeito parece se arrefecer diante dos efeitos do álcool. Essa foi a tese levantada por Ernest Simmel em 1947, quando elaborou a máxima ‘o supereu é solúvel em álcool’. Esta afirmação serviu por muito tempo como orientação para aqueles que praticam a clínica das toxicomanias. A idéia prevalente é a de que a censura, proveniente do supereu pode ser apaziguada pelo uso do álcool. Supunha-se de certa maneira que o supereu pudesse ser debilitado, diluído sob o efeito de etílicos se tornando menos permeável à censura.
Em 1992 por ocasião da V jornada do CMT
– Centro Mineiro de Toxicomania, Bernard Lecoeur proferiu uma série de conferências para o evento, o psicanalista é um dos coordenadores do G.R.E.T.A. – Groupe de recherche et etudes sur le toxicomanie et l’alcoolisme (Grupo de pesquisa e estudos sobre a toxicomania) vinculado ao Campo Freudiano. Este grupo, de orientação lacaniana lida na França com o tratamento e a pesquisa sobre o assunto.
Em uma de suas conferências: - ‘Por que o supereu não é solúvel em álcool’, Lecoeur enuncia a máxima forjada por Ernest Simmel. Simmel é um contemporâneo de Freud e foi considerado um pioneiro por ter em 1926 dirigido a clínica Tegel. Seu pioneirismo se deve entre outros fatos, à aplicação da teoria da psicanálise em uma instituição para tratamento de pacientes neuróticos, psicóticos, alcoolistas e toxicômanos.
Simmel formulou que ‘o supereu alcoólico é solúvel em álcool’ tendo a máxima obtido sucesso junto aos que se interessavam pelo assunto. A formula da conta ‘da dimensão do excesso, da desmesura que se liga a esse fenômeno sem que um apelo seja feito a virtude moral ou as suas falhas’ (Lecoeur 1992). Na presença do álcool a desinibição impera, uma inclinação à verdade surge sob a máscara da embriaguez, in vino, veritas, no vinho, a verdade.
Porém mesmo que uma verdade necessária seja dita na embriaguez, ela vem como balbuciação etílica. Os tropeços da fala e a exaltação que acompanham essas verdades aos borbotões, desqualificam o que diz o homem embriagado.
As amnésias posteriores nos obrigam a pensar que a embriaguez produz um evento sem sujeito. O homem embriagado tem comprometida sua faculdade de julgar, desinibido, faz e fala coisas que sóbrio, jamais os faria. O álcool permite manifestações efusivas que vem em arroubos. O que fica contudo na memória de seus interlocutores parecem ser verdades sem medida, destemperadas pelo álcool. Sua fala que não faz laço social, cacofonia das palavras. De certa forma essa fala sem censura pode ser tomada por nós como um índice da idéia da solubilidade do supereu, no que diz respeito a seu aspecto moral.
Lecoeur ressalta que é correto pensar de certa maneira que o álcool permita restringir as conseqüências subjetivas dessa submissão à censura. Essa censura que imana do supereu, e que o sujeito tomou dela conhecimento através do agente paterno no complexo de Édipo. O supereu que se torna o censor internalizado do eu mediante a influência dos pais. O complexo de Édipo é o lugar primeiro onde se encena para cada sujeito o lugar do desejo e da lei. A conclusão do complexo de Édipo deixa no homem a marca de uma lei. Um não inaugural fica como cicatriz para o homem de que existe uma lei que regula um para-todos. Para que exista desejo, há uma interdição que faz inaugurar uma falta. Lacan nos lembra que para todos os sujeitos que foram normatizados pelo complexo de Édipo, um objeto vai cair, existe para o gozo um limite.
O supereu como nos ensinou Freud é herdeiro do complexo de Édipo e por isto traz a marca de uma interdição.
Mas parece importante notar que na releitura que Lacan fez da obra de Freud todo o destaque que ele dá aos aspectos paradoxais do supereu. Ele notifica que o supereu esta instância moral, engendrada no sujeito como a marca da lei, pode se manifestar de maneira paradoxal. Não escapa a Lacan que o supereu também é herdeiro do isso, e mais do que enunciar a lei, ele é também seu desconhecimento, o supereu pode ser um imperativo de gozo: - Goza! (Lacan, 1972-1973 Sem. XX ).
Pode-se assim tentar investigar a pertinência da hipótese relativa à suposta solubilidade do supereu à luz das contribuições de Jacques Lacan. Na toxicomania parece muito mais razoável supor que a presença de um supereu inclinado a exortações, que um supereu que apresenta sua ação apaziguada ou debilitada em razão da presença do álcool.
O argumento de Simmel parece incidir principalmente naquilo que poderíamos chamar de aspectos morais do supereu sobretudo no que aponta para a vertente ligada à censura e ao interdito. Sabemos hoje que é somente através de uma leitura parcial do supereu que se pode cogitar sua diluição. Podemos dizer que Simmel estava tratando de um supereu concebido estritamente como instância reguladora. O supereu de que ele falava é o censor do eu, herdeiro do Édipo, que mantém a função de instância crítica vinculada à consciência moral. Focalizando dessa maneira, há sentido em se pensar que o supereu parece ser permeável ao tratamento tóxico. É como se a voz da consciência encontrasse sedação pela via de uma supressão (unterdrünkung) tóxica.
Mas se o censo comum pensa que se só se encontra deleite ou prazer no tóxico, não parece ser o que a clínica demonstra: ‘ora, sem contar com uma clínica sofisticada, mas somente com escutar o pouco de gosto, se não o pouco de estima que ele demonstra para com aquilo que consome.’ (Lecoeur, 1992), no alcoolista devemos reconhecer ‘que a posição do bebedor é aquela de uma fundamental submissão a um apelo, de uma obediência sem pertinência a uma ordem, aquela que articula a injunção ‘Beba’. O ato de beber, antes de ser um gozo, consiste em ceder às ordens de um imperativo de gozo. É por isso que o sujeito se torna aliviado, uma vez que a injunção para beber domestica a tirania do significante mestre, dando-lhe um conteúdo sensato... Submeter-se ao imperativo é, ao mesmo tempo destrui-lo.’ (Lecoeur, 1992). O sentido disto reside na medida em que se submete, o sujeito pacifica a ferocidade do supereu.
Vale também notar ainda como no alcoolismo uma repetição conduz o homem sempre ao mesmo copo, dessa maneira o produto estupefaciente toma a forma de um objeto privilegiado, o que adquire com Freud os contornos de um ‘casamento feliz’ com um produto. O casamento com a droga é um casamento que não deixa muito espaço para outros relacionamentos, a droga como objeto eleito, captura o sujeito levando-o a uma saturação em curto-circuito auto-erótico, num gozo solitário, segregado e segregante, mal visto pelo outro social. E neste ponto torna-se interessante tomar nota de uma breve observação de Jacques Lacan acerca da toxicomania.
A droga e o rompimento com o faz-pipi
Na Jornada de encerramento de estudos de cartéis da Escola Freudiana em 1975, Lacan fez um comentário paradigmático que permaneceu no horizonte das considerações teóricas acerca da clínica das toxicomanias. O psicanalista francês assim se pronuncia sobre a droga: "é por que eu falei do casamento que eu falo disso; tudo o que permite escapar a este casamento é evidentemente bem-vindo, daí o sucesso da droga por exemplo; não existe outra definição da droga que esta: é o que permite romper o casamento com o pequeno-pipi." (Lacan, 1976)
Mas o que Lacan estaria nos dizendo com isto? O que seria estar casado com o faz-pipi? Podemos fazer uma leitura da acomodação fálica, levando-a ao pé da letra, e assim pensá-la como a assunção pelo sujeito do casamento que deve contrair com seu próprio sexo. Um sujeito que está casado com seu sexo está referenciado a uma posição sexual. Isso tem toda a sorte de implicações no que diz respeito ao laço social, refletindo-se estruturalmente nas representações sociais. É o significante fálico que circunscreve um gozo fálico, tal circunscrição funciona como uma ordenação para os seres falantes na articulação dialética de sua estrutura e na sua posição sexuada. Podemos assim concluir que a acomodação ao significante fálico produz um posicionamento, um verdadeiro arranjo subjetivo para os sujeitos que foram normatizados pelo Édipo. É deste modo que perceber como se opera essa acomodação fálica pode ser importante para compreender a questão da toxicomania.
Este “rompimento do casamento com o pequeno-pipi”, que tipifica a toxicomania para Lacan, conduz a idéia de uma ruptura relativa à acomodação fálica.
A psicanálise nos esclarece que os sujeitos inscritos na função fálica são portadores de uma perda primordial de gozo . O toxicômano se depara com “não tudo do gozo é colocado sob a dimensão fálica” , de vez que ele se coloca como um demissionário do falo. “o gozo fálico é o que se sustenta nas relações de poder, de competição social e nas relações de trabalho que envolvem dinheiro, produção e poder. O toxicômano é aquele que se recusa a participar dessa relações, colocando-se à margem delas”. (Lemos, 2004)
Por usar uma via de tratamento que pretere do outro o toxicômano é considerado um sujeito que não se submete aos interditos, sendo inscrito em um mais-de-gozar absoluto. Vale a pena ressaltar as observações de Jacques Allain-Miller sobre oposição que se estabelece entre o gozo e o prazer que é essencial para que se possa entender as questões que aqui se apresentam. “O princípio do prazer aparece, de algum modo, como uma barreira natural ao gozo e, portanto, a oposição se estabelece entre a homeostase do prazer e os excessos constitutivos do gozo. Trata-se, ao mesmo tempo, da oposição entre o que é da ordem do bem – do lado do prazer – e aquilo que o gozo sempre comporta de mal” . (Miller, 2000)
Assim vão se delineando de forma mais clara as complexas relações do supereu com as toxicomanias. Elisa Alvarenga tem uma hipótese que contribui para estes questionamentos: "nas patologias contemporâneas, a eficácia do Nome-do-Pai é inversamente proporcional à severidade do Supereu." (Alvarenga, 2005)
Surge então o que parece ser um paradoxo importante na questão das toxicomanias, essa tentativa de ruptura, de insubmissão ao serviço sexual, artifício para marcar com o zero a inscrição do Nome-do-Pai, traz como retorno essa injunção supereu-óica. Devemos sempre nos lembrar que o supereu não é apenas uma lei reguladora, ele guarda os vestígios do isso de onde se engendrou com suas identificações que vociferam como vozes arquejantes, resíduo sonoro: - ‘Goza’!
Parece-me que esta consideração sobre o supereu e seus aspectos paradoxais encontram uma ressonância importante na clínica das toxicomanias, e para concluir rercorrerei novamente as contribuições de Alvarenga: - "Podemos talvez dizer que a clínica das toxicomanias é uma clínica do supereu: o que os toxicômanos chama de ‘fissura’ é uma das formas do imperativo de gozo do supereu”. (Alvarenga, 2005)
Fonte:
Alvarenga, E. – Do gozo do pai à melancolia in Papers del CA – Nova Epoca n º 11 novembro 2005 in www.wapol.org/pt/buscador/template.aspLacan, J. Journees D’etudes dês cartels de l’École freudienne de Paris. Maison de La chimie, Paris. Lettre de l’École freudienne, 1976, n 18. Lacan, J. O seminário: Livro 20 mais ainda, (1972-1973, 1985)Lecoeur, B. – O homem embriagado: estudos psicanalíticos sobre toxicomania e alcoolismo. CMT, Belo Horizonte, 1992
Lemos, I. – o gozo cínico do toxicômano – Mental: Revista de saúde mental e subjetividade da UNIPAC. V.2, n.3 novembro 2004 – Barbacena MG p.53
Miller, J. A. – Os seis paradigmas do gozo. Opção Lacaniana. N 26-27, abril, 2000.
sábado, 16 de julho de 2011
Sessão psicanalítica simulada, como uma tentativa de ilustração da psicanálise como técnica terapêutica: com explicações e termos técnicos em parêntes

Entra na sala de consulta, estende a mão e cumprimenta como de costume, rapidamente deita no divã e diz: " Doutor , o senhor parece cansado , e não muito bem humorado" (projeção). Tive um sonho em que eu me via velho, bem velho, e pensei que a morte estava quase por aí".
Terapeuta: É , ... e o senhor acha que sou eu quem está cansado e mal humorado...cada vez que reaparecem seus sentimentos de frustração vê a todo o mundo desse jeito, me incluindo nessa sua visão do mundo (interpretação da transferência).
Paciente: Bem , é verdade, (irritado) mas será que o senhor não pode estar nem cansado nem mal-humorado? (transferência negativa e resistência).
T.: Está se perguntando se eu, tão velho como seu pai, poderei realmente ajudá-lo?
P.: O senhor sabe que não é tão velho assim. (a transferência muda para um aspecto mais positivo e se corrige o vínculo), e agora vem aí outra vez meu pai, que era um verdadeiro carrasco, não consigo esquecer (regressão).
T.: Agora o carrasco sou eu (assume o papel paterno infantil) que o incomoda com o que falo.
P.: E que o senhor me leva a lembrar coisas que já tinha esquecido (estão no inconsciente) e que quero manter esquecidas (repressão) ainda que na verdade vejo alguns de meus colegas como inimigos (deslocamento), apesar de que começo a ver que não é bem assim (elaboração e mutação objetal).
T.: Parece que virei um pai menos severo e que pode ajudar (o analista está satisfeito com a evolução da sessão, e interpreta usando sua contratransferência positiva).
P.: Me pergunto se meu pai era realmente tão ruim (nova mutação objetal interna , ainda dentro da regressão). Gostaria sim de mudar meu comportamento com a minha família (procura usar outros mecanismos de defesa , menos conflitivos e mais livres da pressão do seu Superego).
Esta sessão simulada dificilmente poderia acontecer. Se trata de um brevíssimo exemplo para ilustrar, resumidamente, alguns dos elementos do texto deste trabalho, eminentemente simples com propósitos de divulgação.
Se faz aqui necessário destacar que a psicanálise é muito mais do que o aqui escrito.
Por , Maurício Knobel - Professor Emérito da Universidade Estadual de Campinas - Unicamp, Campinas-S.P.
terça-feira, 28 de junho de 2011
CAMISA FREUD- ID EGO SUPEREGO.

Sinceramente é uma camiseta que vale a pena, custa R$33,90 e há nas cores: branca, preta e vermelha e nos tamanhos: P, M, G e GG. Esta no site Coisas da vida. Descrição do produto no site:
"Camisa em homenagem a Sigmund Freud, fazendo uma brincadeira com a sua teoria sobre o modelo triádico do aparelho psíquico: o ID é o princípio do prazer, o EGO é o princípio da realidade e o SUPEREGO representa a moral."
segunda-feira, 13 de junho de 2011
MECANISMO DE DEFESA E ANSIEDADE DO SUPEREGO NAS NEUROSES DE ADULTOS.

TEXTO RETIDADO DO SITE DO PSICANALISTA DR. LEON
MECANISMO DE DEFESA E ANSIEDADE DO SUPEREGO NAS NEUROSES DE ADULTOS.
Nas neuroses de adultos a ordem de considerar perigoso o impulso instintivo vem do superego que proíbe sua satisfação. O motivo que instiga à defesa não parte do ego. O ego teme de ter problemas com o superego e reprime o impulso e cria o conflito neurótico. É este conflito neurótico que poderá criar uma descarga indesejável em momento de enfraquecimento do ego e assim dar origem a sintomas histéricos.
O superego é responsável de todas as neuroses. É ele que cria a ansiedade que provocará a neurose. É ele que impede ao ego uma negociação pacífica com o ID e o entendimento com os instintos. É o superego que exige um mínimo de renuncia sexual declarando o sexo perigoso. É também o superego que proíbe a agressão como sendo anti-social ou incompatível com a saúde mental. O ego é o executor dos desejos do superego e assim se torna hostil aos instintos.
Sendo o superego o responsável das neuroses do adulto, a educação da criança deve evitar a criação de um superego todo poderoso. A criança deve encontrar saída para sua agressividade para o mundo exterior e evitar dirigi-la totalmente para dentro o que acabaria formando uma personalidade cruel. A educação deve mostrar as fraquezas dos pais e alguma tolerância ante os instintos.
1.2 MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE OBJETIVA NA NEUROSE INFANTIL.
Na criança, o superego não é um fator indispensável de formação de neurose. O superego aparece mais tarde. O ego infantil teme os instintos porque teme o mundo exterior, teme o castigo dos pais. Assim sua defesa é motivada pela ansiedade objetiva.
A ansiedade objetiva faz que o ego infantil desenvolva fobias, neuroses obsessivas, sintomas histéricos como no adulto acontece com a ansiedade do superego. Assim no adulto como na criança é a ansiedade que desencadeia a defesa e o processo neurótico.
A diminuição do medo do castigo na criança poderia realizar uma educação com menos ansiedade objetiva, mais tolerância ante os instintos e, portanto removendo uma grande parte da neurose infantil.
1.3 MECANISMOS DE DEFESA E ANSIEDADE INSTINTIVA.
Mas mesmo se o ego da criança não temesse o castigo e, portanto estivesse livre da ansiedade objetivo, mesmo se o ego do adulto não sofresse o domínio do superego e ficasse livre da sua ansiedade, se as exigências dos impulsos instintivos se tornam excessivos a hostilidade do ego se intensifica até atingir a ansiedade e a criação de mecanismos de defesa contra os instintos.
Otto Fenichel (2) fala de nojo e vergonha como motivo de defesa. Trata-se de defesa contra ansiedade instintiva.
“O precursor do nojo é uma síndrome arcaica de defesa fisiológica, a qual se produz automaticamente assim que alguma coisa repulsiva alcança o trato digestivo. O primeiro juízo negativo que o pré-ego do bebê faz é:” Isto não é comestível “, o que significa” Devo cuspir isto ““.
“O ego reforçado aprende a usar este reflexo para os seus fins e transforma-o em defesa; primeiro em expressão de negação em geral; depois, em defesa contra certos impulsos sexuais, particularmente orais e anais; o que por sua vez é sinal” Se não desistires desta exigência, terás de cuspir e vomitar ““.
“Há” ataques de nojo “neuróticos que correspondem ao” pânico “da angústia; ataques nos quais o ego, devido a bloqueios anteriores, fica completamente esmagado pelo afeto que se pretendia destinado a fins defensivos”.
“A” vergonha “como motivo de defesa dirige-se, principalmente, contra o exibicionismo e o escoptofilia... como reflexo fisiológico primitivo. A vergonha também se relaciona em muitos aspectos com o sentimento de culpa:” vergonha de si mesmo “. (2)”.
A ansiedade instintiva, a ansiedade objetiva, a ansiedade do superego têm todas o mesmo efeito em relação à instalação dos mecanismos de defesa, a instalação do conflito neurótico e a aparição do processo neurótico.

